Eros, o Noturno. Eros, o Assaltante. Passas as horas sonhando sem nexo: Rende-te ou eu acabo-te! Canta-me ou eu grito! Beija-me ou eu devoro-te! Eros, o Vencedor: Estás perdidamente na arena de Morte. Acordo de repente no meio da luta, os músculos impotentes preparam setas venenosas para regressar ao Ciclone da calma. Passamos esta noite numa cratera lunar: Mar da Tranquilidade ou Mar das Fúrias. Amanhã, depois do dilúvio, depois de muita natação nas águas do Mistério, depois de muita angústia matemática, calculando área exata das feridas... amanhã, começamos outro Mundo.
Eros, o Prisioneiro. Eros, o Guerreiro. Eros, o Matador. Eros, o Sacrificado. Tens uma porta secreta para Tudo, uma ponte secreta para Tudo, uma língua secreta para Tudo, uma alma secreta para Tudo, um coração secreto para Tudo, uma ciência secreta para Tudo, uma arma secreta para Tudo, uma personalidade secreta para Tudo, um código secreto para Tudo.
Ninguém vence a tua Ternura. Ninguém vence a tua Loucura. Ninguém vence a tua Crueldade. Tu és a Infinita Metamorfose de Tudo em Tudo. Nenhum nome te define, te chama, te atinge, te revela...
Eros, o Omnívoro e o Faminto. Eros, o Imperial e o Revolucionário. Eros, o Brutal e o Feminino. Eros, o Infantil, o Lúdico, o Divertido, o Sorridente, o Felino, o Grande Felino, o Último Felino no reino animal. Morde-me aqui ao luar, até ao meio-dia, até ao Equinócio, até ao Eclipse, até à Estação-das-chuvas, até ao Regresso-do-Cometa, até ao Clímax abissal, até ao Apocalipse das minhas ânsias inquietas... Morde-me um pouco mais, apenas com a ponta da tua língua húmida escrevendo poemas entre meu tórax e meu abdómen e meu arquipélago vulcânico...
Eros, o Secreto. Eros, o Selvagem. Eros, o Libertador, o Grande Libertador, o Último Libertador.
As revoluções noturnas do corpo são como gritos e cantos de alegria gestual. Quero liberdade no ar. Quero ser o ar da liberdade. Quero ser o voo da liberdade no ar. Quero ser o perigo do voo da Liberdade no ar.
Eros, o Físico e o Metafísico. Perde-te, no longe mais íntimo de mim. Segue o teu destino mais inexorável: a minha vontade de fusão com tua matéria de lágrimas no instante crítico da viagem angustiante e do regresso ao Desconhecido.
Eros, o Irónico e o Cético. Eros, o Trágico e o Marítimo. Eros, o Épico e o Melancólico. Eros, o Didático e o Interrogativo. Eros, o Abissal e o Aéreo. Eros, o Cósmico e o Cosmopolita. Os teus vapores flutuantes traçam círculos e elipses entre todas as paixões da minha alma, sobretudo as infinitas espécies doces e ácidas de Tristeza. Uma tortura consoladora passa dentro de mim como uma sereia, uma gaivota, uma mão mágica que lança um relâmpago entre as memórias e as fantasias. Vibra um aroma à flor da pele ondulante, enquanto o meu oceano interior confusamente imagina a inexplicável ternura que salva o mundo, a inexplicável ternura que arde no horizonte noturno. A voz naufragada ainda boia no vácuo, chamando. As janelas abrem-se no meio da parede, no meio do medo, no meio da sensação de abandono. O vermelho do sangue é um vermelho ávido que respira.
Eros, o Exclamante e o Oracular, o Socrático e o Nirvânico, o Montanhoso, o Glaciar, o Vagabundo, o Tropical. Leves brisas de contradição aumentam o apetite e a inteligência do apetite. Tenho sede, tenho fome, tenho a miséria completa que a Sabedoria ama muito.
Eros, o Incerto e o Transtornante. Eros, o Espiritual, o Carnal, o Intercorporal. Estamos condenados aos trabalhos da Libertação: Energia das Auroras que explodem e persistem no Ritmo de Eros.
Eros, o Vibrante e o Sexual. Eros, o Virginal e o Hipersexual, Pansexual, Megassexual, Criptossexual. O que é o Tempo? O que é a Vida? O que é a Génese?

1 comment:
Li com olhos platônicos, num banquete...
Vejo o Belo que impulsiona a busca pela beleza, pela sabedoria, pelo Bem, pelo imortal...
“Tenho sede, tenho fome, tenho a miséria completa que a Sabedoria ama muito.” - Uau!
Esse poema me pareceu uma invocação visceral.
Oh “meu Eros, meu Mestre Hiperativo...meu coração ainda não aprendeu nada.”
Mas amanhã… começo um outro mundo possível, uma releitura...
Quero ser o ar da liberdade!
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