Thursday, January 9, 2025

Das Paradoxon von Angst: o instante interrogante descontínuo


 Angst: 
talvez um duelo, elevado ao Infinito das oposições e das composições.

Angst: 
Talvez Duelo, supremo ou primordial
duelo dentro do meu sangue vivo
sobre-contra-através o Projeto de Tudo e Nada em mim, infinitamente singular e universal, infinitamente comigo, contigo, connosco, convosco:
quem sou, quem quero ser, quem posso ser, quem devo ser? quem sou em mim, por mim, comigo? quem sou em ti, por ti, contigo? quem sou em nós, por nós, connosco?
quem és em mim, por mim, comigo? quem és em nós, por nós, connosco?
quem queres ser ? quem podes ser? quem deves ser?
em mim, por mim, comigo? em nós, por nós, connosco?
Quem somos, quem queremos ser, quem podemos ser, quem devemos ser?

Angst: 
um duelo, onde, 
um duelo, onde, em cada golpe, os adversários crescem 
mais fortes e mais combativos e mutuamente invencíveis, 
ninguém perde, ninguém ganha, ninguém se rende, ninguém se esgota. 
Duelo de intensidade em progressão geométrica até ao Apocalipse do Todo. 
Duelo é a energia da combustão e a matéria combustível - tudo aparentemente tendendo
para Infinito
no corpo animado de tudo. 
Duelo Inteiro Insolúvel. 
Duelo em que o infinito se fragmenta e se sintetiza em aflição
questões de aflição, questões de golpes dilacerantes,
feridas na Incompreensão que não repousam nunca. 

Angst:
É o Todo, a Intriga verdadeira e falsa: 
o Duelo talvez em toda a luz e treva, em toda a mão e boca. 
Ser é indefinidamente sem Paz, absolutamente sem Paz.

Angst: 
confrontação de mim comigo diante do Fim iminente possível. 
Qualquer instante é Capaz de Absoluto Princípio ou Fim, 
Nascimento ou Metamorfose, 
Limite ou Limiar.
Cada instante é inteiramente Capaz-de-Deus.

Angst:
Talvez Duelo: Perigo, aflição, excesso de Silêncio dentro da Palavra.
O choque de um instante sísmico: alteração total da geografia e da psicografia
instante interrogante discontínuo.
Esta confrontação contém-me.

Angst:
Reconheço-me na Alteração
comigo  contigo  connosco 
o meu mar inteiro passado, as tuas âncoras livres, as nossas bússolas no coração, 
os meus portos abertos, as tuas praias solares, as nossas Pessoas sagradas, 
tudo em perigo de Principiar infinitamente Novo ou submergir para sempre, 
tudo na aresta de um Milagre ou Abismo possível


(Imagino Édipo, pedindo exílio em terra estrangeira, após o colapso de todas as aparências de Verdade, hiperconsciente de ter vivido perdido desde o nascimento, acalmando o desejo de decifrar, aprendendo a orar sem Palavra, religando-se ao Mistério da Ignorância...)
 
(Imagino Édipo, o miserável decifrador, quase no Fim, depois de se impor a cegueira que salva o sentido de ouvir e tocar... a humildade de Logos diante de Caos: "Agora, creio ser possível saber algo sobre quem sou. Mas poderei agora viver ainda alguns dias em Verdade comigo, contigo, connosco? Poderei agora permanecer, pelo menos um instante final mínimo, nesta vida, bebendo outra água na fonte do Santuário: água de gratidão, água de perdão, água de paz? Serei agora ainda capaz de viver um instante de Primavera Nova: pensar-me e sentir-me e compreender-me e amar-me nos braços de uma filha autenticamente minha filha, íntima da minha Desgraça, sem lar no mundo senão a certeza da Passagem e da Lei de Eterna das ligações entre vidas?)

(Imagino Édipo compreendendo-se, transparente e transvidente nos olhos infinitos de Antígona... "Éramos inteligências furiosas que perseguiam a vida contra a Necessidade, confiantes nas suas forças, ignorantes da sua miséria crescente. Somos agora cósmicos, mais capazes da Sabedoria-de-respirar...")

