Monday, March 13, 2023

Onde vais, voz da Narradora?



O mundo acontece no coração-músculo do rio. 

Ouvi meio segredo sobre os projetos de vida de uma adolescente muito promissora para as Artes do Apocalipse... Ouvi outro meio segredo sobre uma guerra entre irmãos por causa de uma terra queimada em tempos de embriaguez... 

Frações de segredos em viagem acontecem no coração-músculo do rio. 

 A voz da Narradora tinha ondulação impossível de navegar: como se cada frase fosse uma queimadura de metáfora ou uma tatuagem com o nome de um mito futuro. Qual a passagem entre as metáforas que ardem e as histórias que acalmam? A voz da Narradora?

Wednesday, October 5, 2022

Ou através-mar ou através-deserto


 Atravessar o mar ou atravessar o deserto 
pode ser o Perdão-Infinito-entre-nós 
a Coragem-do-Dom que liberta de todas as dúvidas e medos

Portanto, o Princípio-da-História

Tuesday, October 4, 2022

Desejo das Ilhas: Desejo-de-ir


 Na génese do mundo
como na génese do amor
o Desejo eleva ilhas no espaço 
ilhas ou arritmias no coração caindo para cima
a Distância mais-Alta-e-mais-Funda
onde os sinais confundem todos os sentidos
vastidão das primeiras respirações líquidas
...

O Espaço germinando no Princípio-do-Mundo
como no Princípio-do-Amor
reúne o Infinito e a Diferença
no mesmo corpo
meio-aflição  meio-êxtase
Desejo-de-ir
Desejo-de-mergulhar
na mesma Exclamação
Verdade nas correntes de sinais
confundindo Tudo
no silêncio
boca-a-boca

No Desejo das Ilhas
nascem os Arquipélagos
e os arcos de ânsias
e o tremor do pulmão no vento mais livre
e o corpo da Mulher nadadora na vertigem mais penetrante 

Desejando-ir-e-ser a passagem do Mar Absoluto na língua
pedindo sempre no limite da força vital
a tua língua na minha língua

O Desejo-de-ir demonstra atmosferas
explicando quanto Deus oscila no seu Projeto Original
ligando a cor do sangue e a cor do céu
boca-a-boca
...






Wednesday, September 7, 2022

Corpo-Oceano


Imagino-Te sempre no Infinito Interior
uma Noite-de-Liberdade advindo inteira cada noite
oscilamos no Vazio-portador-do-coração

Imagino-Te sempre na Passagem Radical
uma Noite-de-Criação chamando a Primeira Energia
oscilamos no Vazio-gerador-da-emergência
    
cada noite é uma abertura do Vazio-de-Poiesis 
chamando a inquietação Além-Deus
o transbordo de ferir e a transvia de curar
oscilamos nas mãos do vento desde a primeira respiração 

 
nosso Corpo-Oceano inventa o Vazio-da-Origem

Tuesday, August 16, 2022

Tudo, Nada, Algo


 O poder de aniquilar e o poder de recriar:
o pulso novo da areia viva,   
a Era do Oceano.

Sunday, August 14, 2022

Sinais de passagem


 Os pés no chão, na areia húmida marítima, são uma possível prova do Mistério da Passagem.
A matéria do corpo encontra a matéria do mundo e acontecem Sinais da Aventura que dura um instante durante a passagem e depois do fim. Entre o fim da aventura e o fim do Sinal é onde a Sabedoria procura compreender-se. Porquê permanecer sensível o Sinal? Que significamos?

Na areia da praia, permanecem os sete dias da Génese na duração dos sinais, entre duas ondas. A primeira manhã do princípio regressa sempre na onda seguinte. Porém, no infinito da ondulação, o corpo da praia e do mundo é uma infinita metamorfose, ligada às forças de Tudo, desde o núcleo da Terra e da Lua, até à radiação do Sol mais futuro... Somente o vínculo de tudo com tudo explica este primeiro Poema de Amor, primeiros grãos de areia nos lábios, procurando ar para começar a respiração e seus incêndios.
     
