Thursday, December 23, 2021

One's immortal body


this is the day. you are the day.
 
when we first feel the closeness of warm bodies
hands open on the breathing chest
chests open on the voice  one song invents time
all future is time present and we drink one mouth 
 
when we first imagine the distance 
space ties fibers and unties the empty interval 
among and between us  the stranded things in pain
loss of language loss of muscle and bone
all past comes to liquid eyes burning times

when we first depart  and become separable points 
the untouchable living matter collapses 
silence breaks the song

we could imagine the embracing Truth beyond
among and between us the believers the creators of Language
the best word within the best song one mouth this day
there is One's immortal body loving this language explaining flesh
the day of meaning One's flesh within the foam of love 

this is the day of the best song 
and the last before boarding waving leaving 
imagine loving bodies
plunge into one and the same river heart  

Tuesday, December 14, 2021

Passagem secreta


 
no coração ou no meio da floresta os caminhos são livres

na melodia  na harmonia  no ritmo  a alma gera o corpo

são livres os caminhos as bailarinas de Eros-em-Psyche

Monday, December 13, 2021

Uma paisagem abandonada pela hora




 travessias de mulheres
meditando um sol uma paisagem abandonada pela hora
permanece o processo revolucionário de ser oriunda de outra vida

travessias de mulheres
desde as savanas os desertos os mares mediterrâneos 
até aos rios destas cidades sombrias interrogando a ausência de crianças

travessias de mulheres
ainda no ventre o som dos mares
o desejo do longínquo ainda  

Sunday, November 7, 2021

the cycle of burning blood


 This is blood and lava: my flesh in Chaos
streams of This and cycles of This while Infinity 
explodes somehow beginning

This is blood and lava: my flesh in Chaos
between and amongst Flights underground
while we delay language silence
the word the phrase somehow await

This is blood and lava: my flesh in Chaos
beyond the aboriginal Song of Songs
through the tongue or wind or wave
the Idea of kissing and eating and perspiring

Tuesday, September 14, 2021

Deep down


 deep down sometimes
Love plunges into the depth of being born 
the other depth of being near nothingness

so deep so intimate with depth
that Love alone can draw the map of Inferno

then deep down sometimes
Love begins to merge into Song

Saturday, September 11, 2021

project of conversion


 days lapse until the whole opens the chest
my face tends to ignore clouds

the whole revelation shapes my ignorance
the future founds again All-possible-Time
 
my future lips seldom burning more than now
change of faith 
within love

Saturday, September 4, 2021

Coração do jardim


 na adolescência cresci muito no coração do jardim
sempre incapaz de dizer o corpo inteiro

e muito amei o segredo das fontes frutificando 
intimamente entre o silêncio e o canto

quando a inteligência toca na finitude da linguagem
infinita-se o espanto de nascer




Friday, September 3, 2021

a natureza noturna do fogo


um instante de repouso à beira-rio escorrendo Infinito
Desejo na vida somente Infinito
porque Infinito somente compreende Desejo
 
(as angústias são os sismos e as frações dos sismos no texto do meu corpo
as frações do corpo vacilante prometem ruínas)

O Infinito Desejante sopra nas minhas bocas incompletas
Todas cordas quase quebradas de cítaras e liras
respondem à nudez do Canto
desvelando os seios para jorrar mais sangue de sol  
nos limiares de silêncio amoroso 

sol caindo desde os lábios de nascer
sol ainda beijando no fim do dia 
entre luzes e trevas  a surpresa
antes de o mundo ser bocas somente sobre seios
 
À nudez do Canto brilha ainda mais sol de Infinito
sol desejante de corpo com frações maternas 

(as angústias são os sismos da infância deste mundo
transpiram nas minhas mãos as angústias de amar este mundo tão líquido
vacilam as minhas mãos entre as cordas de liras e cítaras 
entre os corpos de bocas absolutamente incompletas: Eis o terror de haver 
Infinito Desejante neste mundo tão capaz de Indefinido)

(as angústias são os sismos que ardem e as danças que duram  
fazendo sangrar infinitamente sol nos seios procurando a nudez das bocas 
as angústias trabalham todo o dia toda a noite nos vértices do vento 
este vento da Boca Criadora onde tanto coração colapsa
ardendo no excesso do plasma do Princípio)

há nudez do Canto 
aprendemos uma terapia antiga para saborear o segredo do rio
adormecendo nas ondas dos sismos como nas oscilações de respirar boca-a-boca
há Infinito desejante desvelando os seios todo o dia toda a noite
a sabedoria de um fogo noturno
sobe do Oceano até à fonte da língua
respira boca-a-boca

(as angústias do inexprimível são os sismos 
que ardem no êxtase 
que duram na respiração
enquanto  ) 

