Saturday, September 14, 2013

Climax - Alpha






Limiar do Livro das Respirações:


…cada fôlego tem um cavalo no limite do obscuro cantabile.
Inspiro-expiro   inspiro-expiro   inspiro-expiro
sou sempre este instante de ritmo incessante
incessante  ritmo incessante  sou sempre o Instante
onde treme a veia e o nervo do meu cântico.
Em cada fôlego  perco o fôlego  agito-me ofegante
em cada fôlego  toco no Clímax  e combato contra a realidade
contra mim  a vida toda  e acontece-me  aqui  
o Absoluto Eros…

sou uma respiração que me desenrola as fibras do mundo.
Venho escrever para ninguém  alguém  tu  
o Cântico  boca-a-boca.
Bebe-me a sede tão perdidamente sem nome. 
Dói o Alpha de nascer.

Respiro sem rosas no útero  
somente o segredo da manhã  somente
uma mulher inacabada bebendo a vida gritante 
do cavalo alado.
E começa minha mão a tocar-Te  na argila 
do silêncio enorme
e no fundo da vida  o Cântico acontece-me  
chorando de júbilo.

Respiro o dom livre da duração. 
Alpha continua além-Deus.

Sou uma madrugada manuscrita 
e o texto continua sentindo a fonte.
Em cada fôlego  sou mais ardente e futura e outra: 
ritmo do dorso.
Entro no corpo das vibrantes águas para mergulhar
só mergulhar na fúria e na ternura.

Não sei agora onde Mares de fim 
ou onde Mares de útero  hão-de ser-me.

Digo o primeiro alfabeto de Existir  

a plenitude de nascer além-Deus.



Post-Climax

Bebo a tua luta feroz com a vibração última
sofro  contigo  comigo  as sílabas feridas de segredo


Perguntas-me o que tenho feito. Absolutamente nada. Bato à porta em mim em ti e espero inacabado o Princípio ou o Fim do Mundo. Não compreendo as ruas nem as grutas por Onde as noites nos passam. Somos insónias com artérias comunicantes. Entro lentamente na nudez infinita e quero o fluxo do longe. A minha obscuridade fala com os teus pássaros  a linguagem terrível dos tambores. Vivo a catástrofe  da outra margem do segredo. As raízes rebentam a terra até salvar o intangível círculo no meio do grito desejante. As palavras carnívoras libertam as linhas tensas da respiração  no limite de perder tudo. Somos obscuros cânticos de passagem. Uma voz arfante  dança  e banhamo-nos  frágeis  aqui no limite estamos no âmago conexos à superfície das primeiras águas  hálito de  cintilância sobre o centro.

Adivinho no teu útero  as primeiras águas. Meu esforço é o perigo íntimo da meditação sobre o nada enquanto levamos à boca toda a saliva do mistério ávido de ciclos escorrendo elásticos. Há girassóis abrindo o Mundo. Há trevas em mutação no nosso relâmpago. Há uma flor nova  incessante  no ar. Boca na língua  somos  uma pergunta no cerne do fruto.
Os cavalos galopam dissipando trevas  no ar do êxtase.   as crinas inflamáveis tocam nos teus seios futuros.  Amo-te.  Madrugada de pele  terrivelmente  ligada à fome e à sede e à loucura. Ainda dentro das pedras  ou do Eclipse  já éramos o fogo cru da Força viva  e o incêndio nos cabelos nas curvas nas letras.  Somos nus e rastejantes  até ao rio por Onde cantamos  à flor da pele. Atiramos o coração para o oculto sem voz.  Adormecemos na viagem que transborda de sol através dos gestos. Somente.

Tocamo-nos tanto no sopro na fuga no teto. 

Continua a invenção da lua cheia.   





Climax

É tão triste morrer de Desamor na minha idade  
estremecem  minhas aves em pleno voo marítimo

No ar que inspiro  quero  a tua boca  o plasma dos fogos que amanhecem no meu grito
A minha boca  na tua boca  expira até ao silêncio da sombra e da cinza nesta escritura

Uma invisível lira lança flechas contra os claustros do meu delírio. Vamos dentro do sol absoluto.
Come e bebe  este livro  minh’alma de outrora  que prossegue sempre a mesma inquieta quimera.
Sou o medo do próximo instante  a loucura do tacto contra a escura aflição dos frutos do ventre
e os meses lunares e as fracturas dos afectos e as obras da carência e os ritmos animais desfloram-nos
as flores que somos e não somos. no jardim e no êxodo e no cárcere aprendo a amamentar o poema.
Levamos o silêncio à boca  aqui.  outro corpo novo  acontece  comigo contigo. Alpha dói.

