Friday, June 13, 2025

the just furies of needless words


my needless words may be urgent 
more urgent than your blood in me
against confusion, madness, loss 


the excess of needless words may save the eternal life 
of our infinite entangled bodies  

(PS: Fill your text with the flesh of needless words. The meaning will decide how 
to respond to excess and eternity at every instant)

Droites parallèles et l'Idée d'Infini-en-Nous


 les droites parallèles comme les vies parallèles ne se coupent jamais, ne se touchent jamais, ne se partagent jamais aucun corps commun, ne serait-ce qu'un seul instant

notre amour aussi s'écoule sur des fleuves parallèles dessinant l'angoisse des droites parallèles : un intervale se pose toujours contre la rencontre
(cette angoisse des fleuves parallèles vient des sources souterraines)


chaque évidence corporelle de désir démontre le monstre des droites parallèles
alors j'espère que l'Idée d'Infini-en-Nous démontre le possible nécessaire : toutes les vies parallèles fusionnent à l'Infini dans un seul corps commun que j'appelle 
Origine


(mais au milieu des silences parallèles chaque amour ressemble aux vecteurs perdus peut-être depuis le commencement, perdus peut-être dans l'indéfini des sens qui ne se coupent jamais, ne se touchent jamais, ne se partagent jamais aucun instant de chair commune, aucun point-force-source que j'appelle et rappelle 
Origine)

(au milieu des silences parallèles l'ignorance des sens a besoin d'un Absolu perdu, une Idée motrice d'espérance : l'Infini-en-Nous qui oeuvre sous les eaux courantes des vies parallèles vers l'Origine de la soif commune que j'appelle et rappelle sans nom propre : le point et l'instant de se toucher : 
l'Origine de l'Origine)

(un doute tourmente toujours la méditation des droites parallèles : est-ce notre amour condamné à la folie des vecteurs parallèles qui ne se rencontrent jamais ? ou bien est-ce la folie complète, la folie ell-même, l'espoir de fusion dans l'Idée d'Infini-en-Nous ? 
qu'est-ce qui peut survenir à l'infini : l'Alpha d'Éros où toutes les droites parallèles plongent dans l'Origine ? 
ou bien l'expansion infinie de la Solitude vers Omega ?)   

(la mise en question persiste en moi pour moi contre moi
comme si la Sophia d'Éros souffrait toujours d'un doute humide en moi, un doute capable de conduire ma respiration, ma force, moi contre moi, encore 
plus qu'inquiète, plus qu'égarée)
 
ma bouche respire ma langue tremble : je cherche la parole qui sauve 
la Sophia d'Éros en moi pour moi contre moi
je te cherche et je ne te trouve pas
ou pas encore
 et je n'atteins rien qui puisse calmer 
ma bouche, l'inquiète
ma respiration, l'égarée

Saturday, May 31, 2025

Perder Método e ganhar Kosmos


 Perdi o caminho. Perdi a bússola. Perdi o mapa. 
(Confesso: Que alegria de perder! Que alegria de Libertação! Pode começar o tempo: alegria dentro do corpo dentro da vida dentro da história!)

Agora, pode começar: a hora madura será o caminho, a liberdade madura será a bússola, a imaginação madura será o mapa.  

Sunday, May 25, 2025

chamo-me aqui agora sem-nome


 ter um nome é também ter o Desejo da Mãe como destino e mapa-mundo

aqui agora não ouço esse Desejo no corpo e começo no meio da viagem a chamar-me sem-nome

Florestas nos caminhos


 As florestas crescem no meio dos meus caminhos. Assim, aprendo a tocar no sol através da sombra verde e a perder-me com forças verticais desde a raíz húmida até ao indefinido dos ventos livres acima, muito acima, da minha ideia de metamorfose que converte vapor de medo em pássaros de coragem 

Monday, May 12, 2025

Desejar = Imaginar = Mover o Espaço


Sempre que desejo, imagino. Enquanto desejo, imagino. Porque desejo, imagino.
Desejo sempre o imaginável. Imagino sempre o desejável.
 
Cada desejo, enquanto perdura, faz existir a imaginação: produz as imagens que animam uma vida em movimento desejante, inteiramente esperança de aventura: porque desejar é imaginar a aproximação do futuro 

Cada vida desejante imagina no céu a sua Via Láctea guiando o tempo para a vinda tão esperada, tão amada, tão pressentida, que já vive e já move e já cria todo o espaço

As imagens das vidas desejantes sonhadoras são concepções ou compreensões: cada sonho tem o código e a inteligência do código dos caminhos futuros: o tempo inteiro abrindo o espaço enquanto o sonho concebe e compreende e pressente

Cada sonho explica o cosmos das vidas sonhadoras, declarando amor no movimento, redação sobre a pele do céu, como se, por acaso, a imagem do céu fosse a imagem dos corpos amados que querem ocupar sempre o mesmo espaço e mover sempre o mesmo círculo

Por acaso significa talvez por necessidade: a ignorância que surpreende a vida que ignora as suas moções mais primordiais, desde antes de conceber-se como algo-alguém na geometria quente dos animais em movimento neste mundo 

