Friday, June 26, 2020

Aqui é o Corpo do Tempo



Aqui é o Corpo do Tempo

Tu chegas aqui e dizes poderia viver Aqui para sempre. Exclamas assim do nada. O entusiasmo exclama sobre Aqui. Ouves o teu eco e sentes que acontece. Fazes acontecer. Entras no Poder-de-Génese. Vai dizendo e acontece.

Aqui é o Corpo do Tempo

Ninguém vive aqui para sempre.
Aqui está plenamente vazio. Todos podem querer viver aqui para sempre. Mas Aqui não é uma morada. O Corpo do Tempo não é uma morada. Também não é um caminho. Nem um caminhante que faz caminho ao caminhar. Aqui é mais dentro e mais longe do que Aqui.
Aqui vais dentro e longe até Aqui. A linguagem não pode ir dentro. Não há verbo para dizer Aqui.

Aqui é o Corpo do Tempo

Tu chegas muito recém-nascida e imaginas a carícia, a mais delicada carícia. Aqui somente uma mínima carícia longamente pode acontecer plenamente. As mãos plenamente vazias da carícia podem ser o evento integral de Aqui. Tu acreditas na simplicidade de um tacto plenamente capaz de Aqui.

Aqui é mais dentro e mais longe do que Espaço

De repente Aqui mostra a nudez do Corpo do Tempo: é o vazio do Fogo.
Não há caminho nem verbo para tocar nem para aproximar o desenvolvimento do Fogo Aqui no Corpo do Tempo, sempre mais dentro e mais longe

Os lábios tocam nos lábios
Silêncio
Os lábios tocam nos lábios
dois a dois como se a Simetria fosse o Sinal

Os lábios tocam nos lábios Aqui terrivelmente 
A saliva do espanto reflui para Silêncio
O Fogo despe totalmente o Possível
Estamos nus finalmente
desde o Princípio o maior Poder-de-Génese exclama plasma
Lábios nus ante Lábios nus
Nu feminino Aqui no Corpo do Tempo
Silêncio

Aqui é o Arco do Fogo

Plasma aberto onde tu descobres o Sinal do absurdo
uma tatuagem sobre o peito e um alfabeto Felino
capaz de significar mais dentro e mais longe Aqui

o Felino-em-Ti é a metáfora da Descoberta do Corpo 
capaz de arder 

Thursday, June 25, 2020

Opening Ways



 

There is way. There are ways opening ignorance.
People come here to open their chests against languages.

My tongue cannot touch your language. You define the coming, the truth of coming.
I go back to where I remember going back to...

Birds have no imagination to begin with. Every wing keeps opening ways all around my finite chest.

In the beginning we remain within the shape of hope fulfilling...
Then, you know perfectly how to engage in the flux of silence while questions approach...

Are you willing to begin Space 
otherwise than maze? 

As Montanhas do Fundo



os oceanos são o corpo próprio da minha fronteira inquieta

toda a direção do Sol se dissolve na ondulação

cada onda interroga o movimento sobre o seu Nascente e o seu Poente, 
cada onda é um vetor-momento que faz acender o amor da luz
cada onda responde antes do esforço de compreender
porque existir-no-corpo-da-onda gera o espaço
corpo-bailado-onda

Ir é permanecer  

Quanto Desejas de Infinito e de Incógnita? 

As Montanhas do Fundo vibram no íntimo dos oceanos sempre capazes de novos vulcões onde nascem novas ilhas
O mundo é uma semente sempre em confusão germinativa, excedendo o corpo denso anterior

Compreender é amar com inteligência 
o corpo próprio de cada onda compreende o meu esforço de compreender o ritmo
a Inquietude Original de Indefinidamente sentir 

Monday, May 18, 2020

Medo da lágrima sob a Ponte



. Sobre o medo da lágrima

 

