Wednesday, January 9, 2008

Love as Being


Primeiro encontro-te, depois procuro-me.
Encontro-me no meio de procurar-me-te.
Procuro-te no meio de encontrar-me-te.

Os labirintos dos verbos,
os labirintos dos pronomes,
os labirintos dos olhos, da boca, do corpo todo,
desaguam aqui neste manuscrito lavrado a contra-corrente,
meu sangue quente,
Ser
Ser-te
Ser-me
Ser-te-me.

Primeiro bebo-te, depois sinto-me
como sede e deserto.

Monday, January 7, 2008

Infinity and Zero, Love and God


These are the only inventions that can entirely burn the inventors.
Always Meaning more than Meant.

Liebe als Angst


Ich fuehle kein Verb, nur dein Vorname.

Ich hdpfnjaojvcpemcmepifcnkwjofnkjdo
und odhcnodeigsftschdoiedjhcocjgowztztfdkfsch
lutztshcdjgtitjatewqiztebxapehfginckehifaskjkioe
hoodhfiuidnkjkdheioiksdlkeljklpwerjcdsasfgujieieiie

Ich trinke keine Verse mehr, nur dein Vorname.

Gibt es etwas Tieferes als deine Haende?

Unmoeglich.

Die Kinder singen. Die Goetter schrieben.

Spontan ist Liebe immer das Schreien.

Saturday, January 5, 2008

Love as plotless ballet



It is raining wildly outside. All vulnerable animals have disappeared instantly through my open chest. It was bleeding in the morning when I left home. I could not avoid its worsening and I am bound to take the nowhere train in the electrified white margins of my texts.
I imagine I am waiting for the One and No-one shows up. There is no line in my texts unaware of such sour wine. I drink it over again. Abruptly. Eyes and veins lost, sine die. Subtle pan-nihilism cooling your hands. I remember them perspiring in the first day. I fear dreadfully you do not remember anything and I fear you are right. "Clouds pass and disagree." I do not know the art of the passage. Neither does love, labyrinth of ties.
I had roses, white roses from my mother's garden. I remember my father watering them and his whistling or singing. At a distance, I try desperately to read his lips. Rosa, rosae, rosam, rosae, rosa. And he smiles as a child at the roses. He knew they would have entangled lives.

Thursday, January 3, 2008

Para os Amantes Perfeitos


(Dedico este texto aos manos Fred e Daniela, Bruno e Marta; João, Tomás, Inês, Jacinta e respectivas incógnitas)

No princípio, queria que o meu Amor fosse um monumento de elevada civilização. O Amor deveria pertencer ao corpo das Belas-Artes. Iremos ao cinema, à ópera, ao museu, à biblioteca, dizia eu para a minha libido e para ti, de quem eu era coisa – todo eu era desejo de ser tua coisa, teu objecto, tua posse. Mas as fibras livres dos animais e das plantas, as forças ocultas das órbitas e dos ciclos dos seres inanimados gritavam de dentro das minhas células incendiadas. Amar-te-ei como uma força da natureza, como um vendaval abrupto ou uma chuva torrencial. Amar-te-ei como um animal selvagem. Debater-te-ás com a feroz ternura do meu Amor e ganharás sempre. Ao Deus que não conheço, peço, anonimamente, um acréscimo constante da terna ferocidade desta metamorfose incrível que é Amar-te.
Iremos ao cinema e ao sótão, à ópera e à banheira, ao museu e ao sofá, à biblioteca e ao tecto. Não ficará pedra sobre pedra nos nossos corpos. Os nossos corpos tão breves na história talvez infinita do Amor! Os nossos corpos oscilarão entre o vapor e a onda. Colocaremos, noite após noite, as mãos, ambas, sobre os nossos corpos, ambos, inventaremos os gestos que farão o rito da nossa verdade elementar, repetiremos o permanente diferir das rotações e das translações. Corpo a corpo, lua a lua, sol a sol: expansão do tempo único de enlouquecer profundamente ou de perder os sentidos intensamente ou de reconciliar-se com tudo e com nada.

Wednesday, January 2, 2008

Love as Tropical Jazz


One can rehearse some gestures in the dark.
One can have an attachment for some transitions.
Yet, the essence of love is improvisation and constant vertigo.

Kiss you everywhere or die trying (given your infinity I must certainly die trying).

I solemnly declare that my sole purpose in life is to kiss you everywhere and die - or at least fall asleep - mouth-to-mouth in the tropical sands of this world.

Sunday, December 23, 2007

La Princesse du Japon et son Esclave



Les vies seraient infinies, et s'enchaîneraient, mi-continues, mi-discontinues.
A leur tour, les ponts de la mémoire seraient faibles mais capables de tisser des courants sous-marins entre le passé et le futur. Le temps naîtrait donc des émotions fortes qui dessinent les paysages où l'on habite, surtout le désir et la peur.
Elle est persuadée d'avoir été Princesse.
Elle ressent cette certitude dans tout son corps, ou presque.
Je vous expliquerai davantage, du point de vue de l'esclave.
Elle lui dicta un soir: dans une vie à venir je ne serai plus Princesse. Je serai une femme à la recherche de son histoire au milieu d'une ville excessivement réelle.
L'esclave connaissait l'art du massage spirituel et il rédigea des textes anonymes sur le corps de la Princesse pour toujours. C'est cela qu'elle lit et relit en étudiant sa nudité chaque jour. L'esclave lancea donc une unité pour toujours, l'unité d'une peau, le système d'une sensibilité. Peut-être. Puisqu'il l'aima et voulut qu'elle ne fut plus Princesse ni Mémoire de Princesse. Ainsi, les textes sont confus, ils manient les paradoxes, les images à sens et contre-sens. Elle ne saura jamais si elle croit ou si elle doute. Certes, la caligraphie désigne la main tremblante d'un esclave amoureux et tout esclave appartient à une Maîtresse, mais il pourrait avoir rédigé sur le corps d'une fille d'esclave ou d'une fille de roi. Et les textes nourissent l'équivoque.