Por acaso, num sonho, o desejo de um fruto começou a escavar um poço para regar as árvores do jardim. Quando o desejo tocou na dureza do desconhecido e desesperou do futuro da água nascente, a temível rocha do fundo da escavação não era o fim das forças e o deserto futuro vindo de dentro, mas a surpresa de um tesouro que esperava sob muita terra dura algo-alguém em movimento pela força escavadora do desejo

Por vezes, escavar um poço num pomar em perigo de vida e morte é como conceber um caminho redigido na pele do céu

 

Friday, May 2, 2025

multidão de poetas despindo mulheres


Eva sobe às árvores no Jardim, Vénus sobe das águas no Oceano
infinita ascensão da Sororidade no Segredo
Eva conhece os ninhos de serpentes, Vénus os sais de espumas
 
em todos os museus do mundo, muitas mulheres nuas, muitas irmãs Evas, muitas irmãs Vénus, 
dobram-se no granito e no mármore, saindo das ondulações de árvores e de águas, procurando inquietas um instante de paz e de sigilo: como se pudessem um instante desejar ser deusas

nas suas insónias de adoração e de imaginação, uma multidão de homens esculpe mulheres nuas, pinta mulheres nuas, escreve mulheres nuas... depois, condenadas à exposição eterna até que se extinga a matéria finita da escultura, da pintura, da escritura.

a multidão de homens, que despe as mulheres, sofre de carência e de abundância, oscilando muito perigosamente entre êxtase e angústia

essa multidão de homens imagina e enlouquece imaginando:
como se pudessem um instante desejar o ser de deusas
como se pudessem criar a Forma do Absoluto com matéria
enquanto as mãos transpiram.
São os piratas embriagados de Poiesis.

no apogeu do seu álcool, os poetas das mulheres nuas imaginam a sua verdade na sua loucura: a incapacidade de não-imaginar enquanto remam no fundo das naves de Desejar.
os poetas das mulheres nuas interpretam o seu hálito alcoólico: somos animais mais inclinados por Desejo do que Amor, mais febris de voracidade do que dom-de-vida 

os poetas inventam sinais, esculpindo, desenhando, escrevendo a nudez das mulheres à luz da Ideia-emoção da pele nua do corpo integral de mulheres, mais ou menos divinas e concretamente carnais, mais ou menos próximas e abstratamente intocáveis   
 
em todos os museus do mundo, a multidão antiga dos poetas das mulheres nuas excita outra multidão de homens que irrompe no chão e no teto, atravessa as paredes, armados com a fúria de devorar o granito e o mármore e toda a carne humana dos incêndios. 
Estes homens sentem a vertigem dos primeiros poetas, devoradores de carne humana, e surpreendem-se obsessivos-compulsivos numa aceleração sem consciência do seu sem-princípio e do seu sem-fim
um segredo interroga uma dúvida: Porquê despir e expor sempre mais as mulheres dentro de nós?
 Estamos no caminho pedagógico do Desejo 
em metamorfose amorosa? ou erramos numa solidão imaginante, 
incapaz de fazer caminho, encontrar caminho, seguir caminho? 

muitas Vénus se perdem e se esgotam e se afogam durante o banho enquanto fogem das margens onde os poetas predadores vigiam, gritantes e desesperantes
Poiesis persiste através de poemas insolúveis
os poetas criam a urgência e sofrem a urgência 
de fazer sinais, consumir sinais

muito futuramente, imaginamos Poiesis atingindo o Poema-Planalto onde-por-onde
o Desejo entra na órbita dos sinais do Amor  

o Amor é uma Abstração do jardim que oferece a hora vazia e o lugar vazio: um templo mais sagrado do que viver e morrer
o Amor é a Construção do jardim: um templo de corpos humanos em paz, o refúgio que protege o invisível e o véu que protege o intangível

Vénus desenha um triângulo e um círculo no seu diário, dentro do seu silêncio próprio de dobrar e desdobrar o tempo mais interior do que respirar

o Amor liberta a harpa gratuita, dentro do silêncio: um segredo absoluto floresce:
o quarto próprio e a túnica própria   

Wednesday, April 9, 2025

the tincture of heavenly journeys: beyond and above seagulls


 infinite cycles by the rivers flowing through desire
To desire is to imagine the warmth of the ultimate sun 
within my trembling flesh
flesh overflowing with quandaries

To desire is to imagine naked seagulls by the rivers
where no one can bath more than once
for bathing is the supreme alteration: other languages, other tongues, other maternity
within my trembling flesh
flesh overflowing with histories
other rivers, other bathers 
fully alteration of futures falling into the stream
the truth opening the breast 
golden sand boiling under water

my resting hour touching the truth
the riverbeds
deep fibers of wings  
 
infinite lines altering the infinity of the arcs
arrivals and departures

Monday, April 7, 2025

Plantar no sol


 vou plantar o coração no sol
durante a vigília noturna
no segredo da Profundidade

Eros opens doors and windows

 Eros is coming. The Time approaches. Psyche senses the Event. The windows and doors of Psyche will be infinitely Open... The instant of hom...