(Imagino Édipo em metamorfose para sacerdote-mendicante-de-nada, nos instantes interrogantes descontínuos da sua última Era Finita, sempre mais capaz de pertencer ao Fogo-vento-indecifrável: sempre mais capaz de transcender a Inteligência e transcender a Fúria...  )

Wednesday, January 8, 2025

Sophia Enciclopédica & Sophia Délfica


 Sophia conhece a ondulação da angústia e a ondulação do êxtase. 
Assim, era minha mãe; assim, era e continua misteriosamente minha mãe 
numa certa voz íntima que me fala 
em cada vértice 
do dia e da noite.

Monday, January 6, 2025

Amor fati: Zwang zur Vision & Zwang zur Orgiasmus


 Love your tree, love your forest, love your wildfire
even while sleeping within the seeds within your Genesis
your infinite womb
seismic womb calling the proper name of Darkness

I am the flesh to come 
climbing from your empty stomach to your full moon
flesh of alphabets and organs and codes yet to beat
infinite flesh of future animals  

poussière de ta pierre poussière de ta chair poussière de ta peau


mémoire de poussière 
toujours encore mémoire de poussière

ta pierre   ta chair   ta peau
dans la bouche encore chaude
mémoire souffle 
poursuivant le tambour

toujours encore grains de sable
une friction sur la langue sur les yeux
contre le désert poitrine
aussi nue que folle 

ta pierre  ta chair  ta peau
mémoire souffle
après la brûlure toujours nouvelle
brûlure qui saigne comme le fleuve 
de lave

au commencement de la plaie vitale
l'Absence 
un signe d'Absence
vient de battre et d'enfoncer 
ma porte ouverte


 

Friday, January 3, 2025

Arte da Invenção


Inventar do nada
um universo inteiro ou uma antena de formiga
necessita a mesma Infinita Potência
a Ideia de uma Arte de Invenção
Absolutamente Arte de ser 

(PS: há infinito em todos os pontos e instantes da minha vida
porque cada ponto/instante é o Infinito Projeto de minhas linhas infinitas cruzadas
condensadas numa gota de sangue que ferve até vapor )

(PPS: ver um ponto é ver uma linha infinita de perfil
olhos nos olhos como quando declaramos o Amor Absoluto)  

 

frutos no código geométrico das nuvens


certas manhãs minha mãe desejava nuvens e chuva
a possibilidade de frutos no jardim

eu subia acima das nuvens
procurando a Origem de Desejar frutos
Origem de fome e sede surpreendendo a Maternidade
Desejo de açúcar de frutos entre mães e filhos

podemos admirar frutos colher frutos saborear frutos 
no ar  nas ondulações do ar onde se escrevem olhos nos olhos 
cem capítulos de línguas perdidas no labirinto
durante um milénio de peregrinação
 uma noite mais longa do que um fragmento de carta 
« recordo ainda os últimos dias que não sabiam quem eram »
a carta de despedida da Linguagem na minha mãe
sofrendo o infinito sensível:
« vou para o silêncio através do Sul »

enquanto o silêncio cresce, respiro a Filosofia mais oxigenada
acima da ideia de Tempestade Infinitamente Próxima
a ideia da construção Apaixonada na minha mãe
sofrendo o infinito sensível:
« não sei se os meus filhos saberão fazer farinha
com grãos de palavras 
olhos nos olhos » 

hoje é o Primeiro Dia no meio de uma palavra
quase somente silêncio 
fragmento de voz
fragmento de despedida

Recordo  saborear frutos no código geométrico das nuvens
um ponto uma linha um plano uma figura unindo
entre as palavras o Projeto da mãe construtora
trabalhando infinitamente o lugar do fogo 
a casa materna sempre recém-nascida
silêncio de água e fogo silêncio de terra e ar 
a verdade olhos nos olhos
nas raízes e nos troncos e nos ramos de todos os corpos 
sobretudo na altitude
nos corpos de vapor quente
corpos desenhados no Equador das paixões
pela Geometria das Nuvens (a intriga mais instável) 
corpos animados no Solstício das paixões
pela História dos Ventos (a intriga mais instável)


(PS: Produzir do nada um universo inteiro ou uma antena de formiga
necessita a mesma Potência Infinita
a mesma Paciência Infinita
porque sofrer e criar é sempre uma modulação do Infinito.
Sentir o Infinito por adição ou o Infinito por divisão pertence-me
na qualidade de carne viva em parábolas abertas às explosões solares) 

