Saturday, December 20, 2025

o meu quarto da Criação


há uma janela com Enigma e Ferro no quarto da Criação (o esforço dos Símbolos dobra as grades metálicas no equador do meu quarto da Criação): a janela habita a Desordem entre Carências fazendo-se Poemas  

a janela abre a Beleza Terrível entre Poemas Carentes de Tudo, Poemas de horas absolutamente mendicantes: Dai-me uma gota mínima de Água, uma migalha mínima de Terra, um grão mínimo de Ar, uma moeda mínima de Fogo! Um quase-Nada pode salvar Tudo!

Nada de evidente transporta a brutalidade de viver: o singular Sentimento de Viver ataca as máscaras mais profundas e acontecem vagas lentas de coisas dolorosas - como se a vida terrestre fosse em certos quartos de silêncio, em certas horas de silêncio, nada senão um Abandono de mim-para-mim

os Símbolos enchem a primeira solidão, ainda na terra da infância, escrevendo-desenhando-confundindo muitos sentidos atmosféricos: o ar é todo eletricidade implacável: uma única inundação de neurose unindo tudo boca-a-boca 

a Criação respira no quarto da Criação onde a inteligência das crianças desenvolve as pétalas e as órbitas, desenvolve os arco-íris e os músculos vazios, a inteligência das crianças ama as oscilações da loucura

os Símbolos banham as trevas mais nuas e os Poemas que advêm pelas veias absurdas até à face que espera Absolutamente o Drama, face-a-face

porque todos os Poemas têm substância Teodramática

É a Era-das-Mil-Noites e dos Mil-Dias-Mais-Um: é a Era dos Símbolos profundos advindo pelas veias profundas, veias labirínticas, veias da melancolia futura

a minha infância é outra janela abrindo o Vazio como se o Tempo fosse a Necessidade de desenhar símbolos sobre o peito, ocultando o coração, ocultando o Ritmo mais verdadeiro do que todo o Visível e Invisível

as mãos quentes escrevem-desenham-confundem o Ritmo do coração através da Latitude Infinita do Mistério saindo de dentro das paredes 

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