Thursday, July 24, 2008

soif


desir. devenir. desert.

le desir deserte. creuse le sable.
je desire deserter. creuser le sable.

Etre soif et deserter.
deserter le desir. de. ou de.

ne plus aller 'a la source.
obeir 'a une rose.
de personne.
'a venir.

'a une rose


'a une rose de personne.
'a venir. viendra. si. seulement si.
presque rien. sans pieds ni mains.

je me lierai. pour. tellement.
'a une rose 'a venir.

ma peau. ton couteau. les amoureux tombent.
'a venir. depuis. pour.

le vin au bord du bois de jamais.
le retour des sables au corps.
tellement.

une porte autre porte. sur un escalier.
vers un autre. contre. les pieds saignent.
le bois. 'a minuit. implose. liquide. acide.
ultime.

je. me taire. me promettre. me descendre. ou pas.
tellement. au commencement.
descendre. promettre.

je me lierai
'a une rose de personne
'a venir

Wednesday, July 23, 2008

absoluto ou nada


absoluto ou nada. dois infinitos da intensidade.

querer. morrer de querer. contra a morte. contra os cornos da morte. desfiar o corpo pelo labirinto para entrar e sair. ate' nada. fisicamente nada.

beber o tempo da cinza. beber o rio. os barcos. da nascente 'a foz. as cidades aliadas. as margens. ou antes silenciar os motores. extinguir os nervos. na ideia de nunca.

dilemas para acelerar sem atrito e enlouquecer sem mapa.

l'intime


le conflit: l'union la plus intime.
voici le silence, la pierre aux pieds nus, le nuage aux yeux acides. combien. combien vide.
un matin, un soir. autre ou pas. personne ne saura poser le soleil exactement sur l'axe de mon corps.

j'ai vu comment la bouche se tournait vers la nuit, le retard de la bouche vis-'a-vis du feu.
j'ai compris ce qu'il fallait ne pas faire. je l'ai fait. donc. en toute rigueur. 'a leur exacte de personne.

under a broken bridge


row. navigator. the bodies are not the same waves. all possibilities are not in the same bodies. you embark on one you fail other. under or against. something implodes. row. navigator. put your stream on the water. the oceans obey not. unless you open your chest and bleed. if not, not.
row with my bones and make sails out of my skin. or Not.

Saturday, July 19, 2008

Sobre a era da pele


É a Era da pele e as vísceras gritam.
Persigo seres vivos no meio da cidade, persigo-os com os meus fantasmas vorazes a uivar, a gritar suas carências ternas e enraivecidas.
Persigo abstractamente tudo o que mexe… persigo-te, persigo-me… tenho medo de mim nos ermos escuros. Pensar-me é uma rua mal iluminada onde temo cruzar-me.
Há poetas que escolhem suicidar-se nos rios, porque é a fluidez que lhes falta. Os rios ajudam os que não sabem nadar nem beber toda a água.
Eu, contudo, suicido-me lentamente nas margens, nas pontes, nos cais e em tudo o que respira e passa.
As águas da superfície são o incêndio interior das copas altíssimas das florestas futuras. Se te beijo por fora é porque me mordes por dentro. A profundidade, porém, é idêntica, apenas a natação ou a dança se altera, segundo as correntes e as ondas do espanto.
Penso na essência da verdade como vagas onde o corpo todo se enrola e se espuma – e eu todo e a minha duração é apenas isso.

a mortalidade do amor



À luz da morte do amante, não te beijo os olhos nem as mãos, não te beijo algo ou algures ou uma parte de ti, à flor da pele, porque a morte faz ferver algo sob a pele e pede-me uma verdade imediata que não passe pelas membranas intervalares dos sinais. Beijo-te o corpo todo, sobretudo o centro, numa agitação de chamas primitivas, carnívoras, concêntricas, até que a deflagração dos sinais supérfluos seja completa e não haja mais línguas nem linguagens sobre a terra, nada mais senão a dinâmica brutal das colisões corporais, as implicações de corpos nus, como pedras contra pedras.

A concentração da vida na morte do amante pede-me nudez e tangência: uma nudez clara, acabada, definitiva, persistente, trabalhada com obstinado rigor, feita e refeita, reiteradamente, no contacto com as matérias-primas da arte primitiva de incendiar-se.
Pede-me o corpo todo, verdadeiro e uno, como um bloco de granito ou um voo de ave, exposto às experiências de todas as estações.
Porém, simultaneamente, oferece-me a realidade a remar por um silêncio pouco denso, pouco pacífico, à superfície das águas. A realidade carece de braços e abunda de remos.