Thursday, September 4, 2025

Eros, the Melancholic and the Tropical


Whenever melancholy 

threatens your atmosphere, 

evade yourself 

and dream of the tropics.


Whenever your mathematical imagination 

hallucinates infinity, 

evade again yourself

and delve into the tropics


Wenn Melancholie deine Atmosphäre bedroht, entkomme dir selbst und träume von den Tropen.

Wenn deine mathematische Vorstellungskraft Unendlichkeit halluziniert, entkomme dir selbst erneut und tauche ein in die Tropen.

Wednesday, September 3, 2025

Eros, o Navegante-Salvador e o Navegante-Náufrago


 No porto de refúgio, encontrei Eros, o Navegante-Salvador, 

e Eros, o Navegante-Náufrago.

Ambos exaustos e alucinados por tanta tempestade fascinante...

Tuesday, September 2, 2025

Eros, o Oscilante e o Suspenso


 Se o Amor é Vida aérea e eólica...

(então, as pessoas amadoras estão sempre em metamorfose impossível para Pássaro e Vento e suas variações, entre brisas e ciclones)

Tuesday, August 26, 2025

manuscritos


 os manuscritos aquecem a argila da casa, os arcos de argila da casa, as mãos fazem o espaço-tempo do corpo-manuscrito, mãos lentas oscilando entre o fogo-do-chão e o vento-da-janela

por vezes os manuscritos são ruínas: os primeiros manuscritos elaboram as primeiras ruínas, enquanto a argila aquece nas mãos, ambas as mãos perdidas, reencontradas nas elipses que unem o círculo do peito e o círculo do ventre

por vezes os manuscritos são alimentos: os primeiros manuscritos cozinham os primeiros alimentos, enquanto as mãos exaustas pressentem o impulso de uma carícia capaz de tudo: rasgar os primeiros manuscritos ou proteger os sinais vitais desses primeiros manuscritos     

poema feminino como expressão-invenção-descoberta


 Porquê imaginar e escrever sob a vitalidade de uma Mulher-Poeta, Eva F.? 

Entre "Órbitas Primitivas" (Famalicão: Quasi, 2007) e "Desejo Primordial Infinito" (Lisboa: Atlantic Books, 2024), escrever é um esforço espiritual de aproximação da vida sentida, expressa, comunicada e (des)compreendida no feminino. Antes de escrever, é necessária uma nutrição de literatura feminina, especialmente contemporânea, para permanecer neste mundo e nesta cadeia próxima de gerações que vibram ainda agora na minha atmosfera e que se encontram ainda agora na minha respiração inquieta. Leio e estudo: Florbela Espanca e Natália Correia, Clarice Lispector e Hilda Hilst, Emily Dickinson e Sophia Andresen, Alejandra Pizarnik e Ingeborg Bachmann, Sylvia Plath e Anne Sexton, Audre Lorde e Paulina Chiziane...).

Os livros dessas mulheres nutrem a escrita de meu espanto. Meus poemas desejam significar um processo de expressão-invenção-descoberta, como se fossem sempre somente a escuta imperfeita de um único poema feminino contínuo e quebrado, orgânico e ferido. As raízes crescem à superfície e ao fundo, há transparência e segredo, exposição e claustro. Cada poema persiste o desenho Infinito da Mulher-Poeta: um nu sempre incompleto e um labor sempre inacabado, talvez a intimidade plena seja impossível, talvez a perplexidade seja inexcedível.

A língua descobre-se: finitude impregnada de espontaneidade desejante infinita ou transfinita. Aqui e agora, cada poema permanece no Princípio um Desejo de encontro face-a-face, silêncio entre as palavras. 

Os símbolos do Desejo-de-encontro procuram interrogar-se, exclamar-se, entender-se nas figuras expressivas da aproximação e da confidência, como se minha mãe, minha irmã, minha amiga estivessem aqui e agora, falando, murmurando, soletrando a relação vital com o sentido e o absurdo... Compreendes-me no desejo de ser própria? fazer acontecer o momento de expressão-invenção-descoberta de mim?

