Minha imaginação está tatuada com uma seta de fogo que deseja ser feliz.
Tudo vem de Infinito e tudo vai para Infinito. O Infinito envolve todo o finito. O nome do Infinito é Amor e a matéria-prima e a força íntima de tudo é o Infinito, Amor. Um fogo suave arde nas veias e nos sentidos inteiros: o Infinito é a Beleza Absoluta do Bem. Estou apaixonada pelo real e pelo possível e por toda a Vida e por tudo vive e por tudo o que há. Amo tudo inteiramente.
Minha imaginação repousa na Ideia-de-Infinito.
No entanto, uma crueldade grita no espaço-tempo desde a primeira explosão de Algo, desde o primeiro surgimento e primeiro prosseguimento de Mundo: desde Algo-em-vez-de-Nada.
Toda a matéria sofre. Toda a vida sofre. Toda a consciência sofre.
A minha imaginação resiste, até às lágrimas e ao sangue, contra a ideia-de-Dor crucificando a ideia-de-Infinito.
Infinitamente dolorosa é minha pacífica vida enquanto contemplo a ideia-de-Dor crucificando a ideia-de-Infinito: contemplo as catástrofes (o caos de fogo-terra-ar-água torturando o corpo deste mundo e seus passageiros), contemplo os predadores (a fome dos animais circulando devoradora e todos os devoradores terminam devorados), contemplo a história humana, uma única guerra indomável com infinitos guerreiros jovens com infinito entusiasmo jovem, sempre ancestral e sempre renovado, com infinita paixão jovem de matar e morrer...
Faz sentido imaginar um Génio Maligno Omnipotente jogando toda a inteligência na invenção dos infinitos ângulos da ideia-de-Dor... desejando, fruindo, inventando novos ódios, inventando novas armas, inventando novas sensações dolorosas, novas intrigas para as personagens futuras, novas psicologias mais capazes de desejar, fruir, inventar o êxtase de sofrer, fazer-sofrer, multiplicar-fazer-sofrer... sorrindo, rindo, gargalhando voluptuosamente... a luxúria de criar sentidos dolorosos transbordando de sangue e de músculos rasgados...
Faz sentido imaginar o Universo ou a Realidade como uma neoplasia selvagem no cérebro do Infinito eternamente moribundo... a matéria infinitamente dolorosa de tudo seria somente a infinita patologia de Haver... o mundo seria uma doença, uma infeção, uma inflamação, uma febre, um vómito, um excremento, uma carne podre em decomposição (absolutamente evidente, julgando pelo fedor que tantas vezes flutua nos vapores vulcânicos e nas respirações inter-humanas)
Minha imaginação treme na ideia-de-Dor dentro de Infinito
(Se queres ser feliz, conduz a imaginação pelo bom Infinito)

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