Saturday, July 12, 2025

Imaginação metafísica ambivalente


 Minha imaginação está tatuada com uma seta de fogo que deseja ser feliz. 
Minha imaginação sente a aurora limpa dos trópicos 
transbordando de mar e de pássaros quando pensa: 
Tudo vem de Infinito e tudo vai para Infinito. O Infinito envolve todo o finito. O nome do Infinito é Amor e a matéria-prima e a força íntima de tudo é o Infinito, Amor. Um fogo suave arde nas veias e nos sentidos inteiros: o Infinito é a Beleza Absoluta do Bem. Estou apaixonada pelo real e pelo possível e por toda a Vida e por tudo vive e por tudo o que há. Amo tudo inteiramente. 

Minha imaginação repousa na Ideia-de-Infinito.


No entanto, uma crueldade grita no espaço-tempo desde a primeira explosão de Algo, desde o primeiro surgimento e primeiro prosseguimento de Mundo: desde Algo-em-vez-de-Nada. 

Toda a matéria sofre. Toda a vida sofre. Toda a consciência sofre. 

A minha imaginação resiste, até às lágrimas e ao sangue, contra a ideia-de-Dor crucificando a ideia-de-Infinito. 

Infinitamente dolorosa é minha pacífica vida enquanto contemplo a ideia-de-Dor crucificando a ideia-de-Infinito: contemplo as catástrofes (o caos de fogo-terra-ar-água torturando o corpo deste mundo e seus passageiros), contemplo os predadores (a fome dos animais circulando devoradora e todos os devoradores terminam devorados), contemplo a história humana, uma única guerra indomável com infinitos guerreiros jovens com infinito entusiasmo jovem, sempre ancestral e sempre renovado, com infinita paixão jovem de matar e morrer...

Faz sentido imaginar um Génio Maligno Omnipotente jogando toda a inteligência na invenção dos infinitos ângulos da ideia-de-Dor... desejando, fruindo, inventando novos ódios, inventando novas armas, inventando novas sensações dolorosas, novas intrigas para as personagens futuras, novas psicologias mais capazes de desejar, fruir, inventar o êxtase de sofrer, fazer-sofrer, multiplicar-fazer-sofrer... sorrindo, rindo, gargalhando voluptuosamente... a luxúria de criar sentidos dolorosos transbordando de sangue e de músculos rasgados...

Faz sentido imaginar o Universo ou a Realidade como uma neoplasia selvagem no cérebro do Infinito eternamente moribundo... a matéria infinitamente dolorosa de tudo seria somente a infinita patologia de Haver... o mundo seria uma doença, uma infeção, uma inflamação, uma febre, um vómito, um excremento, uma carne podre em decomposição (absolutamente evidente, julgando pelo fedor que tantas vezes flutua nos vapores vulcânicos e nas respirações inter-humanas)

Minha imaginação treme na ideia-de-Dor dentro de Infinito    


(Se queres ser feliz, conduz a imaginação pelo bom Infinito)     

Monday, July 7, 2025

Quem toca o abismo...


 Quem toca o abismo, sente a febre da Alteração

(Cada instante abissal 
cada tacto cada visão cada sentido de abismo 
pele-na-pele   olhos-nos-olhos 
totalmente cegos de Enorme
faz regressar a Febre Absoluta
a Febre de Deus durante o êxtase de Criar
durante o instante infinito da Criação
ainda perdurante aqui
no sentido de abismo
pele-na-pele   olhos-nos-olhos
transcendentalmente cegos)

(Hesito sempre entre dizer "quem vê o abismo, sente a febre" e "quem toca o abismo, sente a febre", mas o abismo pertence às perturbações psicossomáticas sistémicas cujo sintoma é uma febre divina de criar e permanecer na duração: instante de Criação)

(Hesito também entre crer "o abismo vê quem sente a febre divina na pele em chamas" e "quem sente a febre divina, sente o Abismo na pele inteira em chamas". Sinto mais verdade na ideia da espontaneidade táctil de Abismo: é o abismo que vê e toca e altera quem se aproxima do limiar...) 

Friday, July 4, 2025

Cada dia a vida inteira


 cada dia pode ser uma vida inteira

desejo para cada dia 
a criação da Beleza da vida inteira

amo cada dia como se cada dia fosse o arco inteiro da vida
como se um mundo todo começasse e terminasse 
pleno de sentido nas minhas mãos vazias
fazendo Poesia de Sofia e Amor de Sofia 
durante uma rotação completa 
tão aberta e tão definida na exatidão 
do seu princípio e fim

