minha cidade conhece meu coração, o Inquieto Animal das Noites
Minha cidade é a Noite dos Caminhos
onde se abriga-e-des-abriga meu Desejo de Liberdade
"…Attribuez à mon souffle trop court ce qui dans mon propos restera obscur ou froid. Mais retenez la comparaison – elle définit le Livre en tant que Livre c’est-à-dire en tant qu’inspiration…" (E. Lévinas)
minha cidade conhece meu coração, o Inquieto Animal das Noites
Minha cidade é a Noite dos Caminhos
onde se abriga-e-des-abriga meu Desejo de Liberdade
Infinita Explosão de Claridade brilha-me vibra-me chama-me através da noite que envolve estrelas
Vem por dentro como música o Impulso mais Oriental o Sentido-de-Dançar mais Oriental
A Ideia-de-Mistério vem por dentro como vapor de música enchendo as forças inteiramente
Sou-este-plural-forças advindo como música por dentro dos corpos-feitos-ondas
Infinita Claridade de ser a Sonhadora do Princípio: Aqui nasce o Transcendente como onda de música
ondas-feitas-corpos
há uma janela com Enigma e Ferro no quarto da Criação (o esforço dos Símbolos dobra as grades metálicas no equador do meu quarto da Criação): a janela habita a Desordem entre Carências fazendo-se Poemas
a janela abre a Beleza Terrível entre Poemas Carentes de Tudo, Poemas de horas absolutamente mendicantes: Dai-me uma gota mínima de Água, uma migalha mínima de Terra, um grão mínimo de Ar, uma moeda mínima de Fogo! Um quase-Nada pode salvar Tudo!
Nada de evidente transporta a brutalidade de viver: o singular Sentimento de Viver ataca as máscaras mais profundas e acontecem vagas lentas de coisas dolorosas - como se a vida terrestre fosse em certos quartos de silêncio, em certas horas de silêncio, nada senão um Abandono de mim-para-mim
os Símbolos enchem a primeira solidão, ainda na terra da infância, escrevendo-desenhando-confundindo muitos sentidos atmosféricos: o ar é todo eletricidade implacável: uma única inundação de neurose unindo tudo boca-a-boca
a Criação respira no quarto da Criação onde a inteligência das crianças desenvolve as pétalas e as órbitas, desenvolve os arco-íris e os músculos vazios, a inteligência das crianças ama as oscilações da loucura
os Símbolos banham as trevas mais nuas e os Poemas que advêm pelas veias absurdas até à face que espera Absolutamente o Drama, face-a-face
porque todos os Poemas têm substância Teodramática
É a Era-das-Mil-Noites e dos Mil-Dias-Mais-Um: é a Era dos Símbolos profundos advindo pelas veias profundas, veias labirínticas, veias da melancolia futura
a minha infância é outra janela abrindo o Vazio como se o Tempo fosse a Necessidade de desenhar símbolos sobre o peito, ocultando o coração, ocultando o Ritmo mais verdadeiro do que todo o Visível e Invisível
as mãos quentes escrevem-desenham-confundem o Ritmo do coração através da Latitude Infinita do Mistério saindo de dentro das paredes
Navegar é a claridade da Criação
(o Sentido dos sentidos rompendo a cerração no labirinto do Mistério)
Por isso, Navegar é absolutamente preciso
Viver é ser-para-navegar...
Monólogo de Eros: O Oceano de Eros sobe pelo fundo do leito do meu rio...
Combate entre a Melancolia da Liberdade e a Melancolia da Paz enquanto dura o Monólogo de Eros... a Progressão do Silêncio de Eros assalta as minhas terras mais altas...
Progressão de conquista noturna: o Silêncio do ataque surpresa sobe até ao limiar da minha Montanha-dos-Vulcões-Submarinos aparentemente extintos
as forças armadas trágico-místicas do Desejo treinam com fogo real e com feridas extensas e com loucura aleatória, treinam táticas de assalto aos órgãos vitais do Tempo Futuro
táticas de Silêncio e Júbilo, de Angústia e Palavra, de Coragem e Metamorfose: os meus barcos interiores provocam Ciclones nos mapas do Desejo Encoberto
Desejo-de-vida, Desejo-de-criação, Desejo-de-amor: Corremos nas margens como incêndios: Acontece o plasma mais invisível e mais torrencial no coração: Um nó coração salva o Infinito
Agora só um nó no coração liga tudo dentro de tudo
sensação de ausência ou distância ou vertigem-de-nada
imensamente vasta sensação
Tudo à flor da pele
Tudo dentro de Memória-com-Desejo
Há uma Princesa Absoluta na Magia mais a Sul-de-Sonhar
Há a Verdade nos Absolutos êxtases das florestas que entram na Invenção-do-Mar
Só há verdade no sonhar mais livre, mais íntimo da Arte-de-Invenção!
