Wednesday, December 31, 2025

A Noite dos Caminhos


Cada noite tem seus caminhos

minha cidade conhece meu coração, o Inquieto Animal das Noites


Minha cidade é a Noite dos Caminhos 

onde se abriga-e-des-abriga meu Desejo de Liberdade

Tuesday, December 30, 2025

Sonhar com árvores mais interiores



 


Meu Amor sobe esta árvore até às raízes mais interiores do meu Pânico-de-viver no ermo: entre o Infinito Pleno e o Infinito Vácuo. 
Sou o Amor da floresta após o definitivo incêndio da loucura mais bruta... amo ainda a Ideia Divina da Floresta Original e renasço ainda através de sonhar-sentir-a-União com árvores cantantes mais interiores do que sangue e fogo  

Tuesday, December 23, 2025

Kosmos-Poiesis: O Sentido-de-Dançar


Infinita Claridade de Kosmos-Poiesis vem por dentro das espirais das galáxias como música

Infinita Explosão de Claridade brilha-me vibra-me chama-me através da noite que envolve estrelas

Vem por dentro como música o Impulso mais Oriental o Sentido-de-Dançar mais Oriental

A Ideia-de-Mistério vem por dentro como vapor de música enchendo as forças inteiramente 

Sou-este-plural-forças advindo como música por dentro dos corpos-feitos-ondas 


Infinita Claridade de ser a Sonhadora do Princípio: Aqui nasce o Transcendente como onda de música

ondas-feitas-corpos

Monday, December 22, 2025

Construir um abrigo: a paz do claustro


 Chama a menina órfã: a Voz mais Interior que preenche a Respiração: a nova Ideia-de-pássaros capazes de Cantar-em-brisa

(a Ideia-de-Mãe vem às lágrimas por dentro de invisível Cantar-em-brisa, milagre de pássaros capazes de profecia para clarificar os sentidos perdidos, dispersos, analfabetos) 

Saturday, December 20, 2025

o meu quarto da Criação


há uma janela com Enigma e Ferro no quarto da Criação (o esforço dos Símbolos dobra as grades metálicas no equador do meu quarto da Criação): a janela habita a Desordem entre Carências fazendo-se Poemas  

a janela abre a Beleza Terrível entre Poemas Carentes de Tudo, Poemas de horas absolutamente mendicantes: Dai-me uma gota mínima de Água, uma migalha mínima de Terra, um grão mínimo de Ar, uma moeda mínima de Fogo! Um quase-Nada pode salvar Tudo!

Nada de evidente transporta a brutalidade de viver: o singular Sentimento de Viver ataca as máscaras mais profundas e acontecem vagas lentas de coisas dolorosas - como se a vida terrestre fosse em certos quartos de silêncio, em certas horas de silêncio, nada senão um Abandono de mim-para-mim

os Símbolos enchem a primeira solidão, ainda na terra da infância, escrevendo-desenhando-confundindo muitos sentidos atmosféricos: o ar é todo eletricidade implacável: uma única inundação de neurose unindo tudo boca-a-boca 

a Criação respira no quarto da Criação onde a inteligência das crianças desenvolve as pétalas e as órbitas, desenvolve os arco-íris e os músculos vazios, a inteligência das crianças ama as oscilações da loucura

os Símbolos banham as trevas mais nuas e os Poemas que advêm pelas veias absurdas até à face que espera Absolutamente o Drama, face-a-face

porque todos os Poemas têm substância Teodramática

É a Era-das-Mil-Noites e dos Mil-Dias-Mais-Um: é a Era dos Símbolos profundos advindo pelas veias profundas, veias labirínticas, veias da melancolia futura

a minha infância é outra janela abrindo o Vazio como se o Tempo fosse a Necessidade de desenhar símbolos sobre o peito, ocultando o coração, ocultando o Ritmo mais verdadeiro do que todo o Visível e Invisível

as mãos quentes escrevem-desenham-confundem o Ritmo do coração através da Latitude Infinita do Mistério saindo de dentro das paredes 

Thursday, December 18, 2025

Entre carne e cinza: A dúvida da Vida


 Sinto-me Viva   entre a terra e a água 
(minha terra dilui-se na tua água)
Sinto-me Viva   entre a água e o ar
(minha água evapora-se no teu ar)
Sinto-me Viva  entre o ar e o fogo
(meu ar inflama-se no teu fogo)
Sinto-me Viva   entre o fogo e a terra
(meu fogo devora a tua terra)
Sinto-me Viva   entre o fogo e a água
(meu fogo ferve a tua água)
Sinto-me Viva   entre o fogo e o ar
(meu fogo domina o teu ar)

Sinto-me Viva   duvidando nestes ciclos 
nestes ritmos  nestas elipses 
perdendo os sentidos 
de sentir-me Matéria Mais Génese
sinto-me quase Nada-Vapor
quase Nada-Dor-de-Flama 
Depois cinza depois carne
célula de carne transformando cinza
Mais Vida: Mais Crise-de-Vida
Sentimento-de-Vida

This is the fruit, the body, looking for the Mouth


 under the skin

the red flesh of the fruit, just arrived from the night flight of the flower,
there is Myself, Me, My secret Mouth longing for the sugar, the Metaphysics of sugar within Desire.

