Monday, August 25, 2025

Eros, o Opressor e o Libertador


 Na sombra das paredes do Labirinto, faz frio e dói
Eros constrói paredes novas no Labirinto das carências
Eros, o Opressor

A sombra do labirinto é gelo e dói. 
Todos os músculos doem sob a máquina do Labirinto gerando gelo
injetando gelo nas veias de Ariane, a perdida, a mais corajosa na hora de perder
Ariana é a audácia de penetrar no terror 
desfiando a Invenção do Retorno

Nos olhos de Ariana, brilha Eros, o Libertador

(Quando a dor do frio faz parar o corpo no meio de nada
a confusão geográfica interroga-me: Será a Crueldade uma matéria divina?
Será a Crueldade o zénite da história noturna?)

No fim do Poema, há outro Poema do Fim colhendo os espinhos
colhendo somente espinhos durante o nu incompleto da Libertação

o Poema do Fim colhe espinhos com a ternura dos moinhos
moendo espinhos para a farinha do pão final 
tanta fome no Fim do Poema ao sol
doendo também
como se calor e frio fossem a mesma máquina cruel
que mata a fome

o Poema colhe espinhos ao sol 
meu sol face-a-face meu sol virgem meu sol nascente 
partindo para o distante teu peito sucumbindo na corda da minha harpa
sem nenhum lamento 

meu zénite de minha história noturna desfiando a Viagem e a Casa
zénite mais nu e zénite mais sanguíneo do que espuma de rosas 
após a colheita dos espinhos e os segredos penetrantes da farinha 

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