Monday, January 19, 2026

Terra Quente: Noite dos Caminhos


Há Caminhos dentro do meu Sentimento-de-Viver e da possível-exaustão-de-Respirar
Há Caminhos dentro do meu Delírio-de-Haver-Deus e Infinito-Vácuo-Além-Deus

Há Caminhos na Terra Quente sob a Noite de indefinidamente doer a densidade do espaço-tempo nas minhas órbitas. Os Caminhos são a Gravidade e o Fluxo: coisas de sangue que ocorrem dentro dos corpos opacos. Os Caminhos são o Encontro e o Combate amoroso do encontro: ou Fuga ou Rendição ou muitos modos misteriosos de transformar-se...

Caminhos nos pés nus e livres que sinto por dentro do meu ensaio de ser-espaço-movimento
Caminhos da Vida terrestre, terrena, térrea por onde Deus aparece como chuva e vento, como mãos e bocas, vibrações mais nuas e mais livres do que Respiração Intercorporal, primeira oração... 

Thursday, January 15, 2026

Cada Princesa, suas Escadas, seus Cisnes, suas Regras


 Cada Princesa constrói suas Escadas com as curvas exatas em certa hora de subir e virar na subida, rumando ao teto, ao terraço e ao telhado sobre a cidade cercada. A Princesa decide a hora do cerco e do bombardeamento e do incêndio e do envenenamento das águas. A Princesa comanda os generais com subtis esgares... A Princesa é a Dramaturga da Comédia dos Sonâmbulos...

Cada Princesa alimenta seus Cisnes com vento irregular de sementes e de fermentações com sublime desdém: as penas dos cantos de Cisnes arrancam outros Cisnes aos cantos às penas. Cada Princesa conhece os melhores poemas para não cantar, nem abrir a boca. 

Cada Princesa prefere os seus Silêncios às Orquestras de outros Silêncios...

Cada Princesa dita suas Regras e desobedece, sorrindo, negando, transcendendo, regressando por outro caminho a outro lugar com outro destino - ninguém sabe o que deseja, rejeita, ignora a Liberdade de cada Princesa...   

Cada Princesa governa uma pacífica Anarquia de Ambiguidade: a Princesa bailarina inventa uma orquestra de jazz-tango para enlouquecer sem álcool, apenas vibração e ritmo e chuvas de magma. A Princesa sente o seu corpo de jazz-tango amando a Duração como se toda a história se concentrasse no instante de um Duelo. A dança de Amor é um combate mortal: cada carícia desfere um golpe com potência letal crescente. O mundo dos Amores desenvolve-se como a Palestra-dos-Terríveis.   

No centro da memória, um jardim-labirinto, para repousar Ressonâncias

No centro do jardim-labirinto, uma floresta impenetrável, para guardar Diamantes Brutos, os intangíveis, os invisíveis, os supra-imagináveis Diamantes da Origem

Certas madrugadas, entre a meia-noite e a Vigília mais escura, vem um incerto Vento Novo, um vento soprado do extremo Norte, o mais extremo Norte do jamais vécu, e abate a floresta que arrasa o jardim-labirinto, nascendo uma planície transparente no centro da memória, um instante de Nudez ou Verdade ou Encontro com a luz dos Futuros Possíveis Desejados... pela primeira vez, a Princesa canta...

Basta de adjetivos, absolutamente


 Não mais adjetivos, absolutamente, porque o barro caiu das mãos de Deus e quebrou-se no chão de Nada. Cada grão de barro é um mundo, ou uma vida, que se liga e desliga de outros mundos, ou de outras vidas, segundo a distância, a humidade e a força que trabalham no chão de Nada.  

Este é o esquema de todas as Histórias e de todos os Verbos e de todas as ligações entre Histórias-e-Verbos que dizemos Amores absolutamente.

Dizemos cruamente: o Amor é a Ânfora onde Deus colocou o Perfume, o Álcool, a Água, o Sangue. A ânfora tremeu nas mãos de Deus e a vida caiu, está caindo há várias eras que dizemos horas-crises, horas-ritmos, horas-da-Medicina - Tudo sem adjetivos, somente nomes sobre nomes, absolutamente, implodindo, explodindo, trabalhando.

nomes sobre nomes, símbolos sobre símbolos, somente corpos sobre corpos, coisas de carne, absolutamente sem adjetivos

Monday, January 5, 2026

A Presença da Mãe


Sempre tão jovem  a minha mãe e a Amplitude do seu Horizonte 

criando os meus Sentidos  o meu equilíbrio e o meu movimento


Sempre tão jovem   a coragem da minha mãe

acreditando sempre na Novidade do mundo 

desejando sempre a Alegria da viagem


(Minha Mãe cantava Alfabeto e eu apaixonei-me por esse canto: Sinais cheios de Vida para escrever e ler sobre as matérias vibrantes - a farinha fermentando no sentido do pão, a pele fermentando no sentido da ternura, o chão fermentando no sentido do Sol

Todos os dias sinto o Poder-de-Escrever e o Poder-de-Ler nascendo para mim na Voz da Mãe - Todas as noites desejo o Canto do Alfabeto, desejo tão inquietamente até ao limiar de exaustão e de dúvida e de verbos mortalmente impessoais caindo sobre mim - como anoitece-me, chove-me, venta-me, cai-me o Haver e o Acontecer e o Desfazer... urgências transpiram-me quentes e húmidas através do Trabalho sem obra e do Suplício sem justiça

Quando vem a abundância do vazio, sofro de amnésia dentro de fome e dentro de sede e dentro de distância... escorrendo-me rios profundos de medos: Somos a transpiração dos caçadores desarmados, rastejando melhor do que serpentes fora dos caminhos)