Eros assalta, ataca, vence. As falésias caem sob os golpes de Eros.
Minha Psyche confessa: Não sei o porquê.
Talvez Eros seja assaltante, atacante, vencedor sem-porquê.
Talvez Eros seja a concentração máxima dos porquês. Talvez Eros seja a passagem da interrogação à exclamação e da exclamação à interrogação, suspendendo sentidos equívocos, lançando trevas sobre a inquietação do porquê.
Talvez a linguagem seja incapaz de penetrar no método de Eros.
Os alfabetos erram, as palavras erram, os livros erram, porque fazem grandes órbitas em torno do Sol, sem nunca mergulhar definitivamente em sua verdade-matéria incandescente.
Se eu mergulhasse na Incandescência, seria uma metamorfose sem regresso à minha Psyche, sem regresso aos tempos e às línguas de minha Psyche.
Eros assalta, ataca, vence.
Minha Psyche se rende renovadamente, repetidamente, singularmente, diferentemente: Acontece-me, então, esta contínua essência: meu devir torrencial, meu devir águas livres, arte de evaporação e condensação, de mim-para-Ti.
