Thursday, October 15, 2020

Sinal de Alegria


 
Nascem nas águas da Fonte e da Foz as aves que lançam o Sinal da Alegria.

Em terra, um círculo de fogo persiste. Em terra, um coração inquieto persiste. 
Nexos noturnos persistem ainda na ânsia-de-voar,
 na memória de um círculo de fogo cercando o coração.
 
Sinto que todos os impérios caem e que todos os imperadores sofrem o desejo de guerra. Quero o Amor sem império, o Amor desarmado, o chão do Amor onde pousar a âncora do mundo.
Amor cresce na paz das mãos vazias e na nudez das mãos vazias. Amor brilha na pobreza das mãos abertas, na liberdade das mãos abertas, capazes de dom e carícia, no princípio do mundo.   


O melhor Poema-de-Amor será um segredo na mão aberta
e uma memória da primeira ânsia-de-voar

Lançam as aves ainda águas nascentes... 
e o mundo atinge o princípio  

Sunday, September 27, 2020

Ways

 


Here we part ways until next Spring in the Moon

I'll row upstream looking for the invisible desert around the Garden

You can remain on the mouth of the river calling the inner Ocean of future Morning


Here we part ways because of the geography of Love

cliffs   forests   lakes around love and its Flesh

we are unveiling here the body of Angst

crossing the primal courage of Longing


 

(whenever the Truth of parting ways becomes bodily unbearable 

we must write the Poem of other bodies within between and among us

other bodies of us under ways and under labors 

more capable of untying the knots of despair and flying until there is Becoming)

Friday, September 11, 2020

Veritas Poetica

Jede Liebe kann das Mass seines Leidens ausdauern. Der Umlauf des Lebens kann nur eine Revolution, eine Liebe, ständig trinken und singen. 

Trotz allem darf Liebe unsere tiefe Dämmerung lesen. Jenseits von Blumen und Frühling und Möglichkeit. Liebe sucht nach Wirklichkeit, Poesie.

»Die Poesie ist das echt absolut Reelle. 

Dies ist der Kern meiner Philosophie. 

Je poetischer, desto wahrer.«

Novalis


Thursday, August 13, 2020

Sultry palette and sultry kiss

 

some desires come here 

desiring happens like bread looking for your mouth

you recall the vulnerable bread of the first love after so long infancy and adolescence 

the fractions of bread worked by bare hands studying the texture and the temperature of every moment

the aroma is sour and you doubt of your evidence because of raw chest raw breath and you question whether underbaking belongs to the essence of not-knowing how nor why 

what next what explodes implodes undulates next

not-knowing how nor why comes here with your underbaking truth

there is a poetess looking for your mouth

you should paint your naked body with dark yellow almost blood of animals living within wildfires

when you feel the sultry palette of an uncertain sunset exploding tenderly under the sound of still closed lips doubting while approaching the arc where maybe you meet your threshold among and between new magnitudes  you are out there  your body is whole openness whole disclosure  everything is your extending skin 

desire starts the new crescendo while your essay on skin understanding demands wisdom and madness

the aroma of sun bathing and sun burning shines around your climaxes of simple thirst (drinkable first matter first flesh, only firstness is fully drinkable)

you long for a beginning a naked beginning where trembling fingers could announce new tongues capable of new wildfires beyond language

your attempt to put those desires in your mouth remains the latest enigma of this cosmos

every silent desire becomes a red stroke at the heart of this sultry idea of burning bodies

there is a sour aroma of radical longing and the much needed muscles that should come together and bring about the first matter capable of sensing desired possibilities



Friday, June 26, 2020

Aqui é o Corpo do Tempo



Aqui é o Corpo do Tempo

Tu chegas aqui e dizes poderia viver Aqui para sempre. Exclamas assim do nada. O entusiasmo exclama sobre Aqui. Ouves o teu eco e sentes que acontece. Fazes acontecer. Entras no Poder-de-Génese. Vai dizendo e acontece.

Aqui é o Corpo do Tempo

Ninguém vive aqui para sempre.
Aqui está plenamente vazio. Todos podem querer viver aqui para sempre. Mas Aqui não é uma morada. O Corpo do Tempo não é uma morada. Também não é um caminho. Nem um caminhante que faz caminho ao caminhar. Aqui é mais dentro e mais longe do que Aqui.
Aqui vais dentro e longe até Aqui. A linguagem não pode ir dentro. Não há verbo para dizer Aqui.

Aqui é o Corpo do Tempo

Tu chegas muito recém-nascida e imaginas a carícia, a mais delicada carícia. Aqui somente uma mínima carícia longamente pode acontecer plenamente. As mãos plenamente vazias da carícia podem ser o evento integral de Aqui. Tu acreditas na simplicidade de um tacto plenamente capaz de Aqui.

Aqui é mais dentro e mais longe do que Espaço

De repente Aqui mostra a nudez do Corpo do Tempo: é o vazio do Fogo.
Não há caminho nem verbo para tocar nem para aproximar o desenvolvimento do Fogo Aqui no Corpo do Tempo, sempre mais dentro e mais longe

Os lábios tocam nos lábios
Silêncio
Os lábios tocam nos lábios
dois a dois como se a Simetria fosse o Sinal

Os lábios tocam nos lábios Aqui terrivelmente 
A saliva do espanto reflui para Silêncio
O Fogo despe totalmente o Possível
Estamos nus finalmente
desde o Princípio o maior Poder-de-Génese exclama plasma
Lábios nus ante Lábios nus
Nu feminino Aqui no Corpo do Tempo
Silêncio

Aqui é o Arco do Fogo

Plasma aberto onde tu descobres o Sinal do absurdo
uma tatuagem sobre o peito e um alfabeto Felino
capaz de significar mais dentro e mais longe Aqui

o Felino-em-Ti é a metáfora da Descoberta do Corpo 
capaz de arder 

Thursday, June 25, 2020

Opening Ways



 

There is way. There are ways opening ignorance.
People come here to open their chests against languages.

