Xerazade fia e tece e trama, com a imaginação colada à língua, ligando as noites umas às outras, como se houvesse um túnel em construção na sua voz, um túnel por onde as estórias se furtam à Crueldade da Morte com a esperança de um dia o Sultão se transforme... esqueça o Projeto de fazer sangrar todas as mulheres em sacrifício vingativo pelo sofrimento de Abandono...
"…Attribuez à mon souffle trop court ce qui dans mon propos restera obscur ou froid. Mais retenez la comparaison – elle définit le Livre en tant que Livre c’est-à-dire en tant qu’inspiration…" (E. Lévinas)
Tuesday, September 9, 2025
Xerazade procura o Mar ao fundo da Noite
Xerazade fia e tece e trama, com a imaginação colada à língua, ligando as noites umas às outras, como se houvesse um túnel em construção na sua voz, um túnel por onde as estórias se furtam à Crueldade da Morte com a esperança de um dia o Sultão se transforme... esqueça o Projeto de fazer sangrar todas as mulheres em sacrifício vingativo pelo sofrimento de Abandono...
Friday, September 5, 2025
As estórias do Lago
Vives numa cabana frente ao lago
(you live in a cabin in front of the lake)
Partiste para o Sul como se fosse uma fuga do mundo,
(You left for the South as if to escape the world,)
mas, no final, vieste fazer a paz com o mundo,
(but, in the end, you came to make peace with the world,)
muito mais do que paz, vieste fazer amor com o mundo! É inesperado para o próprio mundo!
(much more than peace, you came to make love with the world. It's unexpected to the world itself!)
Para os teus pais do Norte, tu estás escondida algures no infinito Sul...
(For your parents in the North, you are hidden somewhere in the infinite South...)
Para eles, é como se tivesses morrido ou sido condenada ao Degredo.
(For them, it is as if you had died or been condemned to exile.)
Aqui, chamava-se Degredo, a condenação ao Fim do Mundo!
(Here, it was called Exile, the condemnation to the End of the World!)
Para mim, o Fim do Mundo foi o Princípio da Possibilidade do Mundo.
(For me, the End of the World was the Beginning of the Possibility of the World.)
Sim, vim livre, liberta, livremente. Permaneço livre, liberta, livremente.
(Yes, I came free, liberated, freely. I remain free, liberated, freely.)
Nunca imaginei que fosse possível tanta liberdade ao mesmo tempo no Princípio do Mundo: liberdade-de-, liberdade-para-, liberdade-com-, liberdade-sobre-
(I never imagined so much freedom was possible at the same time in the Beginning of the World: freedom-from, freedom-for, freedom-with, freedom-over.)
Não sei quantos sentidos de Liberdade e de Libertação e de Livremente é possível "pensar"... "pensar", isto é, "falar comigo", "dizer-me o que vivo no meu diálogo claro e silencioso". Por isso, tenho inventado palavras ou desistido de palavras e feito alguns gestos novos para "significar". O sentido vivido excede "viver-na-linguagem". "Significar" é mais profundo do que "verbalizar" e do que pensar verbalmente. Há uma inteligência pensante, raciocinante, compreensiva, mais funda do que esse "diálogo" que escorre à superfície da língua.
(I don't know how many meanings of Freedom and Liberation and Freely it's possible "to think"... "to think," that is, "to speak with me," "to tell me what I live in my clear and silent dialogue." Therefore, I have invented words or abandoned words and made some new gestures to "signify." Lived meaning exceeds "living-in-language." "Signifying" is deeper than "verbalizing" and than thinking verbally. There is a thinking, reasoning, understanding intelligence, deeper than this "dialogue" that flows on the surface of the tongue. )
Estou a viver mais do que alguma vez tinha conseguido pensar. Agora, gostaria de ser capaz de pensar o que na vida excedeu e continua a exceder todo o pensamento! É uma intenção transportadora... trans-ascendente... se fizer sentido.
(I am living more than I have ever been able to think. Now, I would like to be able to think about what in life has exceeded and continues to exceed all thought! It is a transportive intention... trans-ascending... if that makes sense.)
Não creio que esteja a viver uma exceção, mas uma excedência que nunca imaginei ser "capaz" de viver. É como se tivesse descoberto um talento artístico e uma vocação artística para uma Arte que nunca imaginava que existia: Ser capaz de viver mais do que imaginava ser viver.
(I don't believe I'm living an exception, but an excess that I never imagined would be "able" to live. It's as though I had discovered an artistic talent and an artistic vocation for an Art that I never imagined existed: Being able to live more than I imagined living.)
Thursday, September 4, 2025
Eros, the Melancholic and the Tropical
Whenever melancholy
threatens your atmosphere,
evade yourself
and dream of the tropics.
Whenever your mathematical imagination
hallucinates infinity,
evade again yourself
Wenn Melancholie deine Atmosphäre bedroht, entkomme dir selbst und träume von den Tropen.
