Thursday, January 15, 2026

Basta de adjetivos, absolutamente


 Não mais adjetivos, absolutamente, porque o barro caiu das mãos de Deus e quebrou-se no chão de Nada. Cada grão de barro é um mundo, ou uma vida, que se liga e desliga de outros mundos, ou de outras vidas, segundo a distância, a humidade e a força que trabalham no chão de Nada.  

Este é o esquema de todas as Histórias e de todos os Verbos e de todas as ligações entre Histórias-e-Verbos que dizemos Amores absolutamente.

Dizemos cruamente: o Amor é a Ânfora onde Deus colocou o Perfume, o Álcool, a Água, o Sangue. A ânfora tremeu nas mãos de Deus e a vida caiu, está caindo há várias eras que dizemos horas-crises, horas-ritmos, horas-da-Medicina - Tudo sem adjetivos, somente nomes sobre nomes, absolutamente, implodindo, explodindo, trabalhando.

nomes sobre nomes, símbolos sobre símbolos, somente corpos sobre corpos, coisas de carne, absolutamente sem adjetivos

Monday, January 5, 2026

A Presença da Mãe


Sempre tão jovem  a minha mãe e a Amplitude do seu Horizonte 

criando os meus Sentidos  o meu equilíbrio e o meu movimento


Sempre tão jovem   a coragem da minha mãe

acreditando sempre na Novidade do mundo 

desejando sempre a Alegria da viagem


(Minha Mãe cantava Alfabeto e eu apaixonei-me por esse canto: Sinais cheios de Vida para escrever e ler sobre as matérias vibrantes - a farinha fermentando no sentido do pão, a pele fermentando no sentido da ternura, o chão fermentando no sentido do Sol

Todos os dias sinto o Poder-de-Escrever e o Poder-de-Ler nascendo para mim na Voz da Mãe - Todas as noites desejo o Canto do Alfabeto, desejo tão inquietamente até ao limiar de exaustão e de dúvida e de verbos mortalmente impessoais caindo sobre mim - como anoitece-me, chove-me, venta-me, cai-me o Haver e o Acontecer e o Desfazer... urgências transpiram-me quentes e húmidas através do Trabalho sem obra e do Suplício sem justiça

Quando vem a abundância do vazio, sofro de amnésia dentro de fome e dentro de sede e dentro de distância... escorrendo-me rios profundos de medos: Somos a transpiração dos caçadores desarmados, rastejando melhor do que serpentes fora dos caminhos)

Wednesday, December 31, 2025

A Noite dos Caminhos


Cada noite tem seus caminhos

minha cidade conhece meu coração, o Inquieto Animal das Noites


Minha cidade é a Noite dos Caminhos 

onde se abriga-e-des-abriga meu Desejo de Liberdade

Tuesday, December 30, 2025

Sonhar com árvores mais interiores



 


Meu Amor sobe esta árvore até às raízes mais interiores do meu Pânico-de-viver no ermo: entre o Infinito Pleno e o Infinito Vácuo. 
Sou o Amor da floresta após o definitivo incêndio da loucura mais bruta... amo ainda a Ideia Divina da Floresta Original e renasço ainda através de sonhar-sentir-a-União com árvores cantantes mais interiores do que sangue e fogo  

Tuesday, December 23, 2025

Kosmos-Poiesis: O Sentido-de-Dançar


Infinita Claridade de Kosmos-Poiesis vem por dentro das espirais das galáxias como música

Infinita Explosão de Claridade brilha-me vibra-me chama-me através da noite que envolve estrelas

Vem por dentro como música o Impulso mais Oriental o Sentido-de-Dançar mais Oriental

A Ideia-de-Mistério vem por dentro como vapor de música enchendo as forças inteiramente 

