Wednesday, September 13, 2023

Becoming homo fabulans: plunging into wild waves of signs


 

On becoming homo fabulans: on the efficacy of narrative imagination

On becoming homo fabulans, that is to say, on wounds becoming scars… 

The scar appears not when bleeding is absolutely dried, but rather when bleeding is converted into metamorphic matter, the matter worked through by productive imaginings, innovative connections and motions between images, making them approach a new body of language…

This is my comment, still bleeding, on the distinction of wound and scar 


1. Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me: things past.

(yet past right here right now).

Is it my mother or my father? Is it one, none, you, me, it? I become it. And the depth of it surfaces and resurfaces. Time-space and all cursive realities are stuck, summing up, fulfilling abnormal geometry. I did nothing. It just happened to me. Or else my deeds were not-me, not-actings of mine, but passions injected by extreme powers, striking from unknown. Deeds merge with events, powers from outside, disjointing, dismembering, disarticulating the body of capable beginnings. Me is thus magnitude of sufferings, no longer home of origin. Estrangement and alteration happen to me, abound in me, rule over me, without a proper line interweaving a sense of beginning and a sense of ending, and a sense of flowing in between. Estrangement and alteration because there is no shared sense of navigation, no common sea, whose tempests would be nothing but life-expanding, life-nourishing, peripateia to be named and storied, and eventually celebrated with all, brothers, and demonstrated to all, brothers, and reenacted with dance, all night long, as in the Origin.


2. Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me: It.

No name names thee. It. It blows up. It happens. It encompasses all there is. The time-space and all cursive realities stop and become heavier. It is full of it. Violence of not-me—on, against, through, me. Flesh surrenders and opens up. It bleeds, without flowing. It is stuck: there is a blockade in the threshold: liminal hotspot. I am the closure where it repeats itself, reinforcing its law of intensity, its empire of intensity in myself—on me, against me, through me.


3. Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me: It.

This suffering is without Origin, sheer power of anarchy. The organizing force of my aboriginal place and aboriginal cycles vanishes; other gravity, unknown to me, operates. On, against, through me. It makes unreason, non-sense: the voice and the body implode, ground down. They plunge into muteness and paralysis. Or else they explode like unbounded, raw, high-pitch, vowels, too far away from language, sheer yelling, without Origin. Both muteness and yelling signify my dismemberment and my bodily self-deixis without signs. For articulacy requires the most impossible labor, a body capable of being held and gathered. 


4. Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me, biting too much.

5.      Trauma: open wound: torn flesh: the soft tissue between my skin’s surface and my bones, the unified flesh, is torn, deeply, by an intensive magnitude that disrupts the very system of sensibility and sense. It is too much, a critical upper threshold of affective capacity is crossed and at once the boundaries of intelligibility are traversed as well. No sense makes text, nor fluxion, home of nexus. The texture is broken, dismembered. It blows up: discrete qualia and discrete forces, strokes or blasts, within without, yet unknown to me.

Are these ciphers? Are these scriptures? Are these language events? Or else the vehement material embeddedness of my suffering myself? Or trembling fingers approaching and avoiding the open wound? Or silence, within without?

 

6.      Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me: It.

My body does not forget the frozen gestures and postures. My apraxic body can be saved only through touching, as if something in me and not-me were writing on the flesh … and reading on the flesh putting their fingers on scars that re-open and re-close always otherwise, meaning other than being, meaning possible worlds, re-membering the dismembered body of mine. This is too much: the labor of blind people, writing and reading with their fingers … acts of imagining otherwise than being… through extreme joint ventures: we are the nexus of possible Alphabet, yet unknown, within without absolutes. We work together this matter, we—sympraxis, we suffer together, we—sympathos, till the recognition of our uneasy flesh with fever of remembrance and blood so warm on the face, like flashes of absolute light, within without, We—anagnorises, through catastrophes of unlearning my river, till the climax of blindness…


7.      Trauma: open wound: torn flesh: something in me not me: It dances more than gods and their nudity. The mythos produces what it signifies, within without, we—sympoiesis: the alphabet opens my possible flames. It carries the joyful rite of imagining possible gestures, my selves, and their iteration with you: gestures that gather themselves together, gestures that hold and caress and sustain my sufferings with you, my doings with you. The Origin gravitates around the gesture where my body becomes capable of dancing.