Friday, June 25, 2021

Duração secreta da fonte


 imagino a sabedoria do Princípio: apaixonar-se diante do mar pela Poesia 
e pela Duração secreta da fonte dentro de Poesia

Apaixonar-se enquanto a lágrima da plenitude cintila e dança e renasce
sobre a pele oceânica do mundo  
e exclamar aqui a vida passional de Aproximar-Te
a Duração secreta da Fonte-dos-Símbolos

o coração nas mãos e na boca é para Ti 
apaixonar-se na ignorância e na loucura e na liberdade 
esta manhã o Amor é um aroma de enigma onde o Infinito salva a história
despindo meu alfabeto minha língua meus sentidos de jovem mulher 
poeta jovem perdida mulher

a sabedoria do Princípio bebe a minha incerteza cruel de Palavra 
a dúvida a dor o absurdo que fluem no fundo de sangue frio ou solidão 

apaixonar-se e interrogar-se exclamando: Duração secreta da Fonte da manhã
o mar acontece na Poesia que abre a história da aliança na respiração 
as mãos tocam na boca à beira-mar

a própria força de respirar e de fundir todo o Desejo-vento em dom de poema
durando na ondulação da Primeira Vez: o Amor é a Catástrofe de Criar

a sabedoria despe a floresta ou jardim onde arde o fundo do Desejo
o fluxo das águas acontece no fundo do Desejo 
cantando o Teu Nome aqui entre as mãos e os lábios
na Duração secreta da fonte mais nua


o Amor é a Catástrofe de Criar 
a voz e o silêncio e a melodia da praia
vamos boca-a-boca clamando e beijando a Primeira Vez da Criação

Quando o Infinito era ainda a Força infantil de fazer mundo
e música de mundo e música de corpo e música de chão espumante para a nudez de Criar
a Primeira Vez a língua procura o Teu Nome colado à substância de cada instante

o Amor é a Duração da Catástrofe e da sua Ondulação  
Infinita catástrofe Infinita ondulação  
geradora e transgeradora de mar boca-a-boca 
o Infinito secretamente liga as veias da Primeira Vez às veias da Última Palavra  
o silêncio entre as mãos e os lábio transforma-nos em música
confunde-nos a matéria do Desejo e o nada de dar-se

a Poesia faz a duração de Amar nas catástrofes infinitas de Cantar 
uma harpa de espuma nos lábios que unem a Fonte e o Corpo possível
boca-a-boca

Sunday, June 20, 2021

Tronco marítimo


 Se o meu tronco é sempre um incêndio expansivo, 
quero aprender a meditar na paz inquieta desta árvore 
tão exposta a Tudo
tão enamorada de perigos
tão íntima de agitações e de vapores e de espumas de mar
Se confusamente o meu tronco mergulha no fogo vivo da nudez,
quero aprender a lentidão de mergulhar na terra e de lançar raízes nas fontes invisíveis   

Compreendo-me na fluidez subjacente das mulheres voadoras
Espero-me nas matérias femininas mais intensas e luminosas e extáticas
como se cada instante substancial fosse a paixão de nascer
no meio de corpos atraindo corpos impelindo corpos
na evidência de Sentir o universo táctil do Infinito
os infinitos vetores das infinitas espirais
das infinitas forças
em que todos os sentidos são momentos do único mistério da conjunção  

Thursday, June 17, 2021

Elegia para dançar: Durante e após o Colapso


 tantas falésias na memória de Desejar-o-Princípio

horror do vácuo vertical onde o Amor é a calamidade Maior
agitando os vulcões submarinos nos olhos que beijam a hora Obscura

tantas falésias avançam abruptamente sobre o medo carnal de mergulhar 
horror de ser só e de tocar no fundo de ser só
horror de quebrar as forças no fundo do mergulho

tantas falésias recordam o Colapso de Terra Firma no último instante

a bruma mais densa exalta-nos na alegria do fogo voador no centro do corpo
a bruma mais fecunda gera-nos e lança-nos e alimenta-nos com o Enigma da História

se dançamos a nudez integral salvamos as Línguas que beijam a hora Luminosa 
beijam com ternura furiosa todos os animais voadores
contra a vastidão indefinida de vento vácuo 

tantas falésias na voz 
minha voz diagonal escorregando na rocha 
a noite responde sempre às portas da Vertigem
repetindo a loucura de um Poema de carne ávida de tudo

tantas falésias desvelam a interrogação no peito
o Colapso de forças desde a infância
procurando a Palavra na areia materna de granito e sangue

viajar durante e após a libertação da noite à beira-mar
tantas falésias dão nome aos mares futuros que são ainda Desejo
no perigo de Alteração inteira

tantas falésias perguntam se temos as asas 
capazes de suportar o horror do vácuo até repousar no fogo 

Regressar à espuma oceânica