Saturday, December 17, 2011

labirinto


um labirinto pode ser uma única linha, reta invisível, que atravessa as ruínas de pedra e saliva. de menos infinito a mais infinito, passando por zero, por mim em jamais. o sinal passa, nebuloso, e faz corpo com nada, senão pó de incógnitas. dormes, desde a fonte que fala do Enigma, com o grande hematoma no peito do Presente. brilha uma dor intocável que aprofunda a paragem dos cavalos no vértice da catástrofe. explosão abrupta, umbilical, de sol.

diante do declive, os meus cavalos correm. diante do abismo, os meus cavalos aceleram, como tangentes do Futuro, e voam na plenitude da linha que transborda, de menos infinito a mais infinito, concentrando-me em zero. uma ideia de boca e de canto: uma vogal aberta apenas, um cântico mínimo, uma linha única que quebra o ciclo.

muitos cavalos nas veias. uma convergência de infinitos. muitos deuses em jogos de dados sobre a areia.

o meu interior é a superfície das ondas extremas, o recomeço de Acontecer.
uma incarnação de infinito no singular: uma pele sem princípio nem fim, sem círculo nem centro, um corpo recém-nascido no meu corpo.
a fonte fala em Enigma. o anjo fala em Sonho. sempre uma mulher espera um filho
como o Eterno. e o corpo do filho é o Singular fogo que derrete a densidade da tragédia e todo o teatro do Fim.

Thursday, December 15, 2011

Eros & Poiesis

Eros & Poiesis:

'via Blog this'

omitir sempre uma palavra como uma parede no labirinto.
as mãos bifurcam-se entre dois jardins onde o tempo vem florir muitos espinhos sem porquê. Também as rosas são parábolas do messias que vem ou não ou outra coisa. O medo deseja o tempo dos manuscritos quentes. O desejo receia os meandros do peito em ebulição. Há uma espada abissal na minha ideia de uma ilha onde finamente naufragar contra falésias e brumas de êxtase. O mais denso e remoto êxtase que o messias decifra com vertigens.

Wednesday, November 23, 2011

night orchid


she opens her petals at night

(my moon remains a planet of magna
the spring explodes my flesh into vapor
Love invents sunsets and shades within breasts)

Friday, November 4, 2011

Life-defying temperatures


bodies perspire non-sense while future loves sleep furiously.
not afraid of believing. despite this spiral stringing up my inner petals above highly above the infinite layers of thorns. you dance as if All were Now.
a Suspension of new veins new bloods new pumps.
All at mid-air within your dancing wings.
so much fire. and ultra-violet flashings of flesh.
your dancing makes happen the beginning. again.
when the breath came to clay and the tongue vibrated godless.
humus. our animals resume all.
let us plunge on fire or water? You decide.
not afraid of the ninth hour. the tempest off-shore.
pain becomes an olive tree on the verge of Deluge.

bodies begin raining. as much fire as blood cells.
All confines skin.

Sunday, October 30, 2011

tremer


há uvas há o trigo e tanto treme quem acredita no caminho no coração da casa

sempre o tempo da metamorfose da fúria tão íntima como a palavra que talvez desde a primeira água faz tanta falta na boca toda

há uvas há o trigo e acontece-me tremer de silêncio como se fosse frio tão íntimo como a primeira água desde que a boca toda faz falta no tempo da metamorfose do amor em fúria

Saturday, October 29, 2011

do vértice de agora


Só um deus nos pode salvar agora
Só salvar nos pode agora um deus
Só agora um deus nos pode salvar

sangue do meu sangue. vou da minha boca à terra vermelha. regresso sem lábios

néant et désir


néant perdure point. désir et moi. du don peut-être seul de soi. l'oeuvre se retrouve au seuil de l'énergie. passion débordante qui désire l'être aimé de l'être aimé et l'être amant de l'être amant. l'horloge accélère la nudité que je ne sais pas. néant perdure point. désir et moi. les trois pianos qui explosent. les trois chevaux qui explosent. les trois explosions qui explosent. les mains abandonnent toujours les heures de demain. mais toute la chimie de ton corps se réclame du devenir. il pleut fort ton désir. je ne veux rien. une arrivée un départ. la liberté d'une pluie qui viendra parler d'autre chose qui passe sans mot. je ne veux rien. silence rentre dans son amour et dans son être. Si Tristan et Iseut boivent les vagues et ils ont peur, si peur. c'est plus qu'un philtre, ils se regardent et se quittent comme le dernier temps, un fruit sans retour. loin se dessine l'heure des quais. un peu de cendre sous la langue. je suis la lassitude de ne pas pouvoir entendre. aucune chose ne saurait arriver sans quelque excès ou retrait. autrefois, l'oubli allait sur la route des captifs. l’amant ne désire pas posséder l’aimé comme on possède une tempête. il veut posséder une liberté comme liberté qui devient captivité. mourir pour le printemps. bien que l'effroi demande trop de sang pour se satisfaire. aucun verbe ne frémit plus. malgré l'attente seulement du commencement, à chaque instant où le pont tourne et tombe. cette porte aussi tourne et tombe. personne ne demeure cette liberté captivée qui se retourne sur elle-même, comme dans la folie, comme dans le rêve, pour vouloir son enchaînement. la rose par désespoir se trompe d'oublier la route sur laquelle je ne sais rien. la vie se choisit captivité. Il fait froid depuis longtemps. Et cette captivité doit être démission libre et enchaînée à la fois entre nos mains. Il a fallu un arbre brisé, un détour de flamme, pour comprendre la morsure du vertige.
néant saigne seul

Sunday, October 23, 2011

Saturday, September 17, 2011

palavra


que a palavra seja a coisa, o acto, o próprio acontecer-Me
a elipse vibrante dos lábios que faz do ar uma deflagração
a palavra desde sempre e para sempre no círculo aberto
meia-noite-meio-dia
a palavra que faz princípio
muitos ecos de calar-se

digo-me o nome deste Outono quase a dobrar-me
ausente onda do álcool de Deus absorto aqui
digo-me que se repete tanto tudo nada fundo
primeira palavra depois de largo lamento
tanto calar-se discordo-me tardo-me longe

o nome exacto de morrer de sede agora
no meu meio-dia-meia-noite
sempre novamente

flash vowels


she brings pours blows the orange crayons over and over the horizon

the rock the skin the mud the final waters diving in here in now

right here right now I owe the point the line the plane the final curves

o you o me sunsets to dive

if. only if. she comes.

Friday, September 9, 2011

do Indefinível ao indefinido

foram infinitas navegações que queimaram a carne e os ossos
aproximações ao coração do fogo, o Indefinível que lavrava todos os tecidos do mundo por dentro

o Indefinível evapora-se no indefinido. talvez.
como se o sopro que transmutou o barro em carne fosse também todo filho do pó
como se a respiração fosse apenas terra - mais ou menos subtil

o indefinido sucede ao Indefinível, tocamos em Nada com a menor ondulação da tempestade

Primeiro, amar este mundo