 

uma gaivota é uma metáfora de outra Alteração

e cada símbolo gera outro símbolo... a vida embarca em símbolos…

a vida escreve  desenha  esculpe  símbolos à flor da pele

 

os símbolos noturnamente trabalham sobre o medo

na espiral de sonhos novos

a arte dos símbolos e a arte dos sonhos incendeiam o caminho

surge  o afeto  o motor do afeto e seu ruído sem Fala

vozes de animais dentro de animais

a devastação confusa da lágrima

Alteração de Ritmo e de Espaço

Corpo-a-Corpo  cada Símbolo vive Aqui  Desejante  Nudez no seio

cada Símbolo arde Aqui  afeto Desejante  Caminho Onde Porquê?

o Amor descobre Onde Porquê a falésia gera Símbolo-nu-Corpo

perseguindo a Desejante perseguição

dando a vida nua ao Mar

de gaivota em gaivota... mergulhando Símbolo-nu-Corpo

outro fogo florestal cerca a casa  sopra outro vento nas copas

 

não tenho medo da lágrima... chorar abre a respiração…

a lágrima lava os olhos e os textos... fica tudo mais iluminado...

o medo de florir. o medo de demolir. o medo de abrir. o medo de partir. 

o medo de ferir.

todos os medos soltam as âncoras na fome de encontrar-Me

escorrem Aqui na Desordem dos laços à flor da pele


Thursday, May 14, 2020

Hora de Viagem



Como mulheres escravas manietadas, 
as minhas viagens entre Meia-noite-Meio-dia 
são Alteração irreversível na nudez.
Cada hora de viagem bate, cresce, morde, 
queima, ensina, abre, 
sopra… Fica tudo
escrito no corpo, para sempre. Dizem que passam horas, 
mas não passam nunca,
as horas são forças geológicas, põem-se
 e sobrepõem-se, geram paisagem
sobretudo montanhas e abismos: a pele do espaço.

As horas nunca passarão. Se passassem, o mundo
não seria esta hemorragia
que não para de submergir-se a si própria. 
Se as horas constroem
ou desmoronam, obviamente ninguém sabe, 
mas sabe-se que não passam.

Não passam nem nunca passarão. 
Que horas são? Que tempo faz?
A pele nua interroga, a pele nua responde.

Está escrito dentro.
No Sol mais fundo da Derme

(o palimpsesto cresce Biblioteca
estratos infinitos de sentidos
entre a Epiderme e o Absoluto)

Tuesday, May 12, 2020

Sobre o medo da lágrima




Sobre o medo da lágrima

uma gaivota é uma metáfora de outra Alteração
e cada símbolo gera outro símbolo... a vida embarca em símbolos…
a vida escreve  desenha  esculpe  símbolos à flor da pele

os símbolos noturnamente trabalham sobre o medo

na espiral dos sonhos
a arte dos símbolos e a arte dos sonhos
 devastam o caminho

surge  o afeto  o motor do afeto e seu ruído
 sem Fala
vozes de animais dentro de animais
a devastação confusa da lágrima
Alteração de Ritmo e de Espaço

Corpo-a-Corpo  desejando Onde Porquê o Desejante caminho
perseguindo a desejada perseguição
dando a vida nua ao Mar
de gaivota em gaivota...
o Amor descobre as falésias Onde Porquê o Desejante
o caminho sobe Corpo-a-Corpo até Onde 
escorre o espaço  a Desordem das forças sem Fala
os laços à flor da pele projetam uma Fonte na Hora Inflamável
a aflição da lágrima respira ofegante ao Meio-Dia
o persistente Dom-da-Vida agita-se nos seios

outro fogo florestal cerca a casa  sopra outro vento nas copas

não tenho medo da lágrima... chorar abre a respiração…
a lágrima lava os olhos e os textos... Tudo mais iluminado...
o medo de florir. o medo de demolir. o medo de abrir. 
o medo de partir. o medo de ferir.
todos os medos soltam as âncoras 
na fome de encontrar-Me
escorrem Aqui na Desordem dos laços 
à flor da pele

Sunday, April 19, 2020

Ser: Dever-Criar



Cada instante é ondulação vital 
entre Inexprimível e Exposição

Toda a Arte permanece nesta ondulação
o Inexprimível é o Universo-em-expansão

Todo o gesto criativo quer ser a Nudez e o Dom
dessa Força-Sentido

O Inexprimível concentra-se no dorso da onda 
e expande-se no espaço novo
Os corpos das obras criativas mergulham no Inexprimível