Wenn deine mathematische Vorstellungskraft Unendlichkeit halluziniert, entkomme dir selbst erneut und tauche ein in die Tropen.
Wednesday, September 3, 2025
Eros, o Navegante-Salvador e o Navegante-Náufrago
No porto de refúgio, encontrei Eros, o Navegante-Salvador,
e Eros, o Navegante-Náufrago.
Ambos exaustos e alucinados por tanta tempestade fascinante...
Tuesday, September 2, 2025
Eros, o Oscilante e o Suspenso
Se o Amor é Vida aérea e eólica...
(então, as pessoas amadoras estão sempre em metamorfose impossível para Pássaro e Vento e suas variações, entre brisas e ciclones)
Tuesday, August 26, 2025
manuscritos
os manuscritos aquecem a argila da casa, os arcos de argila da casa, as mãos fazem o espaço-tempo do corpo-manuscrito, mãos lentas oscilando entre o fogo-do-chão e o vento-da-janela
por vezes os manuscritos são ruínas: os primeiros manuscritos elaboram as primeiras ruínas, enquanto a argila aquece nas mãos, ambas as mãos perdidas, reencontradas nas elipses que unem o círculo do peito e o círculo do ventre
por vezes os manuscritos são alimentos: os primeiros manuscritos cozinham os primeiros alimentos, enquanto as mãos exaustas pressentem o impulso de uma carícia capaz de tudo: rasgar os primeiros manuscritos ou proteger os sinais vitais desses primeiros manuscritos
poema feminino como expressão-invenção-descoberta
Porquê imaginar e escrever sob a vitalidade de uma Mulher-Poeta, Eva F.?
Entre "Órbitas Primitivas" (Famalicão: Quasi, 2007) e "Desejo Primordial Infinito" (Lisboa: Atlantic Books, 2024), escrever é um esforço espiritual de aproximação da vida sentida, expressa, comunicada e (des)compreendida no feminino. Antes de escrever, é necessária uma nutrição de literatura feminina, especialmente contemporânea, para permanecer neste mundo e nesta cadeia próxima de gerações que vibram ainda agora na minha atmosfera e que se encontram ainda agora na minha respiração inquieta. Leio e estudo: Florbela Espanca e Natália Correia, Clarice Lispector e Hilda Hilst, Emily Dickinson e Sophia Andresen, Alejandra Pizarnik e Ingeborg Bachmann, Sylvia Plath e Anne Sexton, Audre Lorde e Paulina Chiziane...).
Os livros dessas mulheres nutrem a escrita de meu espanto. Meus poemas desejam significar um processo de expressão-invenção-descoberta, como se fossem sempre somente a escuta imperfeita de um único poema feminino contínuo e quebrado, orgânico e ferido. As raízes crescem à superfície e ao fundo, há transparência e segredo, exposição e claustro. Cada poema persiste o desenho Infinito da Mulher-Poeta: um nu sempre incompleto e um labor sempre inacabado, talvez a intimidade plena seja impossível, talvez a perplexidade seja inexcedível.
A língua descobre-se: finitude impregnada de espontaneidade desejante infinita ou transfinita. Aqui e agora, cada poema permanece no Princípio um Desejo de encontro face-a-face, silêncio entre as palavras.
Os símbolos do Desejo-de-encontro procuram interrogar-se, exclamar-se, entender-se nas figuras expressivas da aproximação e da confidência, como se minha mãe, minha irmã, minha amiga estivessem aqui e agora, falando, murmurando, soletrando a relação vital com o sentido e o absurdo... Compreendes-me no desejo de ser própria? fazer acontecer o momento de expressão-invenção-descoberta de mim?
Monday, August 25, 2025
Eros, o Opressor e o Libertador
Wednesday, August 20, 2025
Eros, o Radical e o Réptil
Um raio de obscuridade atravessa o Sol: é uma flecha-enigma de Eros, o Radical, e de Eros o Réptil, que ataca ao Meio-Dia e abre as veias do Tempo Inteiro, porque simplesmente e absolutamente deseja saber as causas primeiras e últimas e medianas, causas por dentro e por fora e através,
Thursday, August 14, 2025
Eros, o Arquiteto
Eros, o Arquiteto que transforma o corpo, a casa, o mundo
Eros, o Construtor e o Persistente, fiel às Artes do Limite onde a imaginação inventa as matérias quentes, as cores quentes, os espantos tão quentes que queimam a pele com a Liberdade Absoluta
Eros, a Inteligência extática, a Evidência do Projeto de todas as habitações e de todas as passagens
Eros, o Hipnotizador
Eros, o Ondulante
(alteração indefinida dos equilíbrios enquanto perdura sua força)
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Maybe birds dream within my Desiring Freedom and cross everything the closures of gardens, hearts, and manuscripts










