Saturday, August 2, 2008

Sophia and Poiesis


Sophia perde-se nos veios brancos da página, pele vulnerável de Poiesis.
Queria beijar-me e compreender-me com todos os sentidos, diz Sophia. Mas outra boca será sempre necessária e urgente.
Infinita carência: Sophia escreve e apaga todos os livros, sempre à mesma distância da verdade. A pele de Poiesis lança chamas através de todos os absolutos vitais. Nada se resolve, tudo se expande em oscilações vibratórias que são sempre a génese de algo, a iminência de um princípio.
Sophia interroga, Poiesis responde obscuramente com raios de sol contra o olhos.

Thursday, July 24, 2008

soif


desir. devenir. desert.

le desir deserte. creuse le sable.
je desire deserter. creuser le sable.

Etre soif et deserter.
deserter le desir. de. ou de.

ne plus aller 'a la source.
obeir 'a une rose.
de personne.
'a venir.

'a une rose


'a une rose de personne.
'a venir. viendra. si. seulement si.
presque rien. sans pieds ni mains.

je me lierai. pour. tellement.
'a une rose 'a venir.

ma peau. ton couteau. les amoureux tombent.
'a venir. depuis. pour.

le vin au bord du bois de jamais.
le retour des sables au corps.
tellement.

une porte autre porte. sur un escalier.
vers un autre. contre. les pieds saignent.
le bois. 'a minuit. implose. liquide. acide.
ultime.

je. me taire. me promettre. me descendre. ou pas.
tellement. au commencement.
descendre. promettre.

je me lierai
'a une rose de personne
'a venir

Wednesday, July 23, 2008

absoluto ou nada


absoluto ou nada. dois infinitos da intensidade.

querer. morrer de querer. contra a morte. contra os cornos da morte. desfiar o corpo pelo labirinto para entrar e sair. ate' nada. fisicamente nada.

beber o tempo da cinza. beber o rio. os barcos. da nascente 'a foz. as cidades aliadas. as margens. ou antes silenciar os motores. extinguir os nervos. na ideia de nunca.

dilemas para acelerar sem atrito e enlouquecer sem mapa.

l'intime


le conflit: l'union la plus intime.
voici le silence, la pierre aux pieds nus, le nuage aux yeux acides. combien. combien vide.
un matin, un soir. autre ou pas. personne ne saura poser le soleil exactement sur l'axe de mon corps.

j'ai vu comment la bouche se tournait vers la nuit, le retard de la bouche vis-'a-vis du feu.
j'ai compris ce qu'il fallait ne pas faire. je l'ai fait. donc. en toute rigueur. 'a leur exacte de personne.

under a broken bridge


row. navigator. the bodies are not the same waves. all possibilities are not in the same bodies. you embark on one you fail other. under or against. something implodes. row. navigator. put your stream on the water. the oceans obey not. unless you open your chest and bleed. if not, not.
row with my bones and make sails out of my skin. or Not.

Saturday, July 19, 2008

Sobre a era da pele


É a Era da pele e as vísceras gritam.
Persigo seres vivos no meio da cidade, persigo-os com os meus fantasmas vorazes a uivar, a gritar suas carências ternas e enraivecidas.
Persigo abstractamente tudo o que mexe… persigo-te, persigo-me… tenho medo de mim nos ermos escuros. Pensar-me é uma rua mal iluminada onde temo cruzar-me.
Há poetas que escolhem suicidar-se nos rios, porque é a fluidez que lhes falta. Os rios ajudam os que não sabem nadar nem beber toda a água.
Eu, contudo, suicido-me lentamente nas margens, nas pontes, nos cais e em tudo o que respira e passa.
As águas da superfície são o incêndio interior das copas altíssimas das florestas futuras. Se te beijo por fora é porque me mordes por dentro. A profundidade, porém, é idêntica, apenas a natação ou a dança se altera, segundo as correntes e as ondas do espanto.
Penso na essência da verdade como vagas onde o corpo todo se enrola e se espuma – e eu todo e a minha duração é apenas isso.