(Os jovens poetas sofrem a fúria dos crocodilos 
nos instantes mais vorazes da Arte 
sentem a turbulência carnívora na revolução de água salgada
e no núcleo da espuma a fome é a agitação
A boca dos jovens poetas morde a espuma onde cresce a fome Por isso no quarto dos jovens poetas há transpiração vermelha e pedras que sangram nas paredes
A fome ganha sempre mais fome
Por isso na aprendizagem dos poetas há uma alegria crescente no deserto e no jejum dos herbívoros)   

Wednesday, April 15, 2020

Détresse originelle


L'origine retourne après trois fugues d'adolescence
Le retour s'interroge pourquoi et pourquoi pas
L'interrogation aspire à la découverte

et si par hasard un coup de dés brisait le hasard avec un signe qui pleure expressément parce que le monde existe et me dépasse et me condamne à la passion : cet être-de-besoin 

si donc un coup de dés jouait ma vie condamnée à la passion depuis ma première peau
presque membrane de sang rouge rose incolore 
une-vie-instant-de-souffle où tout se croise et se donne presque

(prière d'insérer l'intelligible dans la détresse de l'origine discontinue : la bouche aveugle tâtonnant le Mythe muet des seins :
théorie du texte de la passion avant la texture de Chant :
Rite de liberté passionnée) 

si le coup de dés et de doigts et de seins de personne éclatait ici et brillait ici au coeur du langage comme si par hasard le visage engendrait la larme qui manquait entre le soi et le vide (l'air du monde, l'indéfini non-à-soi) 
alors on comprendrait peut-être la vertu du Désir dans le Mythe
on comprendrait aussi peut-être comment et combien une larme a lieu de son propre fond entre le sang la peau et l'air-à-nous

la détresse originnelle lance le pont et offre le gouffre à la surface
du sensible touché et disjoint
indéfiniment 
à jamais
par hasard une larme venant d'un événement absurde joue sa loi d'apparaître et de signifier
la larme légifère et transgresse

ça fait la larme : la rebellion du sensible : le coup de dés du Hasard touchant la fine la plus fine peau des yeux :
un mouvement de l'air met en branle des Possibles : une température plus basse frémit lentement touchant les yeux : sans pourquoi quelqu'un venait d'ouvrir une porte quelque part appelant l'ouverture sans aucun projet de passer ni de rentrer ni de sortir, juste un dialogue-projectile-sans-projet entre les mains et la porte de l'autre côté de la maison et du monde
le corps se pose comme seuil : seuil crucial : surgit la chair de son fond

La larme se trouve s'anime s'occupe du seuil et de l'humus peut-être
La larme cultive la chair : le sens ouvert qui commence à signifier la première interprétation génératrice de chair 
cette surface profonde qui vient du début du monde jusqu'ici exposée à la force de l'indéfini, force de quelque chose, un quantum d'énergie quelconque, un quelque chose ou quelque non-chose, ça fait sentir la chair comme lieu sensible ouvert où se déclenche l'avènement de tout nexus
ça peut pleuvoir ou brûler ou venter

L'origine souffre du Dehors 

Tuesday, April 14, 2020

Possibilité du printemps


Tout peut recommencer: 
...
la saison du possible reste Ouverture
il n'y a pas de Demeure pour le Chant-Souffle
le Poème n'a rien de Maison ni de roc ni d'ancrage

ce qui ne demeure jamais se fonde sur le Chant-Souffle

Tout peut recommencer : Autrement que secret et détresse.
Autrement que fleuve, autrement que mystère 
ou úterus absolu.
La fin du monde avance peut-être ou transpire peut-être
la fin du monde dénudée flagellée tendre elastique 
avance encore peut-être et transpire 
de tant avancer et de tant danser encore
à notre secours. 
Mère des secrets et des détresses, la fin du monde
s'attarde ici dans ma chair persécutée par les renaissances.
La fin s'éveille dans la bibliothèque après la nuit blanche du désespoir de désirer autre combat autre passé autre forêt