Sou-este-plural-forças advindo como música por dentro dos corpos-feitos-ondas 


Infinita Claridade de ser a Sonhadora do Princípio: Aqui nasce o Transcendente como onda de música

ondas-feitas-corpos

Monday, December 22, 2025

Construir um abrigo: a paz do claustro


 Chama a menina órfã: a Voz mais Interior que preenche a Respiração: a nova Ideia-de-pássaros capazes de Cantar-em-brisa

(a Ideia-de-Mãe vem às lágrimas por dentro de invisível Cantar-em-brisa, milagre de pássaros capazes de profecia para clarificar os sentidos perdidos, dispersos, analfabetos) 

Saturday, December 20, 2025

o meu quarto da Criação


há uma janela com Enigma e Ferro no quarto da Criação (o esforço dos Símbolos dobra as grades metálicas no equador do meu quarto da Criação): a janela habita a Desordem entre Carências fazendo-se Poemas  

a janela abre a Beleza Terrível entre Poemas Carentes de Tudo, Poemas de horas absolutamente mendicantes: Dai-me uma gota mínima de Água, uma migalha mínima de Terra, um grão mínimo de Ar, uma moeda mínima de Fogo! Um quase-Nada pode salvar Tudo!

Nada de evidente transporta a brutalidade de viver: o singular Sentimento de Viver ataca as máscaras mais profundas e acontecem vagas lentas de coisas dolorosas - como se a vida terrestre fosse em certos quartos de silêncio, em certas horas de silêncio, nada senão um Abandono de mim-para-mim

os Símbolos enchem a primeira solidão, ainda na terra da infância, escrevendo-desenhando-confundindo muitos sentidos atmosféricos: o ar é todo eletricidade implacável: uma única inundação de neurose unindo tudo boca-a-boca 

a Criação respira no quarto da Criação onde a inteligência das crianças desenvolve as pétalas e as órbitas, desenvolve os arco-íris e os músculos vazios, a inteligência das crianças ama as oscilações da loucura

os Símbolos banham as trevas mais nuas e os Poemas que advêm pelas veias absurdas até à face que espera Absolutamente o Drama, face-a-face

porque todos os Poemas têm substância Teodramática

É a Era-das-Mil-Noites e dos Mil-Dias-Mais-Um: é a Era dos Símbolos profundos advindo pelas veias profundas, veias labirínticas, veias da melancolia futura

a minha infância é outra janela abrindo o Vazio como se o Tempo fosse a Necessidade de desenhar símbolos sobre o peito, ocultando o coração, ocultando o Ritmo mais verdadeiro do que todo o Visível e Invisível

as mãos quentes escrevem-desenham-confundem o Ritmo do coração através da Latitude Infinita do Mistério saindo de dentro das paredes 

Thursday, December 18, 2025

Entre carne e cinza: A dúvida da Vida


 Sinto-me Viva   entre a terra e a água 
(minha terra dilui-se na tua água)
Sinto-me Viva   entre a água e o ar
(minha água evapora-se no teu ar)
Sinto-me Viva  entre o ar e o fogo
(meu ar inflama-se no teu fogo)
Sinto-me Viva   entre o fogo e a terra
(meu fogo devora a tua terra)
Sinto-me Viva   entre o fogo e a água
(meu fogo ferve a tua água)
Sinto-me Viva   entre o fogo e o ar
(meu fogo domina o teu ar)

Sinto-me Viva   duvidando nestes ciclos 
nestes ritmos  nestas elipses 
perdendo os sentidos 
de sentir-me Matéria Mais Génese
sinto-me quase Nada-Vapor
quase Nada-Dor-de-Flama 
Depois cinza depois carne
célula de carne transformando cinza
Mais Vida: Mais Crise-de-Vida
Sentimento-de-Vida

This is the fruit, the body, looking for the Mouth


 under the skin

the red flesh of the fruit, just arrived from the night flight of the flower,
there is Myself, Me, My secret Mouth longing for the sugar, the Metaphysics of sugar within Desire.

I am the Angst and Extasis: the Longing for the melancholy of infinity
Absolute Infinity overflowing this body this Moment

Regressar à espuma oceânica