I am the Angst and Extasis: the Longing for the melancholy of infinity
Absolute Infinity overflowing this body this Moment

Tuesday, December 16, 2025

Navegar é a Primeira Necessidade Absoluta


 Viver é uma contínua confusão dos sentidos

Navegar é a claridade da Criação 

(o Sentido dos sentidos rompendo a cerração no labirinto do Mistério)


Por isso, Navegar é absolutamente preciso

Viver é ser-para-navegar...

Monday, December 15, 2025

A Psicomaquia e o Monólogo de Eros


Psicomaquia subtil: meus barcos interiores dormem agitados injetando correntes de luz e trevas nos abismos deste rio...

Monólogo de Eros: O Oceano de Eros sobe pelo fundo do leito do meu rio...

Combate entre a Melancolia da Liberdade e a Melancolia da Paz enquanto dura o Monólogo de Eros... a Progressão do Silêncio de Eros assalta as minhas terras mais altas...

Progressão de conquista noturna: o Silêncio do ataque surpresa sobe até ao limiar da minha Montanha-dos-Vulcões-Submarinos aparentemente extintos

as forças armadas trágico-místicas do Desejo treinam com fogo real e com feridas extensas e com loucura aleatória, treinam táticas de assalto aos órgãos vitais do Tempo Futuro

táticas de Silêncio e Júbilo, de Angústia e Palavra, de Coragem e Metamorfose: os meus barcos interiores provocam Ciclones nos mapas do Desejo Encoberto

Desejo-de-vida, Desejo-de-criação, Desejo-de-amor: Corremos nas margens como incêndios: Acontece o plasma mais invisível e mais torrencial no coração: Um nó coração salva o Infinito

Agora só um nó no coração liga tudo dentro de tudo

Thursday, December 11, 2025

Saudade: Memória-com-Desejo essencialmente


Sensação corporalmente integral 

sensação de ausência ou distância ou vertigem-de-nada

imensamente vasta sensação

 

Tudo à flor da pele

Tudo dentro de Memória-com-Desejo

Monday, December 8, 2025

Ilhas do Sul


Há absolutamente Ilhas do Sul no Poder-de-Sonhar

Há uma Princesa Absoluta na Magia mais a Sul-de-Sonhar

Há a Verdade nos Absolutos êxtases das florestas que entram na Invenção-do-Mar


Só há verdade no sonhar mais livre, mais íntimo da Arte-de-Invenção!


PS: um gesto advém nas raízes

PPS: Sonhar amorosamente = Sonhar inventivamente = Fazer novas todas as coisas

 

Extinção


 Hoje começou e hoje acabou o Infinito-do-Mundo
assim acontece todos os dias de Amor-em-Amnésia 

Sunday, December 7, 2025

Imaginar a Vida como Paixão de Liberdade


 Quando imagino a vida como a Espontaneidade de relações criativas, encontro sempre a paixão comum pela liberdade e, dentro dessa paixão comum, a gratuidade da alegria intercorporal: a Dança



Tuesday, December 2, 2025

Insónia: Amor de Liberdade


 Nas celas da Tirania, há camas metálicas elétricas e corpos nus amarrados, em metamorfose lancinante para queimadura integral, através de confissões mais vastas do que o Proibido

Metafísica das Singularidades Insolúveis


1. O Insolúvel é primordial, advém do Processo Criativo

2. O Insolúvel é singular, mas pluralmente singular

3. O Insolúvel nasce, cresce, permanece em infinitas singularidades

4. O Insolúvel faz luz e trevas no Pensamento

5. O Insolúvel faz vetores e energias no Desejo

6. O Insolúvel é o Fator das Essências

7. O Insolúvel é hipersensível, hiperexpressivo, hipercompreensivo, hiperconectivo 

Saturday, November 29, 2025

Branching Flows of Lives


 Every desire of mine 

within every desiring instant of mine 

within every desiring fiber of mine 

is branching infinitely while flowing

Thursday, November 27, 2025

After the Explosion: Silence again, but otherwise


 

