Monday, February 21, 2011

hipermnésias


indefinidamente: a vida está no poema, hipermnésia erótica confabulatória. repetem-se as imagens ou as espumas das imagens e dos tempos. instantes em que o sol é todo para sempre.
Só acredita quem sabe ler-se e escrever-se com essas fábulas ou chuvas de fogo.
Se a pele estremecer, é esse o sinal dos sinais.
Confundir a pele e a verdade: nunca se perde.
Em caso de dúvida, regressar à pele. Em caso de regresso, refazer a dúvida, a certeza e todas as línguas sobre a pele. a nudez será a Origem. Aí começa, aí não acaba.

a verdade na pele. inteiro o sol. respiro.

a pele faz verdade enquanto a noite arde sem palavras. decides apaixonar-te depois de descrer. nada te dói fora do mar. desenhas incêndio. a cinza repousa nos pulmões. outras águas passadas.

fisicamente fui feito da matéria que explode. matéria que explode. desde a fonte. a espuma da fonte. respiro.

a pele é a verdade e a tua língua é a língua. e eu sou fracções incandescentes em elipses inexactas gravitando sobre as memórias dos sinais da pele. disse tudo até cair onde a pedra é flor.

leio-me com os dedos nas feridas que não saram. a tua língua e a tua lua doem como música que desce pela sombra da boca abandonada. os pássaros nascem nas mãos cada vez mais.

Saturday, February 19, 2011

o círculo transparente do corpo

noutra vida noutro ciclo noutras fibras. quem sabe ninguém sabe.
as asas serão a atmosfera inteira. ninguém sabe. quanto medo pesa. sobre tanto.
a ficção suprema dos gritos de gaivota ou de rosa. a urgência das pétalas vermelhas esta noite. batendo. tanto. batendo.

os segundos quentes de um sangue imaginário serão todo o tempo. falaremos dos pássaros onde o mundo recomeça no vento. sopra-me. com uma língua de mar. tua. teu sal. toca

atravesso a transparência de uma língua. palmo a palmo. a floresta interior. queria a Palavra que faz beijo. sobre a nudez. um fio de saliva que corta as veias. a tua saliva as minhas veias. e outros contrários que desfazem o peito contra a força do meu vazio. o delírio da mão esquerda rasgando a ideia de perder-Te. os textos de chuva que apagam os meus olhos de madrugada.

não sei onde vais respirar. bebo à saúde de não-compreender.

aprendo. o amor é um tambor de pele. bate. nesta vida neste ciclo nestas fibras.

gull says You Are

there are cries vaster than our bodies. most air vibrates like that first womb.

this muscle trembles exceedingly. your kiss should be blue and round. on earth. or be not.

from this planet.

white-winged gull

the white-winged gull cries. distantly.
cries within. around. through. this flesh of mine. and my bread.

my love could be a ground nesting bird. if nothing.
the gull fixes my silence.

most questions lead to the surface. the evening air. your mouth. my loss.
this is the frontier of longing. coming back. as vital as dark. coming back to the origin.
these waves consume all carnivores and angels alike.

never have I collapsed so high.
higher than those cries of the white-winged gull. I am not the beginning. rage and music exceed the sand. you liberate the forces. their blue apparition. you raise my hands beyond reality.
sand bars and cliffs of my hours. fight within. guitars and violins. confused strings. your breath or my fiction of flowing. untouched. your song densely consists of Summers. nothing but Summers. and our finding the spring. near my coastely angst.

Friday, February 18, 2011

sommet et seuil

tout peut basculer. tout. à tout moment.

je partage mes ailes les arbres où le feu. ici. les cheveux rouges.
ce matin boit la limite de ma bouche si. ma lèvre. aucun point ne brûle.
si les mains viennent du fond ou pas. rien ne dort. dormira. avant de naître.

Sunday, February 13, 2011

bio-poiesis

un mot obscur est souvent le plus vrai. De l'exactitude de la nuit parlent tous les arts. je bois du meilleur orage, abondamment.

j'aime mieux être obscur que d'être égaré. j'approuve la vie et toutes ses surfaces, selon l'inclination du soleil. j'y participe du dedans. au désordre des vêtements se suit le désordre des énergies. les lèvres se métamorphosent en animaux, peut-être des oiseaux. une question affaiblit le sommeil. c'est une mise à nu irrégulière qui pèse sur mes récits à venir.
beaucoup de lumière fait beaucoup d'ombre. beaucoup de ténèbres peuvent accueillir des températures contrastives qui engendrent d'intimes vents croisés dont les muscles dessinent un coeur. et les fibres de l'angoisse injectent la saveur du lointain sur le désir de chauvirer...
il suffit de voler, sans spasme final. le vol est la vraie méthode du commencement qui dure jusqu'aux possibilités les plus extrêmes

Tuesday, February 1, 2011

desejo de nascer


Agora digo: água e luz: o mistério de nascer.

Desejo o princípio, o teu Nome como meu princípio. Ou música Interior.

Uma lua um mar um sol esperam-Te no coração novo do tempo. Em mim.

Desenho a tua vinda no meu corpo inteiro e sinto o segredo. De dentro.

Desejo-Te as asas de ser sem fim. E desejo-Me no teu voo. Renascendo.

Maior do que a vida, o silêncio oceânico do Amor contínuo.

Desejo-Te-Me. Com o infinito nos lábios.

Nascer todas as manhãs.