"…Attribuez à mon souffle trop court ce qui dans mon propos restera obscur ou froid. Mais retenez la comparaison – elle définit le Livre en tant que Livre c’est-à-dire en tant qu’inspiration…" (E. Lévinas)
Thursday, April 3, 2014
Tuesday, April 1, 2014
Sobre Eva
Dentro deste livro, o Mundo faz Vento. Escrevi sobre a pele para não esquecer algo. A temperatura das vogais sobe até ao vértice da turbulência e do seu vácuo: perigo de vida boca-a-boca. Silêncio e fuga: um poema bebe muitos lábios. É a Era da Pele: recomeçamos a fábula no mar alto. Eva expõe as linhas curvas da tempestade. O naufrágio canta o Amor do Possível.
Respiração boca-a-boca é uma operação de salvamento para náufragos. Porém, quando a respiração confunde os combustíveis, sopramos Caos, boca-a-boca.
Uma outra salvação acontece, mais inflamável que o naufrágio do Génesis de Alguém. É a Era da Pele: Eva trabalha no jardim, oferecendo frutos novos às suas serpentes mais íntimas. O jardim vibra na boca de Eva, comunhão de Caos, sempre mais jovem e livre.
Tarde, manhã: deus beija o barro. Passagem para novo dia sempre com Caos na saliva matinal. Princípio infinito: nascer das águas, boca-a-boca.
Também Eros conhece a vibração desse Caos que chama e toca no fundo, desde o altíssimo deserto da pura possibilidade até Aqui: um Livro possível para dizer a temperatura da Era da Pele. Uma voz submarina, dentro de Caos, uma voz mais nua do que grito, desenha uma órbita. E salva-se, talvez. Ninguém pode saber. Ninguém, nunca, nada pode evitar a ignorância da espuma manuscrita. Aqui. Imagina frações de um Diálogo Amoroso a recomeçar sempre, boca-a-boca. Álcool de silêncio,
Thursday, March 27, 2014
segredo
Porquê?
Primeira
paisagem de Segredo.
Tudo arde sobre a pele.
e a pele sobre Tudo.
Vem
a fúria de Desejar o Princípio
a espuma inteira deste mundo faz Corpo
para Re-Nascer e semear na Era da Pele
Somente Sopro em-mim-e-não-mim
(Era uma vez a Palavra no meio da ferida a coser texto
com profetas na infância. Depois, choveu durante sete dias e sete noites sobre a
Grande Dúvida e os Sinais perderam os Lábios. Veio Alguém, Ninguém, tu. Os
nexos acontecem, desde essa Hora, e o criador toca em Matrix com sua Língua de
fundo de mar. Noite, manhã. Sétimo dia. Dorme deus. Novo húmus mais desejante
do que Absurdo. Pesa-me Cosmos e Caos sobre os frutos futuros, alegrias possíveis,
nuvens através corpos. Tantos nexos, quantas febres.)
Wednesday, March 26, 2014
Aves Migratórias
Nada temas – disse Eva ao Anjo que tremia
diante da Tempestade.
Creio
nas Aves migratórias.
Entre Alpha e Ómega, Éden e Abismo.
As aves
renascem das pedras
sob os meus pés.
Tacteantes no limiar.
Desejo
Aves Aqui. Hora inclinada de Ânsia.
Tacteante. Texto Nu.
Acontece-me Texto.
Desfibra-me Onde.
Uma flecha
faz-me Corpo vapor de corpo
em passagens
ardentes.
Tudo arde sobre a pele.
e a pele sobre
Tudo.
(...)
(Naquele tempo, uma
parábola. Bebi. Acordei no limiar de não-ser, na infância: uma corda com tantos
nós cegos incapazes de falar. Loucura de alfabeto.)
(Ainda infância de enigma. Tenho medo das travessias nocturnas por Onde o limite
das forças desenlaça o Arquipélago vulcânico. Leio páginas sobre a areia: castelos
no ar. Pergunto se o Enigma flutua sempre, se um reino de princesas sonhadoras flutua
sempre, construindo Espanto submerso, véu após véu.
Beijar_ e ferir_ é o mesmo
deus_ )
(A Exaustão faz Sol na-minha-pele. Um sonho acontece capaz de queimar os
olhos do sonhador e as vozes da sonhadora. Sinto a ficção de Haver chão. Os pés
creem.
Trabalho para transpirar o texto e exclamar um hiato que desfia a
acústica metálica do Grito: desejo-me castelos no ar, sem vertigens nas
princesas.)
Tuesday, March 25, 2014
Eros, Arte da Invenção
Eros, Arte da Invenção.
Encontra sempre Excesso sem
procura.
