Wednesday, May 14, 2008

within-without


selves burn
sun and shadow without
selves grow
either sun or shadow within

my shadow crosses your sun within
and quivers or deepens
within

as your sun without
so my shadow within
or not

your sun without my sun within
our skin burns grows crosses

my sun selves shadow within
my shadow selves sun without

your sun within my shadow within
could it be within
otherwise?

Monday, May 12, 2008

frappe-moi


le silence d'une porte, c'est une autre porte

frappe-moi jusqu'à la racine du bois de toutes
nos portes futures

inner forest


this contradiction opens a window and writes a desire

at the center of my skin where laws of nature disagree

Friday, May 2, 2008

eterno retorno


toda a vida flui de todo o acreditar. acreditas?

há um fragmento anónimo de tragédia onde Eros corta os punhos e Psyche fura os olhos.
acontece ao meio-dia, em silêncio, frente ao mar: falésia sem porto: ausência de cais para . . .
não há vestígios de sangue, nem no manuscrito nem na praia, mas a profunda caligrafia demonstra a impossibilidade de não-sangrar . . .

as cicatrizes oferecem outra voz sem língua comum: cada cicatriz tem sua língua em seu corpo, cada face a face expande um equívoco.
os sentidos encerram opacidades recurrentes.
as línguas não sabem sofrer plenamente,
semeiam sombra entre sentir-me e sentir-te.

falta outra língua para a vida fluir
subindo para a nascente

Desejo outra língua de onde desejar-Te
com o abismo na boca

de onde renascer
pela água e pelo fogo

sobre a página branca
da pele

aí respira a alma
do Possível

aí uma língua
entre as línguas
faz Sol

Absoluto

Friday, April 25, 2008

A-Dieu as a Song to MySelf


there is a missing forest in my blind anxiety
where I left my bare feet and my sandals
yesterday
(no more nascent fragments of burned skin
between us?)

the loss of my tongue promises wild things
maybe
(no more expansion of litteral miscaptures
between us?)

my night errancy launches a silent war against the sun
flesh of my flesh
with bloodshed
(please no more 'Kiss-moi' songs in here!
cries a distancing chorus of monstruous fears)

strange gusts of light particles between us
disbelieve my most intimate theories on Darkness
at midnight

(who is selving through such a reversed Spring?
whose song is This? whose body is This?
am I a poem To-You, One, None?
am I poesis on disflow?)

Revolution


Every morning of mine should be a miracle of non-repetition with perspiring drums and naked dancers on the streets. For every night I long for the Rising Sun of my vital revolution, for My hands burning on drums. And every soul is The-Beginning-At-Work. Hence where there is no infinity, there can be no soul, only ashes.

Inventiva madrugada da revolucao,
Abril, metafora do tempo novo, do vinho novo, da seara nova, Mulher,
sentir que ainda nao cumpriste toda a tua promessa de sol
significa amar-te Mais, beijar-te Melhor,
mais longamente, mais profundamente
do que respirar.

Thursday, April 10, 2008

Force de frappe


Ce qui tue sans blesser, c'est l'amour.

Ne pas soigner ses plaies
ou vagabonder sans but
ou danser sous la tempête
(entre autres),
c'est ce que j'appelle T'Aimer.

Nude with a guitar


And the Spring is also a vast tragedy.
Flowers come anonymously from Silence.

And nudes with guitars cannot live happily forever
within these or other possible verses

(...)


Cada modo de silenciar tem seu modo de pulsar.
Assim, minha alma implode invisivelmente. Percute um ritmo novo, entre a queda e o voo.

De onde vem este sentimento de travessia de deserto?
De onde? Da secura na pele ou da areia na boca?
Do torpor de amar-me ou da fractura de desejar-Te?

Eu sou o meu derradeiro e mais intenso terror nocturno.

Descompreendo-me diariamente em lentos comboios subterrâneos:
eu-o-embarcado-no-infinito-de-Um-Adeus, infinito continuum de naufragar, plano inclinado dos amores abissais que fazem e desfazem o mundo.

Dizer-me Adeus oferece-me a paz de um pranto de viagem que promete o corpo exausto e nada mais (ou um tudo de nada mais, literalmente absurdo).

Farei do meu corpo e de tudo o que chamo 'eu' uma longa travessia pela perda de todos os nomes. Se puder resistir-me, fingirei crer ainda em caminhos e fontes, mas simultaneamente incendiarei o meu sentido do norte e do sul com Nada, e beijarei o meu sentido da sede com Nada.
Farei finalmente um alfabeto de gestos e, se houver nessa linguagem um gesto que salva, sei que, embarcado no infinito, tarde ou cedo, serei salvo sem saber, sem buscar.
O-gesto-que-salva... sera' pleno dom (ou nada). Vindo de onde nada vem.
Entretanto, a linguagem prossegue meu mutismo confuso, minha ferida-que-nao-sara.
E escreverei - seguindo o pulsar do meu corpo obscuro - para evitar a possibilidade e a certeza do Pior. Cada modo de escrever abre um modo de silenciar. Aqui, tudo pulsa com os mesmos tambores - obras de pele e de vento e de choque.

Monday, March 31, 2008

... ?


et tout d'abord l'interrogation

la gratitude d'interroger et d'interrompre pour mieux respirer

avant d'embarquer on boit l'inconnu dans les marges des cartes

l'Ame des matelots et le bois des bateaux deviennent interrogatifs
substantiellement interrogatifs
et puis les courants maritimes les oiseaux migratoires
enfin les amours d'outre-mer

pourquoi encore ce silence


et ce silence cyclique arrache tous les paysages de ma peau

si jamais je survis ce passage de feu
je veux pouvoir rien n'oublier et faire de chacun de tes silences une cicatrice sur mon visage jusqu'a l'irreconnaissable
les monstres que je serai m'apprendront l'art du changement et de la derive 'a double tranchant
Sophia sait que l'Impossible aime boire l'acide toujours nouveau de mon angoisse chaque matin Sophia sait aussi que les quais m'appellent 'a une nudite pleine et permanente que personne ne voudra approcher
je medite l'idee de m'eteindre au soleil tout nu au bord d'une mer

si jamais je survis cette tendresse de couteaux
j'espere m'egarer definitivement dans les cotes nocturnes des chants

Regressar à espuma oceânica