A matéria dos Sinais de passagem é a pele sensível do Infinito tão vulnerável, tão carente, tão vibrante no regresso à Fonte e à Espiral expansiva da Fonte. O Infinito renova toda a Poesia entre duas ondas. Talvez exista uma memória subtil, na essência da areia e do mar, que protege e interpreta todos os sinais húmidos que se apagam sempre jovens na onda, sempre jovens nos lábios.
 
Vulcões oceânicos fazem falésias de rocha, falésias que fazem grãos de areia, grãos que fazem Poema-no-peito, Poema sempre na infância do próprio Mistério, na infância da própria Mãe, a Génese livre dos Sinais nos lábios, procurando o espaço corpo-a-corpo, procurando o ar boca-a-boca, procurando a respiração e seus incêndios, entre o Perigo de duas ondas, a Revolução de duas ondas, o Infinito sob o Impulso...  

Entre duas ondas, a infância da Matriz prossegue a criação de energia onde a nudez dos pés passa e significa mais do que passar, pertencer à ondulação e à metamorfose de Poesia e a metamorfose de todas as forças na história do verbo Amo-Te, o verbo da História de Poesiar Infinito.
 
A história do Amor dura neste instante, nos Sinais de passagem e nos Sinais de criação: os mesmos Sinais-de-Desejo, perdurando na profundidade deste instante.
 
As pegadas nuas duram os sete dias da Génese, sete segundos, uma respiração pacífica, entre duas ondas. Depois, a unidade entre a Matriz livre e a Infância infinita encontra o canto original.

Os Sinais aprendem a sintaxe dos movimentos expectantes, desejantes, originantes. Imperfeita sintaxe do verbo Amo-Te, imperfeito abraço na história, os sinais sofrem as tensões das forças que atraem à distância. Tanta força circula nas veias dos Sinais, tanta força de destruição e de recriação, necessitando sentido, navegando através das espadas indefinidas, gritando liberdade ou loucura, tudo ou nada, no quadrado da distância e no inverso do quadrado da distância.

Sinais-de-Desejo desordenam a linha do Horizonte.
Um grito oscila: grito de paz e grito de guerra, sob impulso de Conceber-e-Construir.
  
No horizonte dos arquitetos e dos construtores, ocultam-se sempre medos de abandono, dentro do medo infantil do escuro, não obstante a Claridade da Sabedoria ao meio-dia. 
Os Sinais estremecem: é o outro medo inesperado de partir sem chegar à Poesia materna, medo do Fim crescente, acelerando no vácuo, acelerando nos planos inclinados de ser-e-não-ser, devir, entre duas ondas maiores do que meus olhos, acelerando no quadrado elíptico da distância e no trapézio inverso do coração e no losango em espiral das outras forças... 
Os Sinais partem e desejam partir na confusão da alegria originante. Assim,  as pegadas da história do Amor mostram, falam, desenham, escrevem, significam a passagem singular pela substância mais futura do Sol.
A alegria alcança o Sol futuro (ainda, contudo, no medo do escuro): Contacto evidente entre o Infinito e o Mundo.
Sinais-de-Desejo desordenam as linhas no Poema-do-peito.

Todas as infâncias partem para vencer o medo de partir e de perder. Depois do perigo da partida, começa o perigo do regresso. O lar é a Desordem-da-Terra, sob impulso de recriação constante. O lar é nas ilhas vulcânicas - horizontes anteriores à memória da partida. A alegria projeta a velocidade da passagem entre duas ondas, dois códigos, uma sintaxe de Verdade, um tacto transformante...

Os sinais da passagem oferecem o corpo ao mundo para a ficção de Poesia, infinitação sensível da Génese. 
Cada sinal no espaço desenha a a passagem do Infinito aqui, no sangue da paixão da Claridade e da Obscuridade. Fazemos sinais contínuos, entre duas ondas. Prometemos sinais novos, para além-Deus. 

