Sempre tão jovem a minha mãe e a Amplitude do seu Horizonte
criando os meus Sentidos o meu equilíbrio e o meu movimento
Sempre tão jovem a coragem da minha mãe
acreditando sempre na Novidade do mundo
desejando sempre a Alegria da viagem
(Minha Mãe cantava Alfabeto e eu apaixonei-me por esse canto: Sinais cheios de Vida para escrever e ler sobre as matérias vibrantes - a farinha fermentando no sentido do pão, a pele fermentando no sentido da ternura, o chão fermentando no sentido do Sol
Todos os dias sinto o Poder-de-Escrever e o Poder-de-Ler nascendo para mim na Voz da Mãe - Todas as noites desejo o Canto do Alfabeto, desejo tão inquietamente até ao limiar de exaustão e de dúvida e de verbos mortalmente impessoais caindo sobre mim - como anoitece-me, chove-me, venta-me, cai-me o Haver e o Acontecer e o Desfazer... urgências transpiram-me quentes e húmidas através do Trabalho sem obra e do Suplício sem justiça
Quando vem a abundância do vazio, sofro de amnésia dentro de fome e dentro de sede e dentro de distância... escorrendo-me rios profundos de medos: Somos a transpiração dos caçadores desarmados, rastejando melhor do que serpentes fora dos caminhos)

No comments:
Post a Comment