 

Post-Scriptum: Be hospitable to bleeding wounds and welcome scars. For they can be angels in disguise. Angels speaking over torn flesh, moving towards language, almost capable of being a dancing body, together.

Tuesday, September 12, 2023

Novissimae Questiones


 If I died here and now
which plant and animal would grow
from my humus?


(I imagine different possible infinities
a secret desire persists: more life and more signs of life
a secret intimation insists: more love for this humus of infinities)

Thursday, August 24, 2023

ainda inquietude


 Enquanto anoitece o sol mergulha mais fundo entrando nos canais e nas veias e nos quartos e nas páginas mais íntimas, por exemplo na evidência do vazio vibrante onde respiramos boca-a-boca inflamáveis

Os canais e as veias onde navegamos enquanto obscurece suspendem o Oriente da Paz geram outros líquidos vivos outros textos líquidos e bebemos e confiamos e esperamos porque desejamos sem perguntar mais porquê 

Enquanto anoitece o sol escorre mais longe espalhando o húmus das páginas mais íntimas pelas areias mais ardentes

Hoje somos a estação de maior sol soprando o Amor do Perigo o Amor capaz das infinitações incríveis

Desejo mais vento quente amanhã desejo mais pólen quente amanhã desejo mais solar paisagem no sangue das dúvidas no eco do sangue 

A atmosfera queima os pulmões abertos entre várias luas cheias onde face-a-face tocamos em memória advindo     

Wednesday, August 23, 2023

inquietude - uma Palavra sem data


amo-te mais do que a vida  inquietamente mais do que a vida mais inquieta

mais do que inquietamente  mesmo quando tudo adormece nas águas calmas da noite-meia-noite


escrevo a inquietude de verdade creio neste Livro que flui olhos-nos-olhos para o Sol

absolutamente creio ignorando escrevo ignorando desejo ignorando a data futura 

a hora futura de nascimento desta Palavra gerando este corpo onde inquietamente 

a primeira mão toca no polo sul da lua  

Monday, March 13, 2023

Onde vais, voz da Narradora?



O mundo acontece no coração-músculo do rio. 

Ouvi meio segredo sobre os projetos de vida de uma adolescente muito promissora para as Artes do Apocalipse... Ouvi outro meio segredo sobre uma guerra entre irmãos por causa de uma terra queimada em tempos de embriaguez... 

Frações de segredos em viagem acontecem no coração-músculo do rio. 

 A voz da Narradora tinha ondulação impossível de navegar: como se cada frase fosse uma queimadura de metáfora ou uma tatuagem com o nome de um mito futuro. Qual a passagem entre as metáforas que ardem e as histórias que acalmam? A voz da Narradora?

Wednesday, October 5, 2022

Ou através-mar ou através-deserto


 Atravessar o mar ou atravessar o deserto 
pode ser o Perdão-Infinito-entre-nós 
a Coragem-do-Dom que liberta de todas as dúvidas e medos

Portanto, o Princípio-da-História

Tuesday, October 4, 2022

Desejo das Ilhas: Desejo-de-ir


 Na génese do mundo
como na génese do amor
o Desejo eleva ilhas no espaço 
ilhas ou arritmias no coração caindo para cima
a Distância mais-Alta-e-mais-Funda
onde os sinais confundem todos os sentidos
vastidão das primeiras respirações líquidas
...

