Monday, February 21, 2011

hipermnésias


indefinidamente: a vida está no poema, hipermnésia erótica confabulatória. repetem-se as imagens ou as espumas das imagens e dos tempos. instantes em que o sol é todo para sempre.
Só acredita quem sabe ler-se e escrever-se com essas fábulas ou chuvas de fogo.
Se a pele estremecer, é esse o sinal dos sinais.
Confundir a pele e a verdade: nunca se perde.
Em caso de dúvida, regressar à pele. Em caso de regresso, refazer a dúvida, a certeza e todas as línguas sobre a pele. a nudez será a Origem. Aí começa, aí não acaba.

a verdade na pele. inteiro o sol. respiro.

a pele faz verdade enquanto a noite arde sem palavras. decides apaixonar-te depois de descrer. nada te dói fora do mar. desenhas incêndio. a cinza repousa nos pulmões. outras águas passadas.

fisicamente fui feito da matéria que explode. matéria que explode. desde a fonte. a espuma da fonte. respiro.

a pele é a verdade e a tua língua é a língua. e eu sou fracções incandescentes em elipses inexactas gravitando sobre as memórias dos sinais da pele. disse tudo até cair onde a pedra é flor.

leio-me com os dedos nas feridas que não saram. a tua língua e a tua lua doem como música que desce pela sombra da boca abandonada. os pássaros nascem nas mãos cada vez mais.

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