Tuesday, February 3, 2026

Sobre a potência de sofrer


O ar tem peso e força e vetores brutos que desabrigam os lugares e fecham os caminhos. 

A vida expõe-se ao Perigo-do-ar e sofre o colapso da respiração: queda do telhado, fratura da parede, vazio da janela, escombros no chão. 

A memória do ritmo do fogo íntimo habitando as casas vibra sempre dentro da Construção e das ruínas: a vida construtora resiste Indestrutível para além dos limites das matérias. O Desejo de construir e habitar permanece inteiro como outro metal líquido, outro metal de sangue oxigenado, que não se extingue.

A vida tem a potência de sofrer sob todas as forças e a potência ser transformada pela Travessia-de-tudo abertamente

Monday, January 19, 2026

Terra Quente: Noite dos Caminhos


Há Caminhos dentro do meu Sentimento-de-Viver e da possível-exaustão-de-Respirar
Há Caminhos dentro do meu Delírio-de-Haver-Deus e Infinito-Vácuo-Além-Deus

Há Caminhos na Terra Quente sob a Noite de indefinidamente doer a densidade do espaço-tempo nas minhas órbitas. Os Caminhos são a Gravidade e o Fluxo: coisas de sangue que ocorrem dentro dos corpos opacos. Os Caminhos são o Encontro e o Combate amoroso do encontro: ou Fuga ou Rendição ou muitos modos misteriosos de transformar-se...

Caminhos nos pés nus e livres que sinto por dentro do meu ensaio de ser-espaço-movimento
Caminhos da Vida terrestre, terrena, térrea por onde Deus aparece como chuva e vento, como mãos e bocas, vibrações mais nuas e mais livres do que Respiração Intercorporal, primeira oração... 

Thursday, January 15, 2026

Cada Princesa, suas Escadas, seus Cisnes, suas Regras


 Cada Princesa constrói suas Escadas com as curvas exatas em certa hora de subir e virar na subida, rumando ao teto, ao terraço e ao telhado sobre a cidade cercada. A Princesa decide a hora do cerco e do bombardeamento e do incêndio e do envenenamento das águas. A Princesa comanda os generais com subtis esgares... A Princesa é a Dramaturga da Comédia dos Sonâmbulos...

Cada Princesa alimenta seus Cisnes com vento irregular de sementes e de fermentações com sublime desdém: as penas dos cantos de Cisnes arrancam outros Cisnes aos cantos às penas. Cada Princesa conhece os melhores poemas para não cantar, nem abrir a boca. 

Cada Princesa prefere os seus Silêncios às Orquestras de outros Silêncios...

Cada Princesa dita suas Regras e desobedece, sorrindo, negando, transcendendo, regressando por outro caminho a outro lugar com outro destino - ninguém sabe o que deseja, rejeita, ignora a Liberdade de cada Princesa...   

Cada Princesa governa uma pacífica Anarquia de Ambiguidade: a Princesa bailarina inventa uma orquestra de jazz-tango para enlouquecer sem álcool, apenas vibração e ritmo e chuvas de magma. A Princesa sente o seu corpo de jazz-tango amando a Duração como se toda a história se concentrasse no instante de um Duelo. A dança de Amor é um combate mortal: cada carícia desfere um golpe com potência letal crescente. O mundo dos Amores desenvolve-se como a Palestra-dos-Terríveis.   

No centro da memória, um jardim-labirinto, para repousar Ressonâncias

No centro do jardim-labirinto, uma floresta impenetrável, para guardar Diamantes Brutos, os intangíveis, os invisíveis, os supra-imagináveis Diamantes da Origem

Certas madrugadas, entre a meia-noite e a Vigília mais escura, vem um incerto Vento Novo, um vento soprado do extremo Norte, o mais extremo Norte do jamais vécu, e abate a floresta que arrasa o jardim-labirinto, nascendo uma planície transparente no centro da memória, um instante de Nudez ou Verdade ou Encontro com a luz dos Futuros Possíveis Desejados... pela primeira vez, a Princesa canta...

Basta de adjetivos, absolutamente


 Não mais adjetivos, absolutamente, porque o barro caiu das mãos de Deus e quebrou-se no chão de Nada. Cada grão de barro é um mundo, ou uma vida, que se liga e desliga de outros mundos, ou de outras vidas, segundo a distância, a humidade e a força que trabalham no chão de Nada.  

Este é o esquema de todas as Histórias e de todos os Verbos e de todas as ligações entre Histórias-e-Verbos que dizemos Amores absolutamente.

Dizemos cruamente: o Amor é a Ânfora onde Deus colocou o Perfume, o Álcool, a Água, o Sangue. A ânfora tremeu nas mãos de Deus e a vida caiu, está caindo há várias eras que dizemos horas-crises, horas-ritmos, horas-da-Medicina - Tudo sem adjetivos, somente nomes sobre nomes, absolutamente, implodindo, explodindo, trabalhando.

nomes sobre nomes, símbolos sobre símbolos, somente corpos sobre corpos, coisas de carne, absolutamente sem adjetivos

Monday, January 5, 2026

A Presença da Mãe


Sempre tão jovem  a minha mãe e a Amplitude do seu Horizonte 

criando os meus Sentidos  o meu equilíbrio e o meu movimento


Sempre tão jovem   a coragem da minha mãe

acreditando sempre na Novidade do mundo 

desejando sempre a Alegria da viagem 

Wednesday, December 31, 2025

A Noite dos Caminhos


Cada noite tem seus caminhos

minha cidade conhece meu coração, o Inquieto Animal das Noites


Minha cidade é a Noite dos Caminhos 

onde se abriga-e-des-abriga meu Desejo de Liberdade

Tuesday, December 30, 2025

Sonhar com árvores mais interiores



 


Meu Amor sobe esta árvore até às raízes mais interiores do meu Pânico-de-viver no ermo: entre o Infinito Pleno e o Infinito Vácuo. 
Sou o Amor da floresta após o definitivo incêndio da loucura mais bruta... amo ainda a Ideia Divina da Floresta Original e renasço ainda através de sonhar-sentir-a-União com árvores cantantes mais interiores do que sangue e fogo  

Tuesday, December 23, 2025

Kosmos-Poiesis: O Sentido-de-Dançar


Infinita Claridade de Kosmos-Poiesis vem por dentro das espirais das galáxias como música

Infinita Explosão de Claridade brilha-me vibra-me chama-me através da noite que envolve estrelas

Vem por dentro como música o Impulso mais Oriental o Sentido-de-Dançar mais Oriental

A Ideia-de-Mistério vem por dentro como vapor de música enchendo as forças inteiramente 

Sou-este-plural-forças advindo como música por dentro dos corpos-feitos-ondas 


Infinita Claridade de ser a Sonhadora do Princípio: Aqui nasce o Transcendente como onda de música

ondas-feitas-corpos

Sobre a potência de sofrer

O ar tem peso e força e vetores brutos que desabrigam os lugares e fecham os caminhos.  A vida expõe-se ao Perigo-do-ar e sofre o colapso da...