A Princesa Desalento tece novas mágoas  nos fios de água da fonte  Onde  perdidamente ficciona
Onde  sonha e deseja um Sinal  como um beijo-selo que transforma boca a boca
o Caos os amantes
em Amor Abissal
pulsação de Palavra e Argila nas ondas do Instante
para sempre ou para nunca  escrevo com o corpo todo  colado à Incógnita Energia-Prima da espuma

Sou o Instante  à-beira-de-Onde  na fúria do Possível. Entrego-me para arder na Desordem. 


quero a febre do clímax  apocalipse  
quero pássaros  
contigo 
comigo



Tuesday, August 6, 2013

uma mão para dar

enquanto a tua mão quiser. 
eu serei a outra mão que segura no Aberto a violência do Desejo. 

quero-te mais viva do que Aurora. minha mão procura a areia fervente do abismo. o fim dos caminhos de floresta. dentro da nuvem vazia. sobre mim submersa de jamais. um muro de vidro elevando a Melancolia do Jardim até ao último tremor de incerteza. não sei que mão vazia poderá escrever e arder sobre a tua pele. tenho numa mão para dar a cada instante. esta mão é para ti, enquanto a tua mão quiser. 

a mão segura a mão que segura tanto intangível.
transpira a mão que segura a mão. 
transpira o mundo segurando nossas mãos no Desejo. 
com as cordas da voz, da guitarra, da ponte, das fibras oscilantes sobre o abismo.   



femme oiseau maintenant

la femme-oiseau est le chant nouveau encore liquide que je bois, au-delà du monde, chez toi, comme la dernière racine qui se nourrit d'Absolu, comme le livre de géométrie qui m'apprend le point, la ligne et l'infini, chez toi. 

la femme-oiseau dessine la sphère ouverte de l'infini sur ma peau. 
semence liquide qui saigne d'autres Possibles que les sens ignorent. Avenir plutôt que Néant: diriger mes pas vers l'Inachevé.   




femme oiseau encore

la femme est l'oiseau après Déluge
le signe intime qui renoue les contraires sur la poitrine rose
lait et miel coulent de ta source, femme-oiseau, Kaos et Kosmos

libère les ailes de tous les corps du monde pour que la chair touche encore autre feu
libère les ailes du combat et du chant. Ici brûlants. encore autres.

touche-moi. texte de pluie. touche-moi. la chair du feu. 
la femme-oiseau est, depuis Nuit, sera, outre Nuit, mon Déluge.   





femme oiseau

la femme est l'oiseau du Matin où le Temps est tout Avenir


Tuesday, July 9, 2013

mulher com felinos ao amanhecer


 aqui. quero mulher com felinos ao amanhecer.

Os meus pulmões exultam pela tua atmosfera onde nascem frutos que sabem o nome da mão e da boca... que somos... entre a pele e o néctar do melhor mundo possível... aconteces-me como Dom e Milagre e Música que me beijam como nunca nada ninguém ainda... 




mulher com anfíbios ao amanhecer

aqui. quero mulher com anfíbios ao amanhecer.






mulher com peixes ao amanhecer

aqui. quero mulher com peixes ao amanhecer.

tenho vertigens de azul desde que Te pressinto. procuro Alcool abissal. persigo tanto melancolias oceânicas correndo entre o equador e os pólos de AmarTe. 
quero teus peixes aqui quando meus pulmões não mais senão espuma. somente. 
azul deflagração desde o fundo. 


mulher com pássaros ao amanhecer

aqui. quero mulher com pássaros ao amanhecer.


o Desejo é uma aurora na praia que persiste após longamente bater de dentro no meu estômago ou no meu tambor de desordem. 
não sei se dói ou se canta, minha artéria desejante que me enracina no vento da Passagem.  


transparentes na ante-manhã os pássaros são a Mulher que faz amanhecer o Tempo-durante.

quando tudo é cintilância de Ti
 pairando sobre as águas. 
e a ideia de Infinito: a mulher-de-pássaros
 ao amanhecer.
 
contigo. sou possível. com pássaros 
de saliva recém-nascida.
 
os lábios do primeiro mar tremem por Haver. 
ainda aquém. 
por mim e não-mim, os livros ardem 
de transpirar a pele por Haver. 
com pássaros dentro da pele de mim e não-mim.
a ondulação vaga de meu tacto vago.
a Mulher exclama pássaros no meu deserto
chovem pássaros na minha argila exausta 
de tantas ânsias. 
isto é o meu corpo de húmus, aprendendo outra língua da boca absoluta da Tua Manhã, 
Mulher-que-vem.
amanhecem pássaros contigo. Mulher das minhas ondas mais famintas do que Nada. 

vamos semear até às lágrimas e Principiar.



Primeiro, amar este mundo