La lecture intégrale de la bibliothèque ne suffira
jamais 
pour choisir une fable plus puissante 
contre le doute des sources, contre le sommeil des villes
Le savoir de la Poésie est Dehors
la cruauté du Dehors apparaît comme Présent

Tout se joue dans la maîtrise du silence
(l'écriture est une technique future
qu'il faudra détruire sans pardon)

L'incendie de la cathédrale ouvre le paysage.
La bouche barbare de l'incendie propose aussi un symbole
un Désir indéfini de quelque chose
une jouissance qui préfère la boue absurde des bêtes

Tu dois choisir le sens de l'incendie
et tu dois faire ton lit avec ton sens et couler ta vie 
dans ton lit
Maintenant repose-toi sur la possibilité du printemps
autrement qu'habitude
simple règne du retour de l'équinoxe
la Poésie devant nous : l'heure exacte du Passage
début ou fin d'une ère
D'autres poumons apprennent le souffle 
pas encore


le temps de la Poèsie devant nous
le temps des Vaisseaux et leurs errances 
hallucination des Indes sous les Cartes partout
mais les Cartes ne comprennent cette folie de Désirer
La Poésie devant nous écrit le Besoin
écrit déluge, écrit la paix après-déluge. Tu peux écrire ta page rouge ou noire. Tu peux être la boue féconde
rouge ou noir 
Tu peux chasser la beauté ineffable et donner ton chant autrement que simple voix
Événement sur le lac de ton plexus solaire

Tout peut recommencer ou éprouver le vide 
et la plénitude du vide : le secret et la détresse
recommencement

Autrement que force et effort et muscle
et autrement que jeunesse cris de jeunesse et autrement 
que douleur de jeunesse qui tombe sur le tambour et qui s'emporte jusqu'à l'aube ou l'appel, soumise à quelque intensité imposante...
Tout peut s'écouler et se densifier
même les pierres du quais qui souffrent tellement
leur soif si proche du fleuve.

Au long du fleuve, il y a un certain vide qui parfois menace de modifier l'ordre et la valeur de tout.
Les lois restent féroces dans le texte. Je ne comprends pas les lois. Le sens des lois circule partout. Je préfère que les mots dansent autrement. J'entrerais dans le tambour de la danse 

tout peut recommencer : autrement que changer sa vie avec la force du désespoir.

 Mon devoir : ne pas songer à Éden, demeurer sur le galope moderne, ramener le soleil possible sur la chair de la langue.
Il y a les corps capables de passage et de chant.
La menace est manuscrite sur la peau. La menace interprète la température et l'électricité des surfaces.
Une perte du désir de beauté illumine cette rive et cette intimité, autrement que lumière.
Les vaisseaux de l'angoisse sont libres, imagine le besoin d'un nouveau déluge, et d'un rythme régulier de déluges multiples. L'idée d'angoisse produit beaucoup de matière et d'orbites...
Tout peut se rattacher à l'idée d'angoisse. Tous les symboles peuvent se rattacher à tout ou presque. L'amour enveloppe le mystique et le charnel, le furieux et le tendre, sans subir un siècle de crise

On peut presque Tout:
même s'extasier avec l'angoisse de l'incendie
et la destruction absolument moderne de l'Air
(j'ai vu les mendiants armés de Plaisir)

Tout peut recommencer: 
autrement que mémoire possession vérité
L'amour multiplie les versions de ses manuscrits,
l'amour peut encore frapper enlever et devenir fou
autrement que répétition d'origine autrement que carence de nouveauté  

les Cartes innondent les vaisseaux 
un autre Art de navigation anéantit la Perte de Sens 

Monday, April 13, 2020

A Possibilidade da Primavera


O Possível é a juventude do mundo
porque a Juventude liberta a imaginação

(a memória jovem é quase-Nada, senão 
crer na Verdade de Imaginar o Melhor Possível)

Sou ainda a Baía Aberta

 As minhas montanhas mergulham em Oceano  como o meu amor mergulha em Saudade  natação infinita de mamíferos marinhos através de mim - Baía ...