O corpo não esquece o mapa e a
melodia que perfura o mapa. Estória de génese: veio a tarde, a noite, a manhã,
as órbitas. a estrela de alva toca silêncio de harpa. O sabor da aurora sobre o
labirinto. Ardem sempre palavras de ninguém-alguém-Tu longamente após tanto
bater. As portas caem, as pétalas salvam Livros dentro. As escadas demoram as
arestas de não-compreender como se círculos sempre repetissem o bailado de
chamas, sem donde, sem para onde. Somente translação. Podemos ainda morrer de
sede e de tudo junto à Nascente. Faz sentido o círculo polar mais fundo e mais
longe e mais transparente do que meus olhos recém-nascidos. Aqui, somos as
raras mulheres guerreiras, sagitárias, oceânicas, eólicas, ígneas, navegantes
aladas como bandos migratórios do terrível Grito onde recomeça outro Sopro,
outro Lábio, prometendo. O Grito agita o sangue. Acontece ferir. O corpo não
esquece a inclinação do sol nas mãos ou asas que perduram e ardem, além-trevas-interiores.
Luz-contra-luz,
dicção-contra-dicção, desaprendo a febre de perdurar.
Ex-clamans
My writing always risks an encounter with death.
Lover knows terrible Angels. Pursue pain.
And Lover yells against-against-against-
bodies are chaos bleeding till No River
my nothing becoming mine through the Heat
my writing always perspires late saliva
Exclamation, off skin. Mouth burns Text.
Last Song over touch. Nameless Nude.
May I sing You, Mouth? Off skin.
Nothing is the Angel and river
Touch my breasts of letters
Extremes between void longing
Utter my Name in layers of skin
warmer than extreme birth
Monday, March 24, 2014
red letters on red skin
I had promised to abandon my floating certainties. I believe in dead leaves and bedrooms. Do you drink my well? Do you travel to my fountains? All of a sudden, trees escape from my bed. I feel the stiff torso of the Story, or Poem. Plunge into the promise in vain, my congealed memories within wine, breast against breast. You, verbs, burn it all again. All the tenderness in the spiders' webs, in vain. I cannot suffer anything but verbs, flowing verbs, without evasion, nor a shadow. My losses pour in the evening before your return, in the mirror. Now, breathe my empty fingers, my last dry fingers under the weight of broken staircases, your tide, your foreign tide, and quays, and rivers - all suffering remains empty, besides my red letters on red skin.
You know you belong in here: the Age of empty skin. All books burn. All temples burn. Bear the burden of verbs and veins and nerves. Drink my liquid body, Bittersweet, Always Bittersweet, huge emptiness in the signs and windows. You know you still love the seven seas and seven bodies and seven sorrows, oh Breathless Angel. Smile, as though souls were drinkable
Once in my life, I met a naked princess at the Beginning of Intelligence. Her gaze was pure electricity, writing against death, writing against the last word, within my saliva, warm and endless, from morning till night, instantly, as though souls were drinkable. I withdraw my lips, it goes on and on. I smoke the huge vapor, while the heart trembles, lonely steps toward the train, the carriage, the flesh, the first sign, off fear.
Sunday, March 23, 2014
Infinitos por Onde
nas paredes, nos tectos, nos pórticos, nos limiares, nas arestas.
uma casa um corpo de carência fazendo farinha e pão de carência
um infinito respira na pele matinal
outro infinito manuscrito aquém-além-dor
não sei como Cantar a Voz inversa
uma casa onde. não há. uma boca onde. não há. repousa Eros nas mãos ofegantes de tanta parede de tanta areia fervente daquele infinito tão contrário. acordo no intervalo da metamorfose. tão Outra pele.
o náufrago regressa ao corpo pelas ondas, outras. de outra língua sobre Caos. tanto. Ainda Espero por Ti, primeira carícia sobrevivente que renasce no arquipélado vulcânico. renasce no Maior Solstício. Espero os lábios. para uma vogal incapaz de falar, somente fibras desconexas em Êxtase e Dúvida e Cântico de lua nova.
Cinzas vulcânicas, uma atmosfera extrema para refazer o Mundo. Sou o inverso da cinza. não sei quanto. Aproximo-me daquela primeira carícia, quando a distância era ainda Eu. o esforço todo, a inquietude toda, a distância era ainda eu. Distância de tacto, eu ainda. eu toda, inclinada para Princípio.
Os sinais de outra língua mais líquida do que água. Acontece a voz precursora. Acontece ferir. Voz clamante no deserto. O corpo não esquece.
Uma menina aparece na fissão dos sinais, dizendo somente a Distância entre Alpha e Omega, numa estória em segredo.
Carícia e Cântico são o Possível Caos que frutifica na nudez. infinita respiração da nudez que oscila entre oculto e fogo.
Lua Nova.
Eros inventor bárbaro.
Acontece hematoma e hemorragia.
Lábios de Oriente nascem tocam abrem a Montanha.
somente um véu uma órbita uma linha.
Teu sol bate dentro de Desejar, mãos vazias sobre a Origem. Somente vibração. Escolho o rio por Onde. Tudo me oferece chão livre. Infinito princípio, mais Nascente inflamável, mais Oriente perfumado, na minha voz tão perdida. voz clamante no deserto. Acredito no mistério de Caos para navegar.
Carícia e Cântico são o Possível Caos que frutifica na nudez. infinita respiração da nudez que oscila entre oculto e fogo.
Lua Nova.
