Sunday, January 19, 2025

Bicicleta: Símbolo vivo de Infinito-no-corpo


as bicicletas dormem à entrada do jardim: Adão e Eva pedalam apaixonados (enquanto Deus sorri e canta dentro da infância das primeiras bicicletas) 
Eva e Adão pedalam  transcendendo a solidão do Princípio
subindo às árvores voando nas copas soltando as mãos no ar
entrando nos frutos bebendo o vermelho açúcar dos frutos
beijando com as línguas mais quentes imaginando a Liberdade
ofegantes no êxtase adolescente de pedalar e beijar no jardim 
 
pedalamos sobre bicicletas confundidas com o corpo e o seu Desejo de Voar rente ao espaço vital, sentindo a pele do mundo 
pedalamos sobre dois círculos quentes ligados pela fidelidade de uma corrente e pelo ritmo de uma respiração que toca nos ventos e no ar fundamental

uma máquina-corpo roda psicofisicamente no limiar do crescimento da lua cheia, rodam todos os círculos no espaço: é preciso saborear a aerodinâmica dos círculos 
pedalamos: os pés decifram as rotações: é preciso saborear a aerodinâmica dos símbolos
pedalamos no jardim: somos dois círculos ligados pelo Símbolo de Infinito e pelo centro da uma Força, a coisa-não-coisa indecifrável

as bicicletas dormem dentro dos apaixonados à entrada do jardim - três segundos depois de começar o mundo: primeira tarde, primeira manhã
as bicicletas saboreiam o Símbolo de Infinito 
deciframos os frutos e as serpentes dos venenos: as bicicletas salvam os amores que pedalam

(o sabor da aerodinâmica treme comigo por mim 
treme connosco por nós : desejamos mais do que somos : Desejar transcende)
 
(...e o Infinito confia a sua vida nas minhas pernas e nos meus pulmões)

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