O Espaço germinando no Princípio-do-Mundo
como no Princípio-do-Amor
reúne o Infinito e a Diferença
no mesmo corpo
meio-aflição  meio-êxtase
Desejo-de-ir
Desejo-de-mergulhar
na mesma Exclamação
Verdade nas correntes de sinais
confundindo Tudo
no silêncio
boca-a-boca

No Desejo das Ilhas
nascem os Arquipélagos
e os arcos de ânsias
e o tremor do pulmão no vento mais livre
e o corpo da Mulher nadadora na vertigem mais penetrante 

Desejando-ir-e-ser a passagem do Mar Absoluto na língua
pedindo sempre no limite da força vital
a tua língua na minha língua

O Desejo-de-ir demonstra atmosferas
explicando quanto Deus oscila no seu Projeto Original
ligando a cor do sangue e a cor do céu
boca-a-boca
...






Wednesday, September 7, 2022

Corpo-Oceano


Imagino-Te sempre no Infinito Interior
uma Noite-de-Liberdade advindo inteira cada noite
oscilamos no Vazio-portador-do-coração

Imagino-Te sempre na Passagem Radical
uma Noite-de-Criação chamando a Primeira Energia
oscilamos no Vazio-gerador-da-emergência
    
cada noite é uma abertura do Vazio-de-Poiesis 
chamando a inquietação Além-Deus
o transbordo de ferir e a transvia de curar
oscilamos nas mãos do vento desde a primeira respiração 

 
nosso Corpo-Oceano inventa o Vazio-da-Origem

Tuesday, August 16, 2022

Tudo, Nada, Algo


 O poder de aniquilar e o poder de recriar:
o pulso novo da areia viva,   
a Era do Oceano.

Sunday, August 14, 2022

Sinais de passagem


 Os pés no chão, na areia húmida marítima, são uma possível prova do Mistério da Passagem.
A matéria do corpo encontra a matéria do mundo e acontecem Sinais da Aventura que dura um instante durante a passagem e depois do fim. Entre o fim da aventura e o fim do Sinal é onde a Sabedoria procura compreender-se. Porquê permanecer sensível o Sinal? Que significamos?

Na areia da praia, permanecem os sete dias da Génese na duração dos sinais, entre duas ondas. A primeira manhã do princípio regressa sempre na onda seguinte. Porém, no infinito da ondulação, o corpo da praia e do mundo é uma infinita metamorfose, ligada às forças de Tudo, desde o núcleo da Terra e da Lua, até à radiação do Sol mais futuro... Somente o vínculo de tudo com tudo explica este primeiro Poema de Amor, primeiros grãos de areia nos lábios, procurando ar para começar a respiração e seus incêndios.
     
A matéria dos Sinais de passagem é a pele sensível do Infinito tão vulnerável, tão carente, tão vibrante no regresso à Fonte e à Espiral expansiva da Fonte. O Infinito renova toda a Poesia entre duas ondas. Talvez exista uma memória subtil, na essência da areia e do mar, que protege e interpreta todos os sinais húmidos que se apagam sempre jovens na onda, sempre jovens nos lábios.
 
Vulcões oceânicos fazem falésias de rocha, falésias que fazem grãos de areia, grãos que fazem Poema-no-peito, Poema sempre na infância do próprio Mistério, na infância da própria Mãe, a Génese livre dos Sinais nos lábios, procurando o espaço corpo-a-corpo, procurando o ar boca-a-boca, procurando a respiração e seus incêndios, entre o Perigo de duas ondas, a Revolução de duas ondas, o Infinito sob o Impulso...  

Entre duas ondas, a infância da Matriz prossegue a criação de energia onde a nudez dos pés passa e significa mais do que passar, pertencer à ondulação e à metamorfose de Poesia e a metamorfose de todas as forças na história do verbo Amo-Te, o verbo da História de Poesiar Infinito.
 
A história do Amor dura neste instante, nos Sinais de passagem e nos Sinais de criação: os mesmos Sinais-de-Desejo, perdurando na profundidade deste instante.
 