Before the explosion: Silence


 it's darker than I had ever imagined - my eyes touch the invisible purple blood of time

it's quieter than I had ever imagined - my ears touch the inner skin of estrangement

the silence is perspiring everywhere: the hands flow like absurd waves of ignorance

the night starts moving: this is the Night of Silence before the Explosion

Friday, November 21, 2025

a paisagem de uma história com barcos no coração


 acreditar na Beleza do Mundo é uma forma de sonhar, infinitando a vida...

as sensações sobem por dentro de Sentir
na direção do Interior Comum: encontrando o silêncio que vem 
sobre o corpo inteiro nas Harmonias Afetivas em sintonia, sincronia, sinritmia
quando vibramos durante um Afeto-transporte-de-coração maior do que nós

Sonhar é elevar a vida à infinitante potência da História-entre-nós   

Thursday, November 20, 2025

la beauté est amère



 Verlaine dispara sobre Rimbaud e o sangue da Poesia exposto ao Ar desta Terra exala o hálito alcoólico das vogais quentes... o arco-íris das vogais que ferveu lentamente à flor da pele entre a meia-noite e as cinco da manhã...

é a hora vital das ternuras furiosas adolescentes em mim... na minha alteração para símbolo de outra coisa em carne viva... estou vendo Coisas que a minha Língua não conhece, direi somente: são Coisas-Omega para exclamar na coragem das pontes que ligam as chaves perdidas aos mistérios da Esperança...

Espero por Ti e pela tua Coragem que cruza todo o arco-íris da Vida Desejante  

desde além violeta até aquém de vermelho  

as minhas ternuras furiosas infiltram-se nas ruas adolescentes da noite para aprender a enlouquecer com vodkas ou caipirinhas ou puro absinto ou línguas mais bárbaras de Jazz... murmurando crimes passionais necessários... amor de salvação e amor de perdição: a mesma beleza amarga da Inspiração ou Alteração ou Escravidão atravessando o Atlântico tropical dos apetites que fazem e desfazem correntes de água e terra, de ar e fogo, de vazio e pleno, de tempo e fuga... Esperança de liberdade vulcânica dentro das montanhas cobertas de neves eternas... 

essas ternuras furiosas derramam adagios sobre as teclas graves e negras de piano dentro das hienas que uivam eroticamente entre os seios nus das virgens bailarinas que se oferecem como música atmosférica que faz eletricidade no vento olhos-nos-olhos  boca-a-boca  mãos abertas tocando na Ideia de Infinito em carne viva...

Verlaine dispara sobre Rimbaud... quando se falha um beijo, acerta-se um tiro quase-letal....

Verlaine dispara novamente sobre a Noite: tantas vezes quantas a Necessidade... quando se falha um beijo necessário, abre-se um abismo, uma ferida no Espaço inteiro... a arma de fogo é a loucura que salva... crê na salvação de tudo perdido...

A arma de fogo era outra coisa, a bala era outra coisa, disparar era outra coisa... Cada coisa é outras coisas! Cada ação é outras ações! E tudo são símbolos que vêm da carne viva, a Simbolizante, a Paciente, a Alucinante, a Poetizante, a Alterante...

Tudo são símbolos de amor em carne viva, a Paciente

Símbolos de mim, a ferida paciente que sorri ao amanhecer, esperando nos limites invisíveis do arco-íris que toca na lua nova: meu tronco nu, minhas mãos vazias, minha lua nova, procurando verbos para fazer coisas com as turnuras furiosas... 

beijando na Solidão, sob o véu do Segredo, o oceano ao fundo, prometendo Tudo, perdoando Tudo, disparando sobre a Dor Abstrata, o Beijo impossível, a Pessoa de Desejo, a Visão onde ardem todos os sentidos, nevoeiro inflamável com todos os sentidos na atmosfera, adagio com percussão, depois cordas, depois metais, depois o coro das Amazonas explicando a guerra justa das ternuras furiosas, despindo-se infinitamente, desde além violeta até aquém de vermelho  

Cada símbolo é um órgão de carne viva para transplante imediato noutro corpo carente da sua Essência.

Cada símbolo vem de outro símbolo, como cada vida de outra vida.

Tudo no corpo do Poema é símbolo de outra Coisa-Omega. Cada coisa que respira no Poema é Coisa-Omega de outro Símbolo-Alfa...

 ,  porque 

Wednesday, November 19, 2025

mergulhar desde o fundo


 Da propriocepção dolorosa vem Sophia, a cintilante!