O corpo toca na ondulação de Poesia, através gerações de silêncios encantados sobre a pele amada que aquece na fricção da pele amante. Inventamos códigos para além de terra, água, fogo, ar... inventamos os deuses criadores e a matemática da Criação e a música radical da paixão, onde a angústia-de-Indefinido dança nuamente com a Vertigem-de-nascer
 
 Entre duas ondas, os sinais da passagem significam o trapézio de Poesia... Tu nasces sempre, Tu morres nunca. Tu assinalas mais-do-que-imaginas. Tu podes mais-do-que-concebes. Tu realizas mais-do-que-prometes ou projetas.

Profundidade de durar na história do Amor: 
Para além de terra, água, fogo, ar, vibramos claramente na Meia-noite mais densa. 
Fazemos sinal com fome e sede e todas as carências transformadoras: corpo inteiro significa aproximação-de-Princípio, alguém-encontra-alguém mais dentro do que dentro. Possibilidade neste mundo: Alguém-toca-Infinito, aqui, em movimento.

Friday, August 12, 2022

Becoming water


 

God and Life Becoming One

Eros Becoming Kosmos


so vast and silent 

in my tongue

Love is becoming water 


(and Thirst so alive and whole

is the Mystery of Becoming fluidly Capable of Love

and thirsty Body so mine and thine

is one immense Tension

fullness of wings Becoming wind)

Thursday, July 28, 2022

Poema subjacente a Tudo


 Há sempre talvez um poema aqui
poema subjacente
sob a pele
sob Tudo

Poema subjacente ao corpo do meu silêncio
poema sob a pele minha
faminta cada dia
a fome vertical do meu meio-dia
poema sob Tudo
ardente cada noite
o ardor horizontal da minha meia-noite

Há sempre talvez aqui um poema oculto
Onde se esconde? quem sabe onde?

Onde está o meu mais íntimo e mais próprio Poema?
na língua mais próxima.
Tua língua escrevendo na minha boca.


Thursday, July 7, 2022

Bibliotheca - Therapia


Therapia in the Bibliotheca

Rebirth in the Library - reading my Hypothesis my flesh my wound

Possibility of nudest becoming nudest believing 

Rebirth within pages and among signs


where is love the Sublime Freedom of beginning

Wednesday, June 29, 2022

Lifeline poem-voice-touch


 ocean echoes  your pulse  in the morning
your pulse calling  approaching  disclosing First Sun
the Absolute Firstness  my silence sensing your pulse  
my faith  opening  my sailing heart  desiring Abyss
the Adventure face-to-face with the Springwaters
where ocean echoes  my First Sun
kissing my womb capable of Tsunami
one and only mouth  
around the red world my tongue
my earth bleeding as if Original

your pulse spreads my arc of healing 
multitude of winds  one and only mouth
around my silence clarifying my First Sun
Tsunami capable of world

your song here echoes  your thread
my anchor  memory  flowing voice
my lifeline surprises the naked voice
touching as if Original Poem of First Sun
returning to the bottom of Springwaters
where ocean echoes firstly in Love
despite the whole and the infinite season of fear
not understanding why the sparse anxiety of waves
season of fear against eternity 
midnight on the moon

Sunday, June 26, 2022

Birth and Growth Place


 within the truth of Ocean I must dive to clarify the junctures of life
within winds I must dwell 
my place my orbit

the signs I must write here on the bare chest as if Desire
biting equals kissing furiously

signs I write 
mouth and tongue run madly no idea why 
everything is metaphor of my heart  maybe 
signs I agitate towards the Open
winds of arrows fighting for an instant of ecstasy and fire

my angst yells  Fire  and foam of love coming through the Atlantic
my angst clarifies  Silence  and  foam of love sunbathing against Moon
oblivion threatens more than Apocalypse Tsunami

Loneliness explains the weather 
and the whole  beyond
clarity of life  

Sou ainda a Baía Aberta

 As minhas montanhas mergulham em Oceano  como o meu amor mergulha em Saudade  natação infinita de mamíferos marinhos através de mim - Baía ...