Thursday, June 17, 2021

Elegia para dançar: Durante e após o Colapso


 tantas falésias na memória de Desejar-o-Princípio

horror do vácuo vertical onde o Amor é a calamidade Maior
agitando os vulcões submarinos nos olhos que beijam a hora Obscura

tantas falésias avançam abruptamente sobre o medo carnal de mergulhar 
horror de ser só e de tocar no fundo de ser só
horror de quebrar as forças no fundo do mergulho

tantas falésias recordam o Colapso de Terra Firma no último instante

a bruma mais densa exalta-nos na alegria do fogo voador no centro do corpo
a bruma mais fecunda gera-nos e lança-nos e alimenta-nos com o Enigma da História

se dançamos a nudez integral salvamos as Línguas que beijam a hora Luminosa 
beijam com ternura furiosa todos os animais voadores
contra a vastidão indefinida de vento vácuo 

tantas falésias na voz 
minha voz diagonal escorregando na rocha 
a noite responde sempre às portas da Vertigem
repetindo a loucura de um Poema de carne ávida de tudo

tantas falésias desvelam a interrogação no peito
o Colapso de forças desde a infância
procurando a Palavra na areia materna de granito e sangue

viajar durante e após a libertação da noite à beira-mar
tantas falésias dão nome aos mares futuros que são ainda Desejo
no perigo de Alteração inteira

tantas falésias perguntam se temos as asas 
capazes de suportar o horror do vácuo até repousar no fogo 

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