Para compreender a loucura dos navegantes que perdem tudo:
mergulhar no naufrágio desde o fundo
sentir a aflição nos pulmões
tremer com a Liberdade de Sophia

Sophia escorre entre músculos e granitos


 Todas as violências são amores desordenados
contra Sophia

De onde vem o Sol?


 

Saturday, November 8, 2025

Alegria Vital

Eros Vital = aproximação da Beleza 


íntima aproximação da Beleza


ascensão íntima na aproximação da Beleza


hora de ascensão íntima na aproximação da Beleza


hora de ascenção íntima na aproximação da Beleza = o infinito de Eros Vital faz meu corpo
 

Sunday, October 19, 2025

el placer de esperar


el placer de buscarTe 
el placer de escucharTe
el placer de tocarTe

el placer de llamarTe y sufrirMe

perder sentidos y volver à la pérdida como si hubiera Vida Nueva al mediodía


perder sentidos y desnudar los caminos los senos los labios 

como si hubiera al mediodía una playa del Pacífico 

esculpiendo un símbolo de venas con ganas de arder: corazón de mujer haciendo harina y canto sobre abismos ambulantes: la libertad de los cabellos llegan al abdomen durante Madrugada

el camino del alba es el camino del cuerpo tensión  flujo: una rosa madura se acerca de mi boca


¿Sientes la idea de Resurrección Corporal Absoluta?




Friday, October 17, 2025

Siempre hay montañas al fondo del amor


Una mañana sube como si hubiera Resurrección de cielos dentro de pájaros: ¿Crees en pájaros? No hay verbos para decir toda la vida interior de los pájaros...

Soy más azul que el misterio de la sed de los ríos: ¿Crees en la sed? No hay mapas para estudiar toda la geografía de la sed...
 
Espero la historia que se desnuda de peligros apuntando a la Poesía de las cumbres
la primavera cruza mi corazón y los profetas se liberan de toda la ansiedad

siempre hay montañas en el deseo que abre su vientre al galope de los cometas
llega la hora más Feliz que esconde la canción del fuente en las manos vacías 
el Poder de Creer llama pájaros de islas futuras donde nacen destinos de Alegría

al fondo del amor hay un suspiro encadenado al infinito, mi alimento nocturno

¿Cuántas veces fabricamos tinieblas solamente para sentir cómo nos bate el contraste? Entonces comprendemos que somos esencialmente espumas de luz que lanzan relámpagos lentos dibujando caricias

¿Cuántas veces las escrituras sobre la piel son la mejor noche de aventura en tierra extranjera? Entonces comprendemos que volamos como semillas y el Viento del Principio sopla

 

Thursday, October 16, 2025

Sunday, October 5, 2025

Closed Gardens? Closed Hearts? Closed Manuscripts?


 Maybe birds dream within my Desiring Freedom and cross everything
the closures of gardens, hearts, and manuscripts

Saturday, October 4, 2025

O mar joga náufragos e ilhas à sorte


jogas com cartas e com dados, jogas com conchas e com cristais, 
jogas com os olhos e com as vozes, jogas tudo dentro de sorte e azar, 
tudo imponderável... 
a floresta vem na ondulação, espalhando sementes na deriva dos ramos, dentro da seiva salgada, dentro do tronco seco como os ossos limpos após a grande fome dos monstros

cada viagem é um perigo que joga tudo dentro de sorte e azar
cada viagem é um dever de aproximação do perigo e outro dever maior: o dever de amar o mundo inteiro, sem medo paralisante de nada

atravessar a Coragem das montanhas


 

Thursday, October 2, 2025

Crer-esperar-amar o Caminho da Primavera


Desejo Primordial Infinito é crer-esperar-amar o Caminho da Primavera, o Caminho que conhece o Coração, Espontaneidade de Poiesis 

Crer-esperar-amar: A Primavera regressa sempre por Caminho Novo aos Símbolos-da-Vida que respiram no Coração, Harmonias de Poiesis

Crer-esperar-amar a Aurora no Caminho da Primavera: esta manhã é ainda Amplitude e Amplexo de Poiesis: é sempre ainda manhã na língua e na voz e no Desejo de Sentidos que habitam no Coração, Terra verde, floresta tropical de Poiesis

Crer-esperar-amar: Vocação de Infinito na música de Poiesis: o Coração responde à Vocação: toca, canta e dança

O Infinito cresce ou aquece ou brilha mais durante a Vida mais criativa e livre, lugar terrestre de toda a Amplitude e Amplexo, lugar terrestre de crer-esperar-amar    


PS: Desejo Primordial Infinito é a Semântica Transcendental: a Possibilidade da gramática e da língua e da respiração dos sinais boca-a-boca

Sunday, September 28, 2025

Eros, o Extremófilo


Nasces, cresces e prosperas nos Extremos mais abissais: corações com matérias no limite do Impossível.
És o Extremófilo mais íntimo da vida: acidófilo e hipertermófilo e barófilo...