PS: um gesto advém nas raízes
PPS: Sonhar amorosamente = Sonhar inventivamente = Fazer novas todas as coisas
2. O Insolúvel é singular, mas pluralmente singular
3. O Insolúvel nasce, cresce, permanece em infinitas singularidades
4. O Insolúvel faz luz e trevas no Pensamento
5. O Insolúvel faz vetores e energias no Desejo
6. O Insolúvel é o Fator das Essências
7. O Insolúvel é hipersensível, hiperexpressivo, hipercompreensivo, hiperconectivo
within every desiring instant of mine
within every desiring fiber of mine
is branching infinitely while flowing
it's quieter than I had ever imagined - my ears touch the inner skin of estrangement
the silence is perspiring everywhere: the hands flow like absurd waves of ignorance
the night starts moving: this is the Night of Silence before the Explosion
é a hora vital das ternuras furiosas adolescentes em mim... na minha alteração para símbolo de outra coisa em carne viva... estou vendo Coisas que a minha Língua não conhece, direi somente: são Coisas-Omega para exclamar na coragem das pontes que ligam as chaves perdidas aos mistérios da Esperança...
Espero por Ti e pela tua Coragem que cruza todo o arco-íris da Vida Desejante
desde além violeta até aquém de vermelho
as minhas ternuras furiosas infiltram-se nas ruas adolescentes da noite para aprender a enlouquecer com vodkas ou caipirinhas ou puro absinto ou línguas mais bárbaras de Jazz... murmurando crimes passionais necessários... amor de salvação e amor de perdição: a mesma beleza amarga da Inspiração ou Alteração ou Escravidão atravessando o Atlântico tropical dos apetites que fazem e desfazem correntes de água e terra, de ar e fogo, de vazio e pleno, de tempo e fuga... Esperança de liberdade vulcânica dentro das montanhas cobertas de neves eternas...
essas ternuras furiosas derramam adagios sobre as teclas graves e negras de piano dentro das hienas que uivam eroticamente entre os seios nus das virgens bailarinas que se oferecem como música atmosférica que faz eletricidade no vento olhos-nos-olhos boca-a-boca mãos abertas tocando na Ideia de Infinito em carne viva...
Verlaine dispara sobre Rimbaud... quando se falha um beijo, acerta-se um tiro quase-letal....
Verlaine dispara novamente sobre a Noite: tantas vezes quantas a Necessidade... quando se falha um beijo necessário, abre-se um abismo, uma ferida no Espaço inteiro... a arma de fogo é a loucura que salva... crê na salvação de tudo perdido...
A arma de fogo era outra coisa, a bala era outra coisa, disparar era outra coisa... Cada coisa é outras coisas! Cada ação é outras ações! E tudo são símbolos que vêm da carne viva, a Simbolizante, a Paciente, a Alucinante, a Poetizante, a Alterante...
Tudo são símbolos de amor em carne viva, a Paciente
Símbolos de mim, a ferida paciente que sorri ao amanhecer, esperando nos limites invisíveis do arco-íris que toca na lua nova: meu tronco nu, minhas mãos vazias, minha lua nova, procurando verbos para fazer coisas com as turnuras furiosas...
beijando na Solidão, sob o véu do Segredo, o oceano ao fundo, prometendo Tudo, perdoando Tudo, disparando sobre a Dor Abstrata, o Beijo impossível, a Pessoa de Desejo, a Visão onde ardem todos os sentidos, nevoeiro inflamável com todos os sentidos na atmosfera, adagio com percussão, depois cordas, depois metais, depois o coro das Amazonas explicando a guerra justa das ternuras furiosas, despindo-se infinitamente, desde além violeta até aquém de vermelho
Cada símbolo é um órgão de carne viva para transplante imediato noutro corpo carente da sua Essência.
Cada símbolo vem de outro símbolo, como cada vida de outra vida.
