Monday, December 19, 2011

sonata ao luar ou aprender a metamorfose



imóvel, a flecha atravessa uma cratera lunar.
uma língua de fogo fala do mundo como de uma mulher grávida, nos últimos dias.
o Absoluto aproxima-se infinitamente de nada, entre dentro e fora.
o Absoluto faz um desvio entre o eterno e o nada, para viver connosco um instante de vertigem.
o último instante da flecha imóvel antes do tempo se incendiar todo no peito X. incógnita.
um instante de álcool. vem e cai. no peito de X.
o álcool perdura na queda até que o corpo aprende a voar.
também o repouso é uma velocidade apaixonada pelo fundo. vem e cai até ao álcool dos últimos dias da mulher grávida. estremece de Futuro. no peito de X.
o sol cai na lua no piano na língua na matéria no útero X.
o sol incógnito lança flechas de Absoluto. na ausência ou na demora de Messias.

Saturday, December 17, 2011

labirinto


um labirinto pode ser uma única linha, reta invisível, que atravessa as ruínas de pedra e saliva. de menos infinito a mais infinito, passando por zero, por mim em jamais. o sinal passa, nebuloso, e faz corpo com nada, senão pó de incógnitas. dormes, desde a fonte que fala do Enigma, com o grande hematoma no peito do Presente. brilha uma dor intocável que aprofunda a paragem dos cavalos no vértice da catástrofe. explosão abrupta, umbilical, de sol.

diante do declive, os meus cavalos correm. diante do abismo, os meus cavalos aceleram, como tangentes do Futuro, e voam na plenitude da linha que transborda, de menos infinito a mais infinito, concentrando-me em zero. uma ideia de boca e de canto: uma vogal aberta apenas, um cântico mínimo, uma linha única que quebra o ciclo.

muitos cavalos nas veias. uma convergência de infinitos. muitos deuses em jogos de dados sobre a areia.

o meu interior é a superfície das ondas extremas, o recomeço de Acontecer.
uma incarnação de infinito no singular: uma pele sem princípio nem fim, sem círculo nem centro, um corpo recém-nascido no meu corpo.
a fonte fala em Enigma. o anjo fala em Sonho. sempre uma mulher espera um filho
como o Eterno. e o corpo do filho é o Singular fogo que derrete a densidade da tragédia e todo o teatro do Fim.

Thursday, December 15, 2011

Eros & Poiesis

Eros & Poiesis:

'via Blog this'

omitir sempre uma palavra como uma parede no labirinto.
as mãos bifurcam-se entre dois jardins onde o tempo vem florir muitos espinhos sem porquê. Também as rosas são parábolas do messias que vem ou não ou outra coisa. O medo deseja o tempo dos manuscritos quentes. O desejo receia os meandros do peito em ebulição. Há uma espada abissal na minha ideia de uma ilha onde finamente naufragar contra falésias e brumas de êxtase. O mais denso e remoto êxtase que o messias decifra com vertigens.

Friday, November 4, 2011

Life-defying temperatures


bodies perspire non-sense while future loves sleep furiously.
not afraid of believing. despite this spiral stringing up my inner petals above highly above the infinite layers of thorns. you dance as if All were Now.
a Suspension of new veins new bloods new pumps.
All at mid-air within your dancing wings.
so much fire. and ultra-violet flashings of flesh.
your dancing makes happen the beginning. again.
when the breath came to clay and the tongue vibrated godless.
humus. our animals resume all.
let us plunge on fire or water? You decide.
not afraid of the ninth hour. the tempest off-shore.
pain becomes an olive tree on the verge of Deluge.

bodies begin raining. as much fire as blood cells.
All confines skin.

Sunday, October 30, 2011

tremer


há uvas há o trigo e tanto treme quem acredita no caminho no coração da casa

sempre o tempo da metamorfose da fúria tão íntima como a palavra que talvez desde a primeira água faz tanta falta na boca toda

há uvas há o trigo e acontece-me tremer de silêncio como se fosse frio tão íntimo como a primeira água desde que a boca toda faz falta no tempo da metamorfose do amor em fúria

Saturday, October 29, 2011

do vértice de agora


Só um deus nos pode salvar agora
Só salvar nos pode agora um deus
Só agora um deus nos pode salvar

sangue do meu sangue. vou da minha boca à terra vermelha. regresso sem lábios