Monday, December 30, 2024

Candelabrum: infinite branches


 one candelabrum: my infinitum burning
infinitum continuum of mine

my candelabrum: infinite branches burning
branches of wood and flesh and candles
burning while time departs 
sailing abroad
bare chest

all candelabra : our infinita burning
infinita continua of ours

our candelabra: infinite branches burning
intertwining flames while wood and flesh
flourish bare chests 
our forest of forests
while time approaches
warming the groundwater of love
recovering awareness of many arts
like drinking fire

infinitum candelabrum infinita candelabra
my candelabrum our candelabra
game of flames branching time
in indefinitum
as though the Possibles were all exploding

candelabrum candelabra
drink these oils of saliva
 speechless saliva 
flowing from the secrecy boiling 
orange tree sap calling your name of juice
sugar and acid and extreme vertigo

candelabrum candelabra
the beginnings renew every instant while
language springs and falls and chases warm blood

candelabrum candelabra
my skin of wood and flesh and extreme vertigo
one's skin branching while burning against other's skin 
dust skin covers the eyes of the blind prophetess
and still the song pursues the first Sophia

candelabrum candelabra
the infinite branches are more entangled than our silence
the burning song stirs the most naked
inflammable   
depths 

Coração do jardim: frutos futuros


 a arte da invenção: há 
um jardim 
dentro
nos pulmões 
do Primeiro dia ou primeira Noite

arte da invenção: antes do Princípio
começa a linguagem
os dedos nos cabelos
desenhando
órbitas
luas novas crescendo 
frutos futuros 
no vermelho do coração
sangue futuro
Primeiro Amor

Monday, December 23, 2024

A ideia de Infinito em nós



A ideia de infinito é o Desejo de Infinito

(o Infinito é um Desejo-esperança 
Desejo-poder-de-voo 
Expectação-imaginante-de-Mundo)

 
(Nosso Desejo de Infinito é construtor de caminhos e refúgios
mais vitalmente criativo durante trevas
e monólogos dubitativos)

 
(Desejo de Infinito anima a nossa bússola selvagem 
e as nossas correntes sanguíneas 
procurando outro coração mais capaz de navegar e aportar
mais capaz de dar-se inteiro à história deste mundo)

 
(Ideia-Desejo de Infinito em nós
o poder-de-rememorar e o poder-de-imaginar
coisas de silêncio e fogo nas mãos abertas
nos pés descalços
ardendo e subindo nas nossas montanhas)

(Permanecemos em Desejo de Infinito
enquanto sofremos novamente ao meio-dia
a ignorância do tempo
Permanecemos na respiração mais lenta 
onde renascemos)
 
(Sentimos no Desejo de Infinito a duração do Sol 
enquanto regressa sempre ao corpo infinitamente
o melhor vento navegante ou alegria propulsiva
a alegria da dança dentro do perigo mais vasto
do que ser
dar a vida toda num instante)

(Somos a Poesia-de-Desejo com sentidos vermelhos 
sentidos urgentes que nunca têm repouso na Palavra
Somos ainda sempre fulgurante perigo 
sempre maior perigo de vida e morte
crescente perigo de sangue irracional 
fervendo os sentidos vermelhos do poema 
a voz irracional do sangue do poema confessa
em flagrante bruto a verdade
o crime de enlouquecer boca-a-boca)
 

Tuesday, December 17, 2024

Das Unheimliche: Perigo vital? Vitalidade perigosa?


 sou o corpo onde  de onde   por onde  faz vento de infinito
corpos infinitos ferindo e devorando o Perigo Vital

aqui faz vento de sol e vento de chuva
aqui sou impropriamente onde infinitos vivem em fluxo
meu corpo todavia infinitamente mais do que eu
mais coerente do que eu jamais

(ainda tenho medo de serpentes e da vitalidade perigosa que escorre no silêncio
advindo à luz e retornando à sombra
ondas ocultas nas cavernas de tudo)   

(sentir o movimento sinuoso e o rumor sibilante das minhas serpentes é 
estremecer, a essência corporal de sentir-me vivente)

Sublime é Haver


 A evidência de Haver surge raramente com sua violência terrível de Incompreensão Absoluta e de Fascínio Total: Haver é o Todo, Haver é o sublime inteiro com seu relâmpago infinito de dentro para fora e de fora para dentro

Quando uma sensação de Algo faz a fulguração que explode os hábitos insensíveis neutralizadores de qualquer estranheza, aflição, êxtase... 

Sou ainda a Baía Aberta

 As minhas montanhas mergulham em Oceano  como o meu amor mergulha em Saudade  natação infinita de mamíferos marinhos através de mim - Baía ...