My tongue cannot touch your language. You define the coming, the truth of coming.
I go back to where I remember going back to...

Birds have no imagination to begin with. Every wing keeps opening ways all around my finite chest.

In the beginning we remain within the shape of hope fulfilling...
Then, you know perfectly how to engage in the flux of silence while questions approach...

Are you willing to begin Space 
otherwise than maze? 

As Montanhas do Fundo



os oceanos são o corpo próprio da minha fronteira inquieta

toda a direção do Sol se dissolve na ondulação

cada onda interroga o movimento sobre o seu Nascente e o seu Poente, 
cada onda é um vetor-momento que faz acender o amor da luz
cada onda responde antes do esforço de compreender
porque existir-no-corpo-da-onda gera o espaço
corpo-bailado-onda

Ir é permanecer  

Quanto Desejas de Infinito e de Incógnita? 

As Montanhas do Fundo vibram no íntimo dos oceanos sempre capazes de novos vulcões onde nascem novas ilhas
O mundo é uma semente sempre em confusão germinativa, excedendo o corpo denso anterior

Compreender é amar com inteligência 
o corpo próprio de cada onda compreende o meu esforço de compreender o ritmo
a Inquietude Original de Indefinidamente sentir 

Monday, May 18, 2020

Medo da lágrima sob a Ponte



. Sobre o medo da lágrima

 

 

uma gaivota é uma metáfora de outra Alteração

e cada símbolo gera outro símbolo... a vida embarca em símbolos…

a vida escreve  desenha  esculpe  símbolos à flor da pele

 

os símbolos noturnamente trabalham sobre o medo

na espiral de sonhos novos

a arte dos símbolos e a arte dos sonhos incendeiam o caminho

surge  o afeto  o motor do afeto e seu ruído sem Fala

vozes de animais dentro de animais

a devastação confusa da lágrima

Alteração de Ritmo e de Espaço

Corpo-a-Corpo  cada Símbolo vive Aqui  Desejante  Nudez no seio

cada Símbolo arde Aqui  afeto Desejante  Caminho Onde Porquê?

o Amor descobre Onde Porquê a falésia gera Símbolo-nu-Corpo

perseguindo a Desejante perseguição

dando a vida nua ao Mar

de gaivota em gaivota... mergulhando Símbolo-nu-Corpo

outro fogo florestal cerca a casa  sopra outro vento nas copas

 

não tenho medo da lágrima... chorar abre a respiração…

a lágrima lava os olhos e os textos... fica tudo mais iluminado...

o medo de florir. o medo de demolir. o medo de abrir. o medo de partir. 

o medo de ferir.

todos os medos soltam as âncoras na fome de encontrar-Me

escorrem Aqui na Desordem dos laços à flor da pele


Thursday, May 14, 2020

Hora de Viagem



Como mulheres escravas manietadas, 
as minhas viagens entre Meia-noite-Meio-dia 
são Alteração irreversível na nudez.
Cada hora de viagem bate, cresce, morde, 
queima, ensina, abre, 
sopra… Fica tudo
escrito no corpo, para sempre. Dizem que passam horas, 
mas não passam nunca,
as horas são forças geológicas, põem-se
 e sobrepõem-se, geram paisagem
sobretudo montanhas e abismos: a pele do espaço.

As horas nunca passarão. Se passassem, o mundo
não seria esta hemorragia
que não para de submergir-se a si própria. 
Se as horas constroem
ou desmoronam, obviamente ninguém sabe, 
mas sabe-se que não passam.

Não passam nem nunca passarão. 
Que horas são? Que tempo faz?
A pele nua interroga, a pele nua responde.

Está escrito dentro.
No Sol mais fundo da Derme

(o palimpsesto cresce Biblioteca
estratos infinitos de sentidos
entre a Epiderme e o Absoluto)

Tuesday, May 12, 2020

Sobre o medo da lágrima




Sobre o medo da lágrima

uma gaivota é uma metáfora de outra Alteração
e cada símbolo gera outro símbolo... a vida embarca em símbolos…
a vida escreve  desenha  esculpe  símbolos à flor da pele

os símbolos noturnamente trabalham sobre o medo

na espiral dos sonhos
a arte dos símbolos e a arte dos sonhos
 devastam o caminho

surge  o afeto  o motor do afeto e seu ruído
 sem Fala
vozes de animais dentro de animais
a devastação confusa da lágrima
Alteração de Ritmo e de Espaço

Corpo-a-Corpo  desejando Onde Porquê o Desejante caminho
perseguindo a desejada perseguição
dando a vida nua ao Mar
de gaivota em gaivota...
o Amor descobre as falésias Onde Porquê o Desejante
o caminho sobe Corpo-a-Corpo até Onde 
escorre o espaço  a Desordem das forças sem Fala
os laços à flor da pele projetam uma Fonte na Hora Inflamável
a aflição da lágrima respira ofegante ao Meio-Dia
o persistente Dom-da-Vida agita-se nos seios

outro fogo florestal cerca a casa  sopra outro vento nas copas

não tenho medo da lágrima... chorar abre a respiração…
a lágrima lava os olhos e os textos... Tudo mais iluminado...
o medo de florir. o medo de demolir. o medo de abrir. 
o medo de partir. o medo de ferir.
todos os medos soltam as âncoras 
na fome de encontrar-Me
escorrem Aqui na Desordem dos laços 
à flor da pele

Regressar à espuma oceânica