As pegadas nuas duram os sete dias da Génese, sete segundos, uma respiração pacífica, entre duas ondas. Depois, a unidade entre a Matriz livre e a Infância infinita encontra o canto original.

Os Sinais aprendem a sintaxe dos movimentos expectantes, desejantes, originantes. Imperfeita sintaxe do verbo Amo-Te, imperfeito abraço na história, os sinais sofrem as tensões das forças que atraem à distância. Tanta força circula nas veias dos Sinais, tanta força de destruição e de recriação, necessitando sentido, navegando através das espadas indefinidas, gritando liberdade ou loucura, tudo ou nada, no quadrado da distância e no inverso do quadrado da distância.

Sinais-de-Desejo desordenam a linha do Horizonte.
Um grito oscila: grito de paz e grito de guerra, sob impulso de Conceber-e-Construir.
  
No horizonte dos arquitetos e dos construtores, ocultam-se sempre medos de abandono, dentro do medo infantil do escuro, não obstante a Claridade da Sabedoria ao meio-dia. 
Os Sinais estremecem: é o outro medo inesperado de partir sem chegar à Poesia materna, medo do Fim crescente, acelerando no vácuo, acelerando nos planos inclinados de ser-e-não-ser, devir, entre duas ondas maiores do que meus olhos, acelerando no quadrado elíptico da distância e no trapézio inverso do coração e no losango em espiral das outras forças... 
Os Sinais partem e desejam partir na confusão da alegria originante. Assim,  as pegadas da história do Amor mostram, falam, desenham, escrevem, significam a passagem singular pela substância mais futura do Sol.
A alegria alcança o Sol futuro (ainda, contudo, no medo do escuro): Contacto evidente entre o Infinito e o Mundo.
Sinais-de-Desejo desordenam as linhas no Poema-do-peito.

Todas as infâncias partem para vencer o medo de partir e de perder. Depois do perigo da partida, começa o perigo do regresso. O lar é a Desordem-da-Terra, sob impulso de recriação constante. O lar é nas ilhas vulcânicas - horizontes anteriores à memória da partida. A alegria projeta a velocidade da passagem entre duas ondas, dois códigos, uma sintaxe de Verdade, um tacto transformante...

Os sinais da passagem oferecem o corpo ao mundo para a ficção de Poesia, infinitação sensível da Génese. 
Cada sinal no espaço desenha a a passagem do Infinito aqui, no sangue da paixão da Claridade e da Obscuridade. Fazemos sinais contínuos, entre duas ondas. Prometemos sinais novos, para além-Deus. 

O corpo toca na ondulação de Poesia, através gerações de silêncios encantados sobre a pele amada que aquece na fricção da pele amante. Inventamos códigos para além de terra, água, fogo, ar... inventamos os deuses criadores e a matemática da Criação e a música radical da paixão, onde a angústia-de-Indefinido dança nuamente com a Vertigem-de-nascer
 
 Entre duas ondas, os sinais da passagem significam o trapézio de Poesia... Tu nasces sempre, Tu morres nunca. Tu assinalas mais-do-que-imaginas. Tu podes mais-do-que-concebes. Tu realizas mais-do-que-prometes ou projetas.

Profundidade de durar na história do Amor: 
Para além de terra, água, fogo, ar, vibramos claramente na Meia-noite mais densa. 
Fazemos sinal com fome e sede e todas as carências transformadoras: corpo inteiro significa aproximação-de-Princípio, alguém-encontra-alguém mais dentro do que dentro. Possibilidade neste mundo: Alguém-toca-Infinito, aqui, em movimento.

Friday, August 12, 2022

Becoming water


 

God and Life Becoming One

Eros Becoming Kosmos


so vast and silent 

in my tongue

Love is becoming water 


(and Thirst so alive and whole

is the Mystery of Becoming fluidly Capable of Love

and thirsty Body so mine and thine

is one immense Tension

fullness of wings Becoming wind)

Regressar à espuma oceânica