Tudo crês, tudo esperas, tudo suportas: nunca te extenuas, te esgotas, te extingues. No Fim, tudo pode concluir-se, mas Tu permaneces na Juventude Eterna ou na Infância Eterna ou no Princípio Eterno: cada instante oferece o mesmo e outro Primeiro Dia da Génese. 

Onde vibra vida, tu vibras mais dentro e mais novo e mais amplo... vibras na Duração: transformas-me na Duração da leveza omni-sustentável de desejar-ser-mais para dar-mais-ser. 

Não sou um robot? como provar humanidade?


 escrevo "Minha Mãe" e "Meu Pai" na minha pele de barco

escrevo outro poema sobre a Eternidade da Navegação
dentro da minha madeira
no âmago da quilha do barco
ligando minhas dúvidas propulsivas 

Poderá esta escrita provar a humanidade-em-mim?

Só Tu poderás absolutamente imaginar a Verdade subjacente
e declarar-me sangue do teu sangue
carne da tua carne
e entrar nos meandros confusos da minha propriocepção 

Friday, September 26, 2025

Eros, o Detetive


 Eros deteta todos os sinais nos caminhos
desenha mapas   inventa bússolas   
mede os ângulos dos arcos e dos movimentos
apontando para o sol e para a lua e para o meu miocárdio 

Thursday, September 25, 2025

Metáforas X Metáforas = Mais Vida


 

como enraízar-me?


Milágrimas e miltranspirações de sal oceânico
são a seiva dos meus troncos viajantes

A ondulação entrando na praia é o meu solo florestal

Como poderei enraízar-me?  

rouxinol? águia? cisne? colibri?


 meditações sobre pássaros: sobre tornar-se pássaro


PS: Estudos ornitológicos na paisagem dos corações selvagens poderiam ser a Introdução cósmica à Poesia. 
PPS: Não entre no Poema quem ainda não foi pássaro e bando de pássaros enchendo o vazio. O Poema sente as emoções dos pássaros no corpo inteiro do espaço: as emoções da nidificação e da migração transcontinental seguindo o Sol.

Wednesday, September 24, 2025

Imergir em Atmosferas Vocálicas: Um Método de Inscrição


 Decidi que não escreveria nenhuma palavra minha, que seguiria uma linha imaginária no meio da multidão e que imergiria ou mergulharia nas suas múltiplas atmosferas vocálicas.

Daria 70 passos, repousaria durante 7 minutos e inscreveria 7 frases breves, simples e claras: Sujeito + verbo + complemento. Daria novamente 70 passos não-lineares, repousaria novamente durante 7 minutos e inscreveria novamente 7 frases breves, simples e claras: seria sempre somente a inscrição de frases ouvidas nas vozes vivas próximas. 

Cada paragem de inscrição permitiria uma imersão ou mergulho em atmosferas vocálicas singulares, onde abundariam certamente os sentidos do heterogéneo, do singular, do efémero, do fragmentário, do incompleto, do avulso - instantes aleatórios no meio de estórias vivendo-se sem princípio nem fim. Na minha inscrição discreta, guardada no meu caderno disfarçado em camuflagem de livro para não perturbar a espontaneidade expressiva, ficaria tudo cozido em páginas densas, como se fosse uma única voz a confiar-me a sua verdade múltipla, sem querer, sem saber, sem poder fazer de outro modo.

Este seria o meu romance-diário auditivo da multidão dispersa na praia. Teria rapidamente tanta matéria-prima que precisaria de construir uma máquina transformadora para que, uma a uma, cada personagem e seus monólogos, integrada num complexo de personagens e seus diálogos, pudesse nascer daquela Desordem tão potencialmente íntima e bela, cheia de segredos e de estórias-dentro-de-estórias.  

 Assim, poderia talvez reencontrar a minha paz com a verdade das estórias, a verdade da Literatura e a verdade da humanidade em Literatura: escrever somente palavras verdadeiramente estranhas e próximas, permanecer fiel às vibrações dos meus sentidos abertos às vidas vivendo-se sobre mim, inscrevendo-se em mim, neste tempo de infinitos tempos realmente transportadores de tudo.  

meus enigmas adormecem à beira-mar