Tuesday, April 1, 2014

Sobre Eva









Dentro deste livro, o Mundo faz Vento. Escrevi sobre a pele para não esquecer algo. A temperatura das vogais sobe até ao vértice da turbulência e do seu vácuo: perigo de vida boca-a-boca. Silêncio e fuga: um poema bebe muitos lábios. É a Era da Pele: recomeçamos a fábula no mar alto. Eva expõe as linhas curvas da tempestade. O naufrágio canta o Amor do Possível.
Respiração boca-a-boca é uma operação de salvamento para náufragos. Porém, quando a respiração confunde os combustíveis, sopramos Caos, boca-a-boca. 
Uma outra salvação acontece, mais inflamável que o naufrágio do Génesis de Alguém. É a Era da Pele: Eva trabalha no jardim, oferecendo frutos novos às suas serpentes mais íntimas. O jardim vibra na boca de Eva, comunhão de Caos, sempre mais jovem e livre. 
Tarde, manhã: deus beija o barro. Passagem para novo dia sempre com Caos na saliva matinal. Princípio infinito: nascer das águas, boca-a-boca.
Também Eros conhece a vibração desse Caos que chama e toca no fundo, desde o altíssimo deserto da pura possibilidade até Aqui: um Livro possível para dizer a temperatura da Era da Pele. Uma voz submarina, dentro de Caos, uma voz mais nua do que grito, desenha uma órbita. E salva-se, talvez. Ninguém pode saber. Ninguém, nunca, nada pode evitar a ignorância da espuma manuscrita. Aqui. Imagina frações de um Diálogo Amoroso a recomeçar sempre, boca-a-boca. Álcool de silêncio,

1 comment:

Unknown said...

Escuta o silêncio velho da noite, Ó Alma
sem estrelas. Quando a sombra pressente o fim
e os temores nocturnos se agitam em vão, anunciando contrários
a verdadeira luz.

Zarathustra and Heraclitus: Always playing with camels and fire in the desert

 Only the desert can appease the craving for fullness, only the fire can appease the fear of darkness, only the strongest camels can cross m...