Eros inventor bárbaro.
Acontece hematoma e hemorragia.
Lábios de Oriente nascem tocam abrem a Montanha.
somente um véu uma órbita uma linha.
Teu sol bate dentro de Desejar, mãos vazias sobre a Origem. Somente vibração. Escolho o rio por Onde. Tudo me oferece chão livre. Infinito princípio, mais Nascente inflamável, mais Oriente perfumado, na minha voz tão perdida. voz clamante no deserto. Acredito no mistério de Caos para navegar.
A inspiração ambígua de Eros. ata dentro. desata. a estória ondulante do Sopro, olhos nos olhos. começamos em alto mar. nó cego de oscilar infinito, tremendo de amnésia nos lábios, desenhando o corpo anárquico no ar, prometendo. somente vibração. vértices. fúrias de Ternura. Nenhuma palavra. Ninguém. Somente a rosa o ciclone o abismo, nas entrelinhas do continuum rocha-corpo-vapor. Fala, órbita de ar. Fala Onde. Diz os versos da maré que furta o peito do peito da Hora. Diante dos verbos abdominais, Fala, minha órbita de entrelinhas e chuvas oblíquas. Uma corda de pronomes balança no meu equador. Fala com animais, ó Fábula do peito contra peito da Hora. Diante do teu Sol, prometo a Parábola: havia um semeador lançando sementes sobre as pedras, sobre os caminhos, sobre aquelas consoantes tão densas de espinhos, sobre aquelas vogais tão fecundas. íam em prantos, ainda noite. vinham em cânticos, já noite. Tudo, no meu equador.
Há dois versos fixos, olhos nos olhos, num quadrado de pele ardente, diante do Mar. Talvez somente som: esperar o Princípio AmarTe, no vértice Onde.
Há dois versos fixos, olhos nos olhos, num quadrado de pele ardente, diante do Mar. Talvez somente som: esperar o Princípio AmarTe, no vértice Onde.
Tudo o que respira se expande no Vazio, se retém no Vazio, se passa no Vazio: Passagem de Eros no silêncio próprio. lâmina de silêncio cortante, abrindo as células ínfimas de uma vogal de Cântico e Carícia. Daí o grito o lapso a parábola o delírio eólico. Havia um semeador um errante e as sementes incertas. Caíam no meu húmus, sem método, somente queda. Creio Onde. Cair faz chão e chuva. Uma seara de AmarTe crescendo no Mar.
As árvores hesitam entre a espuma e a neve. Crescem-me urgentes rios contrários. o corpo não esquece, longos combates, peito a peito. Desejo ser vencida, na última Canção, pela lágrima da flauta. Vaga elegia de lua nova. O meu útero vibra somente, vibra de segredo, chão livre, flechas nas torres mais altas. Onde. flamas várias queimam os anjos e os livros e as fibras desconexas do Poema expectante, táctil, diante dos verbos diante da terrível seara devorando o semeador e as sementes e as chuvas. tanto cristal, peito a peito, um nó cego que ata e desata os cabelos e as veias Onde, nascerei tão amada.
Infinito. Acontece ferir. Acontece sangrar flamas, última Canção
As árvores hesitam entre a espuma e a neve. Crescem-me urgentes rios contrários. o corpo não esquece, longos combates, peito a peito. Desejo ser vencida, na última Canção, pela lágrima da flauta. Vaga elegia de lua nova. O meu útero vibra somente, vibra de segredo, chão livre, flechas nas torres mais altas. Onde. flamas várias queimam os anjos e os livros e as fibras desconexas do Poema expectante, táctil, diante dos verbos diante da terrível seara devorando o semeador e as sementes e as chuvas. tanto cristal, peito a peito, um nó cego que ata e desata os cabelos e as veias Onde, nascerei tão amada.
Infinito. Acontece ferir. Acontece sangrar flamas, última Canção
Friday, March 21, 2014
Dia de ser Poema
Entre as espadas do silêncio
e as harpas do Espanto
minha boca Deseja
o súbito pranto
do Princípio
Uma canção respira
ainda nos pássaros
outras fontes outras chamas
últimas
uma garganta
quebrada
desespera
de extremos confusos
nas minhas fábulas
Aqui
ainda uma Canção planta sol nos mares subterrâneos.
Cintilância. Onde.
Espero naufragar. livre silvestre nua.
à hora da voz queimar a pele
de amar e gritar
para escrever
o Omega ferido.
Acontece Alfabeto no tormento. Espero ainda Canção. somente o corpo o sol poente.
Se vens do perigo para o meu braço noturno. desvela Nada. o meu braço tem âncora de cinza.
a impossível carícia que acaba na água e na onda. todas as naus do mundo sou eu. Deus erra-me.
o meu braço que tacteia elegias nos lábios morrentes. os lábios desaguam no chão contrário. Sinto.
jovens cavalos da memória. Uma Canção ainda sangra no Poente. Espero-Te Princípio sangrando
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Maybe birds dream within my Desiring Freedom and cross everything the closures of gardens, hearts, and manuscripts