Monday, August 25, 2025

Eros, o Opressor e o Libertador


 Na sombra das paredes do Labirinto, faz frio e dói
Eros constrói paredes novas no Labirinto das carências
Eros, o Opressor

A sombra do labirinto é gelo e dói. 
Todos os músculos doem sob a máquina do Labirinto gerando gelo
injetando gelo nas veias de Ariane, a perdida, a mais corajosa na hora de perder
Ariana é a audácia de penetrar no terror 
desfiando a Invenção do Retorno

Nos olhos de Ariana, brilha Eros, o Libertador

(Quando a dor do frio faz parar o corpo no meio de nada
a confusão geográfica interroga-me: Será a Crueldade uma matéria divina?
Será a Crueldade o zénite da história noturna?)

No fim do Poema, há outro Poema do Fim colhendo os espinhos
colhendo somente espinhos durante o nu incompleto da Libertação

o Poema do Fim colhe espinhos com a ternura dos moinhos
moendo espinhos para a farinha do pão final 
tanta fome no Fim do Poema ao sol
doendo também
como se calor e frio fossem a mesma máquina cruel
que mata a fome

o Poema colhe espinhos ao sol 
meu sol face-a-face meu sol virgem meu sol nascente 
partindo para o distante teu peito sucumbindo na corda da minha harpa
sem nenhum lamento 

meu zénite de minha história noturna desfiando a Viagem e a Casa
zénite mais nu e zénite mais sanguíneo do que espuma de rosas 
após a colheita dos espinhos e os segredos penetrantes da farinha 

Wednesday, August 20, 2025

Eros, o Radical e o Réptil


 Um raio de obscuridade atravessa o Sol: é uma flecha-enigma de Eros, o Radical, e de Eros o Réptil, que ataca ao Meio-Dia e abre as veias do Tempo Inteiro, porque simplesmente e absolutamente deseja saber as causas primeiras e últimas e medianas, causas por dentro e por fora e através, 
a força das causas e sobretudo
a energia da força das causas e sobretudo
a fonte da energia da força das causas e sobretudo
a plenitude e o vazio das fontes, as fontes mais íntimas das raízes
as raízes mais íntimas dos répteis, os répteis mais íntimos da terra vermelha e da carne vermelha

Há um medo abstrato da História que Eros deseja saber para poder atravessar os raios mais negros ao Meio-Dia e à Meia-Noite quando os olhos aderem ao Invisível, as Pálpebras Descidas tocando talvez em nada, talvez no ar, talvez no pó  

Thursday, August 14, 2025

Eros, o Arquiteto


 Eros, o Arquiteto que transforma o corpo, a casa, o mundo 

Eros, o Construtor e o Persistente, fiel às Artes do Limite onde a imaginação inventa as matérias quentes, as cores quentes, os espantos tão quentes que queimam a pele com a Liberdade Absoluta

Eros, a Inteligência extática, a Evidência do Projeto de todas as habitações e de todas as passagens 

Eros, o Hipnotizador


Eros, o Hipnotizador

(alteração indefinida dos sentidos enquanto perdura sua força) 

Eros, o Ondulante

(alteração indefinida dos equilíbrios enquanto perdura sua força)

Monday, July 14, 2025

Eros, o Crepuscular


Eros, o Auroral e o Crepuscular. Eros, o Chiaroscuro que brinca com o Fogo.

Eros, o Infantil e o Adolescente que brinca com gritos e lágrimas.

Eros, o Provocador e o Silencioso que brinca com as palavras feridas.

Eros, o Desafiador, o Incrédulo, o Discípulo que acredita no Mestre quando toca nas sete maravilhas do Coração aberto.
Eros, o Tocador das cicatrizes imperfeitas, o Perturbador das histórias das cicatrizes maiores do que o Coração, mais profundas do que o Coração.
Eros, o Gladiador na Arena fervendo diante de múltiplas mortes possíveis. Eros, o Torso e o Gládio dos lutadores nus que brilham como deuses...
Eros, o Espetáculo da Verdade na pele nua do mundo: Toca-me as Pálpebras Descidas.  

Sunday, July 13, 2025

Eros, o Noturno


Eros, o Noturno. Eros, o Assaltante. Passas as horas sonhando sem nexo: Rende-te ou eu acabo-te! Canta-me ou eu grito! Beija-me ou eu devoro-te! Eros, o Vencedor: Estás perdidamente na arena de Morte. Acordo de repente no meio da luta, os músculos impotentes preparam setas venenosas para regressar ao Ciclone da calma. Passamos esta noite numa cratera lunar: Mar da Tranquilidade ou Mar das Fúrias. Amanhã, depois do dilúvio, depois de muita natação nas águas do Mistério, depois de muita angústia matemática, calculando área exata das feridas... amanhã, começamos outro Mundo.
Ondas gravitacionais intergaláticas desencadeiam a Energia Noturna de Eros. Meu Eros, amanhã começamos outro Mundo com a Forma da saudade materna: as mães são imortais. Meu Eros, meu Mestre Hiperativo, meu coração ainda não aprendeu nada.

