Na sombra das paredes do Labirinto, faz frio e dói
Eros constrói paredes novas no Labirinto das carências
Eros, o Opressor
A sombra do labirinto é gelo e dói.
Todos os músculos doem sob a máquina do Labirinto gerando gelo
injetando gelo nas veias de Ariane, a perdida, a mais corajosa na hora de perder
Ariana é a audácia de penetrar no terror
desfiando a Invenção do Retorno
Nos olhos de Ariana, brilha Eros, o Libertador
(Quando a dor do frio faz parar o corpo no meio de nada
a confusão geográfica interroga-me: Será a Crueldade uma matéria divina?
Será a Crueldade o zénite da história noturna?)
No fim do Poema, há outro Poema do Fim colhendo os espinhos
colhendo somente espinhos durante o nu incompleto da Libertação
o Poema do Fim colhe espinhos com a ternura dos moinhos
moendo espinhos para a farinha do pão final
tanta fome no Fim do Poema ao sol
doendo também
como se calor e frio fossem a mesma máquina cruel
que mata a fome
o Poema colhe espinhos ao sol
meu sol face-a-face meu sol virgem meu sol nascente
partindo para o distante teu peito sucumbindo na corda da minha harpa
sem nenhum lamento
meu zénite de minha história noturna desfiando a Viagem e a Casa
zénite mais nu e zénite mais sanguíneo do que espuma de rosas
após a colheita dos espinhos e os segredos penetrantes da farinha

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