Cada dia termina ainda na minha infância:
quando chega a última hora ainda estava no princípio
aprendendo como fazer o primeiro gesto ainda
sempre primeiro gesto ainda de Sofia:
Ars longa vita brevis

amo cada dia com angústia e êxtase
nascendo dentro da viagem nascendo aventura
sensação de viagem nascendo tempo 
minha passagem pela imperfeição corporal 

cada dia é uma aventura inteira criando um mundo Possível
entrando na matéria luminosa entrando na matéria obscura
entrando um instante inteiro uma vida inteira
um círculo breve abrindo espiral longa: Amor de Poesia 
Desordem de Sofia no Amor de Poesia 
Aventura de Amor na Poesia de Sofia
até ao Absoluto Sol 
Sol de Sofia e Sol de Nudez mais 
muito mais inteira do que eu e minha vida 

Thursday, July 3, 2025

Jeden Moment kann ein Blitz einschlagen


 ich sehne mich danach, dass

ich sehne mich danach, dass

ich sehne mich danach, dass

Friday, June 20, 2025

novidade: fulguração permanente


 a alma da vida é a Novidade
mistério de invenção

a fulguração permanente 
da Novidade

a ondulação imprevisível 
da Novidade

Curso de Anatomia e Fisiologia


 Por amor e por medo, estudo obsessivamente
Anatomia e Fisiologia dos corpos futuros

(futuros humanos e inumanos gerando corpos 
pelos quais estremeço de amor e de medo)

(o mais terrível dos corpos-vetores com forças do futuro
ondas gravitacionais oscilando na imaginação) 

Wednesday, June 18, 2025

Love is the wildest freedom


 freedom is love and love is freedom - the wildest Absolute Freedom

if I love and live from love, I am the most spontaneous Beginning: true freedom

(Infinity agrees with the fusion of Love and Freedom:
it's written everywhere "Love liberates" and "Freedom loves"!)

(Ama, et fac quod vis!
Dilige, et quod vis fac!)   

Tuesday, June 17, 2025

Nunca no Princípio


 Nunca começar no Princípio!

Warum erst jetzt? Why only now?


 there is no Method for me to decide 
the hours of Silence and the Instant of Word

I fear Silence and Word: Yes, I am contradicting myself against myself. No, I am not contradicting myself against myself. the forests are still waiting for the birds.
 

Why only now? I am traveling with all my naked powers. I carry all my naked chests full of naked wings

Friday, June 13, 2025

the just furies of needless words


my needless words may be urgent 
more urgent than your blood in me
against confusion, madness, loss 


the excess of needless words may save the eternal life 
of our infinite entangled bodies  

(PS: Fill your text with the flesh of needless words. The meaning will decide how 
to respond to excess and eternity at every instant)

Droites parallèles et l'Idée d'Infini-en-Nous


 les droites parallèles comme les vies parallèles ne se coupent jamais, ne se touchent jamais, ne se partagent jamais aucun corps commun, ne serait-ce qu'un seul instant

notre amour aussi s'écoule sur des fleuves parallèles dessinant l'angoisse des droites parallèles : un intervale se pose toujours contre la rencontre
(cette angoisse des fleuves parallèles vient des sources souterraines)


chaque évidence corporelle de désir démontre le monstre des droites parallèles
alors j'espère que l'Idée d'Infini-en-Nous démontre le possible nécessaire : toutes les vies parallèles fusionnent à l'Infini dans un seul corps commun que j'appelle 
Origine


(mais au milieu des silences parallèles chaque amour ressemble aux vecteurs perdus peut-être depuis le commencement, perdus peut-être dans l'indéfini des sens qui ne se coupent jamais, ne se touchent jamais, ne se partagent jamais aucun instant de chair commune, aucun point-force-source que j'appelle et rappelle 
Origine)

(au milieu des silences parallèles l'ignorance des sens a besoin d'un Absolu perdu, une Idée motrice d'espérance : l'Infini-en-Nous qui oeuvre sous les eaux courantes des vies parallèles vers l'Origine de la soif commune que j'appelle et rappelle sans nom propre : le point et l'instant de se toucher : 
l'Origine de l'Origine)

(un doute tourmente toujours la méditation des droites parallèles : est-ce notre amour condamné à la folie des vecteurs parallèles qui ne se rencontrent jamais ? ou bien est-ce la folie complète, la folie ell-même, l'espoir de fusion dans l'Idée d'Infini-en-Nous ? 
qu'est-ce qui peut survenir à l'infini : l'Alpha d'Éros où toutes les droites parallèles plongent dans l'Origine ? 
ou bien l'expansion infinie de la Solitude vers Omega ?)   

(la mise en question persiste en moi pour moi contre moi
comme si la Sophia d'Éros souffrait toujours d'un doute humide en moi, un doute capable de conduire ma respiration, ma force, moi contre moi, encore 
plus qu'inquiète, plus qu'égarée)
 
ma bouche respire ma langue tremble : je cherche la parole qui sauve 
la Sophia d'Éros en moi pour moi contre moi
je te cherche et je ne te trouve pas
ou pas encore
 et je n'atteins rien qui puisse calmer 
ma bouche, l'inquiète
ma respiration, l'égarée

Regressar à espuma oceânica