Eros, o Noturno, meu Mestre, ensinas-me tudo na Obscuridade, corpo-a-corpo sobre as superfícies de Tudo.
Eros, o Viajante Noturno, o Assaltante Noturno, o Silêncio Noturno. 

Eros, o Prisioneiro. Eros, o Guerreiro. Eros, o Matador. Eros, o Sacrificado. Tens uma porta secreta para Tudo, uma ponte secreta para Tudo, uma língua secreta para Tudo, uma alma secreta para Tudo, um coração secreto para Tudo, uma ciência secreta para Tudo, uma arma secreta para Tudo, uma personalidade secreta para Tudo, um código secreto para Tudo. 

Ninguém vence a tua Ternura. Ninguém vence a tua Loucura. Ninguém vence a tua Crueldade. Tu és a Infinita Metamorfose de Tudo em Tudo. Nenhum nome te define, te chama, te atinge, te revela... 

Eros, o Omnívoro e o Faminto. Eros, o Imperial e o Revolucionário. Eros, o Brutal e o Feminino. Eros, o Infantil, o Lúdico, o Divertido, o Sorridente, o Felino, o Grande Felino, o Último Felino no reino animal. Morde-me aqui ao luar, até ao meio-dia, até ao Equinócio, até ao Eclipse, até à Estação-das-chuvas, até ao Regresso-do-Cometa, até ao Clímax abissal, até ao Apocalipse das minhas ânsias inquietas... Morde-me um pouco mais, apenas com a ponta da tua língua húmida escrevendo poemas entre meu tórax e meu abdómen e meu arquipélago vulcânico... 

Eros, o Secreto. Eros, o Selvagem. Eros, o Libertador, o Grande Libertador, o Último Libertador. 

As revoluções noturnas do corpo são como gritos e cantos de alegria gestual. Quero liberdade no ar. Quero ser o ar da liberdade. Quero ser o voo da liberdade no ar. Quero ser o perigo do voo da Liberdade no ar.

Eros, o Físico e o Metafísico. Perde-te, no longe mais íntimo de mim. Segue o teu destino mais inexorável: a minha vontade de fusão com tua matéria de lágrimas no instante crítico da viagem angustiante e do regresso ao Desconhecido. 

Eros, o Irónico e o Cético. Eros, o Trágico e o Marítimo. Eros, o Épico e o Melancólico. Eros, o Didático e o Interrogativo. Eros, o Abissal e o Aéreo. Eros, o Cósmico e o Cosmopolita. Os teus vapores flutuantes traçam círculos e elipses entre todas as paixões da minha alma, sobretudo as infinitas espécies doces e ácidas de Tristeza. Uma tortura consoladora passa dentro de mim como uma sereia, uma gaivota, uma mão mágica que lança um relâmpago entre as memórias e as fantasias. Vibra um aroma à flor da pele ondulante, enquanto o meu oceano interior confusamente imagina a inexplicável ternura que salva o mundo, a inexplicável ternura que arde no horizonte noturno. A voz naufragada ainda boia no vácuo, chamando. As janelas abrem-se no meio da parede, no meio do medo, no meio da sensação de abandono. O vermelho do sangue é um vermelho ávido que respira. 

Eros, o Exclamante e o Oracular, o Socrático e o Nirvânico, o Montanhoso, o Glaciar, o Vagabundo, o Tropical. Leves brisas de contradição aumentam o apetite e a inteligência do apetite. Tenho sede, tenho fome, tenho a miséria completa que a Sabedoria ama muito.

Eros, o Incerto e o Transtornante. Eros, o Espiritual, o Carnal, o Intercorporal. Estamos condenados aos trabalhos da Libertação: Energia das Auroras que explodem e persistem no Ritmo de Eros.  

Eros, o Vibrante e o Sexual. Eros, o Virginal e o Hipersexual, Pansexual, Megassexual, Criptossexual. O que é o Tempo? O que é a Vida? O que é a Génese?  

Regressar à espuma oceânica