Neste primeiro instante do novo Milénio, a nudez do Sol criou o Mistério de sentir a alteração dos símbolos em energia, alteração mais Além do que ser-de-terra e ser-de-fogo, do que ser-desejo-de-animal e ser-desejo-de-divino.
Neste primeiro instante, esperava que a História regressasse ao Princípio, quando o Mistério concebeu a química das Estrelas, enquanto os pássaros futuros desenhavam no vazio dos ventos quentes as mãos sempre jovens que deveriam aprender a arte da carícia sobre a pele inteira do Oceano ou Peito ou Lábios... Nascente da música.
Na História da Beleza, acontece sempre um excesso, uma alteração, talvez insensível. Nasce-nos um dom maior do que os sentidos. A esperança pode confundir-se, imaginando e desejando outras sensações.
No equador da Alegria, enquanto sangram muitas aflições no caos de tantos mundos, a Primavera decide persistir no ritmo da História da Beleza. A Primavera existe, como se cada ferida fosse uma dissonância dentro de uma harmonia sempre maior, uma ternura sempre maior.
Muitos milénios podem escorrer nas trevas. Neste instante novo, uma pétala abre-se e o Mistério declara uma Era nascente. Cada instante de pétala, abrindo o horizonte como floração infinita, é um instante de Primeiro Dia na História da Beleza.
Uma pétala de nenúfar abriu agora mesmo, aqui mesmo, começando o Jardim do Primeiro Dia: outro mundo neste mundo.
Sinto o dever de crer e o dever de esperar e o dever de renascer na História do Mundo como História da Beleza. Todas as cores, entre vermelho e amarelo, tocam no Mistério, mais profundamente do que os meus olhos. O sentido da Beleza não pertence aos olhos, porque dentro da pétala aberta a minha cegueira contém uma imensa Biblioteca Sagrada de luz, peito sobre o peito.
Cada pétala do Princípio contém o dom da luz mais compreensível ao sentido da beleza, a luz que se respira e se toca e se beija e se liberta com textura de pele nua e temperatura de pele nua e perfume de pele nua e um impulso de dança de pele nua... cobrindo a nudez do Sol e a energia dos símbolos e os ventos quentes dos pássaros futuros e as aflições de cada ferida... cobrindo tudo, como se a pele nua fosse o horizonte de Cosmos apaixonado por Caos e Harmonia na arte da carícia... as mãos cheias de bocas ou de estrelas... ou música vermelha e amarela, inventando o movimento das parábolas... braços livres, cabelos soltos...
Uma pétala começa a História da Beleza, perguntando-me, entre vermelho e amarelo: Como queres nascer hoje? Como queres renascer amanhã? Repousa todo o Desejo sobre os nenúfares no lago do Jardim
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