Tudo no corpo do Poema é símbolo de outra Coisa-Omega. Cada coisa que respira no Poema é Coisa-Omega de outro Símbolo-Alfa...
, porque
el placer de llamarTe y sufrirMe
perder sentidos y volver à la pérdida como si hubiera Vida Nueva al mediodía
perder sentidos y desnudar los caminos los senos los labios
como si hubiera al mediodía una playa del Pacífico
esculpiendo un símbolo de venas con ganas de arder: corazón de mujer haciendo harina y canto sobre abismos ambulantes: la libertad de los cabellos llegan al abdomen durante Madrugada
el camino del alba es el camino del cuerpo tensión flujo: una rosa madura se acerca de mi boca
¿Sientes la idea de Resurrección Corporal Absoluta?
¿Cuántas veces fabricamos tinieblas solamente para sentir cómo nos bate el contraste? Entonces comprendemos que somos esencialmente espumas de luz que lanzan relámpagos lentos dibujando caricias
¿Cuántas veces las escrituras sobre la piel son la mejor noche de aventura en tierra extranjera? Entonces comprendemos que volamos como semillas y el Viento del Principio sopla
Crer-esperar-amar: A Primavera regressa sempre por Caminho Novo aos Símbolos-da-Vida que respiram no Coração, Harmonias de Poiesis
Crer-esperar-amar a Aurora no Caminho da Primavera: esta manhã é ainda Amplitude e Amplexo de Poiesis: é sempre ainda manhã na língua e na voz e no Desejo de Sentidos que habitam no Coração, Terra verde, floresta tropical de Poiesis
Crer-esperar-amar: Vocação de Infinito na música de Poiesis: o Coração responde à Vocação: toca, canta e dança
O Infinito cresce ou aquece ou brilha mais durante a Vida mais criativa e livre, lugar terrestre de toda a Amplitude e Amplexo, lugar terrestre de crer-esperar-amar
PS: Desejo Primordial Infinito é a Semântica Transcendental: a Possibilidade da gramática e da língua e da respiração dos sinais boca-a-boca
Tudo crês, tudo esperas, tudo suportas: nunca te extenuas, te esgotas, te extingues. No Fim, tudo pode concluir-se, mas Tu permaneces na Juventude Eterna ou na Infância Eterna ou no Princípio Eterno: cada instante oferece o mesmo e outro Primeiro Dia da Génese.
Onde vibra vida, tu vibras mais dentro e mais novo e mais amplo... vibras na Duração: transformas-me na Duração da leveza omni-sustentável de desejar-ser-mais para dar-mais-ser.
Daria 70 passos, repousaria durante 7 minutos e inscreveria 7 frases breves, simples e claras: Sujeito + verbo + complemento. Daria novamente 70 passos não-lineares, repousaria novamente durante 7 minutos e inscreveria novamente 7 frases breves, simples e claras: seria sempre somente a inscrição de frases ouvidas nas vozes vivas próximas.
Cada paragem de inscrição permitiria uma imersão ou mergulho em atmosferas vocálicas singulares, onde abundariam certamente os sentidos do heterogéneo, do singular, do efémero, do fragmentário, do incompleto, do avulso - instantes aleatórios no meio de estórias vivendo-se sem princípio nem fim. Na minha inscrição discreta, guardada no meu caderno disfarçado em camuflagem de livro para não perturbar a espontaneidade expressiva, ficaria tudo cozido em páginas densas, como se fosse uma única voz a confiar-me a sua verdade múltipla, sem querer, sem saber, sem poder fazer de outro modo.
Este seria o meu romance-diário auditivo da multidão dispersa na praia. Teria rapidamente tanta matéria-prima que precisaria de construir uma máquina transformadora para que, uma a uma, cada personagem e seus monólogos, integrada num complexo de personagens e seus diálogos, pudesse nascer daquela Desordem tão potencialmente íntima e bela, cheia de segredos e de estórias-dentro-de-estórias.
Assim, poderia talvez reencontrar a minha paz com a verdade das estórias, a verdade da Literatura e a verdade da humanidade em Literatura: escrever somente palavras verdadeiramente estranhas e próximas, permanecer fiel às vibrações dos meus sentidos abertos às vidas vivendo-se sobre mim, inscrevendo-se em mim, neste tempo de infinitos tempos realmente transportadores de tudo.