Tuesday, February 1, 2011

mutilação

ainda jovem cortaram-lhe a veia que ligava o coração ao espanto, o espanto ao milagre, o milagre ao êxtase, o êxtase ao outro lado do tempo e a todas as veias futuras... depois da catástrofe, disfarçou-se de pastor onde havia muitos animais selvagens. morderam-lhe progressivamente nas outras veias passadas. já tinha perdido a fala e depois perdeu também o silêncio. ouvia vozes metálicas a dizer o fim. e faltou-lhe a fúria cósmica de ripostar. tarde demais para aquela fúria amadurecer em bons frutos de Kaos.
guerra é guerra. mesmo em sonhos, um músculo mais firme pode salvar da queda.
mas nada. a casa ficou em ruínas antes da construção. apesar do sol e da planície.
levou o segredo com ele para lugar nenhum. o que foi não será.

segredo

imagina outro homem. suspenso entre nada e nada. entre o passo e o passo. e voou.

to and fro


imagine a man who knows that there is no eternal kingdom. that kingdoms and empires and all animals die.
but one day his skin surpasses the sun. I daresay not how and why. and then he says nothing. he thinks nothing. he knows nothing.
his savoring. higher than desire can climb. disproves the foundation of nothingness.
his moving. to and fro. between waves of fire. brings the last nude to truth.

Monday, January 17, 2011

voar


a dor das asas persiste após. longamente após. tanto bater.

quando somos pássaros. somos o arder da atmosfera. inteira.

bates-me com tuas asas quando somos pássaros inteiros a arder.

a atmosfera fala de lábios e de cavalos. somos a arder. tanto.

bates-me agora. torrencialmente. com teu agora. corpo de agora.

como nunca. a carícia de nunca mais. a persistente dor de após.

tanto. arder. espera. a dor abre o girassol do silêncio. somos.

espera. havia fúrias lentas na primeira música. as trevas na boca.

no meio das palavras. o ar. o fim do ar. somos principiantes. tanto.

começam na sombra as asas. quando somos nunca. o ar. após as fúrias.

espera. havia feridas nas trevas do girassol. a carícia bate após arder.

mot

un mot s’avance, découvert, les mains nues, à ses risques et périls.
Et plus il risque, moins il souffre.
Or, il risque tout, il est le danger en mouvement.
Donc, plus il s’égare, et plus il féconde et innove l’engendrement de ses chemins, aux confins de l’inconnu.
A la fin, naît l'Origine comme un peu de sucre après l'angoisse.

Thursday, January 13, 2011

Wednesday, January 12, 2011

medir a distância


a distância é o esforço necessário para tocarmos o fogo que deflagra no vazio entre a pele e a pele

digo lentamente que soletro o fogo que me te
digo mais que sou serei sou serei este esforço este sempre este digo
ou não sou nem serei
ser nem ser
não nem nada

PS: o esforço fica atravessado na garganta das letras...e aí começa a transpiração da linguagem ou o milagre de falar línguas confusas, com atmosferas baixas, coladas à pele, de nevoeiros e vulcões. Vêm seios e meandros às mãos dos símbolos que não sabem onde donde para onde. A dor que salva é o que não ou o que sim ou ambos e outro e mais na distância de