sinto por vezes que há um fio a ligar as noites umas às outras... como se, de noite em noite, algo em mim prosseguisse o mesmo trilho de alta montanha a esforçar os pulmões... cada noite tem um modo de descer muito incompleto que continua na noite seguinte a manifestar-se sem tocar... sinto na boca vestígios de luz e de pó... dizem por onde serei o rio... o que mais me estremece são as emoções dos rios que escavam linhas nas rochas... e eu sou tanto de rocha fendida como de tempo em roda... penso dançar no seio de talvez-nada... apenas uma radiação imperceptível será meu corpo na história das noites por onde...
"…Attribuez à mon souffle trop court ce qui dans mon propos restera obscur ou froid. Mais retenez la comparaison – elle définit le Livre en tant que Livre c’est-à-dire en tant qu’inspiration…" (E. Lévinas)
Tuesday, April 13, 2010
noites
sinto por vezes que há um fio a ligar as noites umas às outras... como se, de noite em noite, algo em mim prosseguisse o mesmo trilho de alta montanha a esforçar os pulmões... cada noite tem um modo de descer muito incompleto que continua na noite seguinte a manifestar-se sem tocar... sinto na boca vestígios de luz e de pó... dizem por onde serei o rio... o que mais me estremece são as emoções dos rios que escavam linhas nas rochas... e eu sou tanto de rocha fendida como de tempo em roda... penso dançar no seio de talvez-nada... apenas uma radiação imperceptível será meu corpo na história das noites por onde...
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