Saturday, December 22, 2012

Labyrinthus 5

Menina, virgem, me vim de meu Arquipélago para esta Babilónia, no coração do deserto.






Regresso tanto ao lugar de tanto.
havia pedras do caminho na derme trespassada
os olhos flutuam desamparados entre esquecer e falar.

a língua vai sempre às sílabas dos meandros. o delírio cintila com as mãos nos seios. Ambos frágeis, escrevendo sob ameaça de queda, mergulhando no carvão dos verbos. somos o jardim perdido cercado pelo fogo. 

Quase tudo sobe quando arde
regresso nevoeiro sobre a pele
nada de cinza na boca
tudo arde sobre tudo.

dizes o fogo. o maior desde que há dor na linguagem. Alguém sopra e sofre noite. fazemos rios, desaguamos mares e dizemos viagens de jangadas para perder o longe.
agora atamos os corpos como troncos. recomeçamos. não sabemos remar. ondulamos.
aprenderemos. as águas sobem. são labaredas de fogo. Dizes. sofrer assim é outro fio na mão, sangrando. Outro bordado, outro vestido de noiva. esperando nas margens do naufrágio

a tua fala é uma órbita de luas novas. dizes-me fogo com a minha língua.

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