Cada Princesa constrói suas Escadas com as curvas exatas em certa hora de subir e virar na subida, rumando ao teto, ao terraço e ao telhado sobre a cidade cercada. A Princesa decide a hora do cerco e do bombardeamento e do incêndio e do envenenamento das águas. A Princesa comanda os generais com subtis esgares... A Princesa é a Dramaturga da Comédia dos Sonâmbulos...
Cada Princesa alimenta seus Cisnes com vento irregular de sementes e de fermentações com sublime desdém: as penas dos cantos de Cisnes arrancam outros Cisnes aos cantos às penas. Cada Princesa conhece os melhores poemas para não cantar, nem abrir a boca.
Cada Princesa prefere os seus Silêncios às Orquestras de outros Silêncios...
Cada Princesa dita suas Regras e desobedece, sorrindo, negando, transcendendo, regressando por outro caminho a outro lugar com outro destino - ninguém sabe o que deseja, rejeita, ignora a Liberdade de cada Princesa...
Cada Princesa governa uma pacífica Anarquia de Ambiguidade: a Princesa bailarina inventa uma orquestra de jazz-tango para enlouquecer sem álcool, apenas vibração e ritmo e chuvas de magma. A Princesa sente o seu corpo de jazz-tango amando a Duração como se toda a história se concentrasse no instante de um Duelo. A dança de Amor é um combate mortal: cada carícia desfere um golpe com potência letal crescente. O mundo dos Amores desenvolve-se como a Palestra-dos-Terríveis.
No centro da memória, um jardim-labirinto, para repousar Ressonâncias
No centro do jardim-labirinto, uma floresta impenetrável, para guardar Diamantes Brutos, os intangíveis, os invisíveis, os supra-imagináveis Diamantes da Origem
Certas madrugadas, entre a meia-noite e a Vigília mais escura, vem um incerto Vento Novo, um vento soprado do extremo Norte, o mais extremo Norte do jamais vécu, e abate a floresta que arrasa o jardim-labirinto, nascendo uma planície transparente no centro da memória, um instante de Nudez ou Verdade ou Encontro com a luz dos Futuros Possíveis Desejados... pela primeira vez, a Princesa canta...