Tuesday, December 4, 2012

here two lips

Here two lips, at least two, lay ground for poetry of young fruits.
I revolve around Thee, longer than burial of stars, longer than real Me, when tears and kisses merge afresh. Here two lips bleed while kiss, as though eyes were burning through the ferocity of not-ashes... two lips, red skin of fruits, to devour all I whisper, all I tie with saliva to offer Thee, entirely, First Moon.

My throat weeps much deeper than myself, much freer than the songs of myself. 
Two lips. Here, tangible line from breasts to springs, It marks our bottomless symbols. 
I exist in your forgetting the troubled midnight where I weave, weave the gleams and rivers of at least two lips, unspoken. 
I insist on possible pasts and potential futures, and the tongue overflows bittersweet. Lips show humidity, bittersweet. in the breaking of dawns, I am the broken trunk that despairs of you. and the rains are we, and the snows are we. on the mouth, I write the tongue to nourish Eros while oceans and I perish, trail of electric debris...
If I could despair of you over the breasts where the fable begins or over the shores where the threads of beginings tirelessly do and undo my layers of skin...

two lips again at least, two always at least, nameless power anchored in Here. I know the rhythm of It. I have no word to dance It. I speak to the flesh while lips bleed so dreamily, as though kissing and hurting Infinity. 



Monday, December 3, 2012

lábio inferior


Dizer hoje que o lábio inferior caiu sobre um outro sentido do espaço vazio. Dizer que alucino hoje uma era primitiva sem queda do lábio inferior para o silêncio circular do meu caos. Dizer que poderia criar outros lábios de outra carne mais íntima do fogo, porque só o fogo acalma a minha floresta verde. Dizer que morder o lábio é o outro beijo, antes e depois da tempestade. Dizer não posso agora. Tenho a boca contra a pele incandescente do caos que vem com outros ventos adversos, sob a pele. Desdigo tudo o que carece da saliva que humedece o lábio inferior. E bebo aquele salmo descrente em que o louco diz "Não há nada dentro do vento, apenas fúria".
Ainda não disse hoje que te amo, porque a minha gramática do verbo amar não autoriza tempo, nem espaço, nem modo; somente um romper bruto de aurora no meio dos lábios até ao cerne de arder. Tudo o que arde cura. Tudo o que ama arde. Tudo o que ama cura. E a floresta desdiz o húmus com bandos de aves de Ânsias e de Elipses...
O caminho tropeça nos pés e as pedras correm para lava, se digo hoje que recomeço da boca, o vermelho do lábio inferior, sangrando de nada.

Sunday, December 2, 2012

lábios

dois lábios sempre, pelo menos dois

aprendo ou desaprendo sempre o caminho e a pedra no meio do caminho onde somente não sei.

a linguagem de tocar ambos lábios com outra língua mais líquida do que eu e não-eu.





Tuesday, November 27, 2012

always two lips, at least

if you approach understanding, you shall touch.
my mouth is many, in multitude of languages, still unfolding over bodies, through their origins, whenever whenever whenever It vibrates

lips kiss and bleed
fiercely at first tenderly at once and without alphabet under the first waves under skin

if you loose abyss, you begin longing the silent touch
lips, always two at least, retouch and set fire on the edge of It whenever whenever whenever It vibrates

until bleeding flows from kissing retouch
undone unbeen unhad
foam alone is It
  


Monday, November 26, 2012

elegia do Exterior

uma porta fechada entre um lábio e outro lábio faz abismo aqui fora.
poderei morrer de ser-sem-chave nem repouso de lábio sobre lábio.

aprendo a morrer no feminino, à porta. corpo de claustro. hora de febre.
aprendo a secar em mim tudo o que escorre até ao último vapor de boca.

closeness

dreaming and drumming are so close because of 
the hands on the skin

both hands 
and their gentle radiations 
or strokes or fever
on the skin 
other than me
ever new spring

origin of lips for infinite languages

tongues will come like inner flames


Monday, November 19, 2012

tantas luas, uma noite

a lua pode
nascer e morrer
na mesma noite, segundo o vento.
tantas luas quantas as veias
tantas veias quantas as línguas

a lua bate nos sentidos contrários, de um lábio para outro

sem a bússola animal do beijo, somente a boca torrencial

somente a voracidade, somente,
a lua pode semear e colher
na mesma noite
a alegria cega da chama

a colisão da chama contra a Noite
de Eros que explode, implode, explode, implode,
com o ritmo das ondas, tuas, contra o peito, meu.

a lua pode nascer e morrer na mesma fuga.
sei que foges da Origem para melhor dormir.
foges em círculos entre a língua e os dentes
e bates sobre aqui com agora

tu bates na pele dos frutos,
tantos frutos quantos os sonhos da Fonte.
bebemos bastante até chover, nós-chuva

Sunday, November 11, 2012

breaking up, breaking down, breaking through

regardless of the verses, my animals predate my forests and orbits... the broken polygon of Love, ad libitum...
again here. the new shade of the burned skin. this is the pre-history of dreaming.

Thursday, September 27, 2012

autumn in the womb

it's autumn in thy womb, Lady of Silence and Waters. It rains across your womb, Laby of Blind Fever. I am against while it blows alone, abroad, where woods of flames perish. your skin howls and whines, here, in the watery hours of naked timber, my limbs, undone, like grains into humus. the path, the footsteps, the broken tongues, uncreated breath, it rains overall. corpse is not the field where. do not weep, Lady of Autumn-in-me. do not weep but speak of leaves and call for birds that persist longer than the poem

ninguém dentro da flor

ninguém dentro da flor fala de morrer. mas eu morro como a flecha de Deus rasgando o fundo do medo. sou inquieta e transpiro de interrogar-me sobre, contra, através, desde. todos os animais vêm lamber os meus lábios cortados de sílabas incriadas, inertes, de tão incógnitas de mim para mim. estranho é o fôlego da rosa no meu útero trémulo de não-gerar a contra-corrente de ser-rio e arder sem-leito. sonhei com lobos que me comiam e que eu comia numa mastigação recíproca, além-melancólica. conto-te a história de uma nascente que secou até ao sangue. arrepio-me de dizer. eu entrego-me aos animais com a cegueira explosiva das labaredas e das lâminas. não há animais bastantes para morder inteiramente a minha carne. num instante compacto de vibração e de choque. todo o húmus da pele se transsubstancia  em energia e halo. sou o perigo do corpo fluir completo em espuma e vapor. invento o sentido carnívoro da atmosfera e expiro dentro da saliva de Deus, Tu, ó Cântico de Ar, Instante onde sangra e exorbita toda o apocalipse, coração inexplicável que bate mais depressa do que viver. sinto banhar o tempo na minha dissonância. nasci Contigo, no texto que não sabe rastejar longe da lua. a Tua mão é. a hora bate no tambor dos símbolos. amo-te até à fruta madura. e mordo o tronco de alegria 

Wednesday, September 26, 2012

fome bruta

a boca come a boca. tu comes-te. a fome come-nos, mulheres cruas. comemo-nos da placenta ao cabelo, da pétala ao espinho, escorremos na ideia de fruto. ardemos do hálito até aos ossos. e o rio bebe a nossa confusão de Desejo e Carência. 

Regressar à espuma oceânica