Quem toca o abismo, sente a febre da Alteração
(Cada instante abissal
cada tacto cada visão cada sentido de abismo
pele-na-pele olhos-nos-olhos
totalmente cegos de Enorme
faz regressar a Febre Absoluta
a Febre de Deus durante o êxtase de Criar
durante o instante infinito da Criação
ainda perdurante aqui
no sentido de abismo
pele-na-pele olhos-nos-olhos
transcendentalmente cegos)
(Hesito sempre entre dizer "quem vê o abismo, sente a febre" e "quem toca o abismo, sente a febre", mas o abismo pertence às perturbações psicossomáticas sistémicas cujo sintoma é uma febre divina de criar e permanecer na duração: instante de Criação)
(Hesito também entre crer "o abismo vê quem sente a febre divina na pele em chamas" e "quem sente a febre divina, sente o Abismo na pele inteira em chamas". Sinto mais verdade na ideia da espontaneidade táctil de Abismo: é o abismo que vê e toca e altera quem se aproxima do limiar...)

1 comment:
Esse poema arde, vê, e faz ver.
A sua linguagem não descreve o abismo, ela o encarnou.
E a tua febre, que é também a do mundo, ainda não passou. Belíssimo!
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